Eu te amo, disse Lucimar da janela do trem daquele metrô frio e deserto… parte lll
_ Não vá, amor… inda temos chances…
Ele não suportava ter que olhar nos olhos dela e ver tanta tristeza. Não pela dor que havia alí, mas não conseguia entender como ela, a Lucy das artes plásticas e dos discursos políticos anti-babaquices se transformara numa mulherzinha ridiculamente romântica. No pior dos sentidos.
Situação constrangedora. Ela, dentro do trem com a cabecinha pendurada na janela. Eu, tremendo de frio, sem saber o que dizer.
Gostava da Lucy controvertida, alegre, ousada. Suas poesias de protesto que ela falava no auto-falante, em suas exposições pós-modernas, de um surrealismo de causar náuseas. No bom sentido.
_ Amore mio… não vivo sem meu príncipe!
Eu, príncipe? Quanto exagero. Logo eu, ex-hippie, ex-militar. Ex-gente. Só se fosse ‘príncipe das trevas’!
_ Tá vazio este terminal - disse, na falta do que falar, olhando o rosto dela na janela. Enxugava as lágrimas com o cachecol preto que eu havia dado num desses dias dos namorados.
_ Está em obra… volta pra mim?
Prestei atenção. Realmente havia ferros e outros materiais de construção empilhados em toda parte.
Lá fora um burburinho crescente. Parecia uma revolução: ‘Lucy! Lucy!’
_ Vieram para minha exposição. - finalmente um sorriso.
_ Que exposi…
O estrondo foi ensurdecedor. Lucy explodiu o trem. Fim.
Ela me amava de verdade, foi a única coisa que disse aos bombeiros.
Maio 12, 2008 às 3:52 pm
As vezes me pergunto de onde você tira tanta coisa? Sua cabeça deve ser ENORME.
Beijos e continue escevendo. Isso me alegra muito.
Maio 12, 2008 às 7:51 pm
Obrigada Luciano. Mas não me sinto tão bem pq é compulsivo e não consigo fazer outra coisa. Estou pensando em pintar telas, sei lá
Beijo lindo!
Junho 1, 2008 às 9:11 pm
Putz.
Gran finale.
Infinitamente grande.
(procurando as outras partes)
Junho 1, 2008 às 11:25 pm
Sem suspense né? Mas essa loucura nem precisa hehe
Brigada pela visita, viu.
Junho 2, 2008 às 1:31 am
na verdade não precisa de suspense. O impacto se faz por si só. entre o sublime e o abjeto
estou imaginando a montanha russa na cabeça d nosso ex-soldado.
Junho 2, 2008 às 1:35 am
Ele, de certa forma é um sofredor nas mãos da loucura da artista plástica.