acabado enfim


o doce vira sal na língua azeda, cansada

enquanto açúcar esfarela garganta abaixo

entre o mel e a viagem insossa que derrama

as minhas ilusões em cada gota áspera

do bruto melado sem gosto eterno

na refinaria de minha alma.

meu coração é pulso forte

que aguarda convalescer da cama

aquela onde beijos e facadas apadrinharam

um casamento de duas afoitas borboletas.

e no arvoredo do quintal

as abelhas riem de minhas feridas

das picadas que incham minha pele

de cor dúbia – sem sangue eu sou.

sem viagem, postagem sem rumo

meu agonizado ser sem paladar

consome e lambe apenas o sumo

do dissabor daquele amor

que mutante

estrangulou a mais doce

ilusão vivida por uma borboleta

virtualmente anônima…

2 Respostas para “acabado enfim”

  1. E mo fim, a morte das ilusões.
    No fim a morte.
    Sempre acaba e morte

  2. só morrendo a gente vive ;)
    beijo.

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