Gosto na boca

Segurei sua mão, a levei ao lugar mais quente e úmido de vontade. Esqueci meus lábios nos lábios dele, e pensei comigo em como a vida era simples de viver.

Andei até a estante, abri um Neruda, deixando virem a mim imagens daquele carteiro do filme.

 Como cartas eram belas, levavam e traziam juras, promessas e cálidos momentos em meia luz.

 Abri agora os ouvidos para a música que saía como suspiro de sua boca contornada com pelos perfumados de eucalípto.

 Nosso hálito tinha o gosto de uma França antiga, champanhe e poesia.

Na cama, lençóis cansados retinham o aroma promíscuo almiscarado da liberdade.

Olhei mais uma vez em direção a porta…

 Lamentando por minha insana insistência de mantê-lo vivo em minha carne, voltei a deitar-me…

Assim continuei de onde havia parado.

 E como eu estava só!…

2 Respostas para “Gosto na boca”

  1. Coisas varridas e
    ao acaso
    mescladas
    - o mais belo universo

    Heráclito; através da nossa Orides Fontela.

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