Gosto na boca
Segurei sua mão, a levei ao lugar mais quente e úmido de vontade. Esqueci meus lábios nos lábios dele, e pensei comigo em como a vida era simples de viver.
Andei até a estante, abri um Neruda, deixando virem a mim imagens daquele carteiro do filme.
Como cartas eram belas, levavam e traziam juras, promessas e cálidos momentos em meia luz.
Abri agora os ouvidos para a música que saía como suspiro de sua boca contornada com pelos perfumados de eucalípto.
Nosso hálito tinha o gosto de uma França antiga, champanhe e poesia.
Na cama, lençóis cansados retinham o aroma promíscuo almiscarado da liberdade.
Olhei mais uma vez em direção a porta…
Lamentando por minha insana insistência de mantê-lo vivo em minha carne, voltei a deitar-me…
Assim continuei de onde havia parado.
E como eu estava só!…

Julho 8, 2008 às 10:34 am
Coisas varridas e
ao acaso
mescladas
- o mais belo universo
Heráclito; através da nossa Orides Fontela.
Julho 8, 2008 às 12:34 pm
É isso.
Beijão.