Fim de festa no tapete persa que o grego não pisou

Não havia sido convidada. Também não importava, só era preciso uma festa, conhecer alguém para esquecer seu divino, um meio homem, meio deus. Talvez um semideus letrado na filosofia antiga da Grécia. Educado e firme na performance da sedução. Eternamente jovem e alegre.

Um absurdo alienante o namoro equivocado de intelectuais sumidas no tempo. Semideuses podiam trair e colecionar estórias e cantadas, afinal.

O álcool descia bem, era bebida própria aos mortais, principalmente a uma mortal frustrada com homem tão misterioso e repleto de evasivas.

Quanto tempo fazia? Dias longos e intermináveis tentativas de contato. Por onde andaria tanta beleza grega, envenenada…

Cambaleou pela festa com seus trinta anos a levando para o abismo, imagens retorcidas pela paixão e pelo ódio mortal àquele homem raro. Patifaria dos deuses, encantador de serpentes. Chauvinista do Olimpo.

Já passava das quatro da manhã. O seu perfume ainda inebriava o ambiente, misturando-se aos hálitos de cigarro e vinho…

Rendeu-se à miserável condição humana, abriu os botões da jaqueta fake e ficou com o garçom.

 

2 Respostas para “Fim de festa no tapete persa que o grego não pisou”

  1. Homens divinos causam um estrago… Ah, nossa miserável condição humana, enfim nos salva das ilusões do Olimpo, nos trazem de volta à terra dos mortais, seres comuns como são os garçons. Sua ironia atinge os semideuses no alto de seus pedestais. Abraço.

  2. Que bom que vc gostou, eu adoro seus comentários, às vezes vc vê coisas que nem eu consigo.
    Brigada Cris. :)

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