Archive for the Luz e escuridão Category

LEI do LULA

Posted in Luz e escuridão with tags , on Outubro 5, 2009 by Daisy

collage330

Este aí é o Lúcifer. Ou melhor, hoje, depois de milhares de anos, passou a ser conhecido como Satanás, que significa adversário. Dependendo do ponto de visão, ele pode ser considerado parceiro, amigo, mestre. A conotação adversário, por exemplo, é pertinente a quem está do lado oposto. Se há adversário, significa que há dois lados.

O outro lado é Deus, o Todo-Poderoso. O que criou os céus e a terra, com tudo que há neles. Entretanto, para Satanás, Deus, seus anjos de luz, querubins, e seus seguidores na terra (homens), é que são seus adversários.

Teologicamente, ou melhor, do ponto de vista antropológico, não convém, por medidas cautelares da sociologia, que o homem por si só defina ou redefina o que certo e errado. Contudo, existe uma característica um tanto misteriosa pertinente à nossa existência, que é chamado pela psicologia e outras ciências de inconsciente coletivo.

Está contido num lado do cérebro humano há gerações. Alguns conceitos imutáveis de certo e errado, que vem associar-se espontaneamente aos mandamentos de Moisés. Isto é uma conotação do bom adversário. Não significando, todavia, que o homem há que definir-se: Deus ou Satanás.

O homem, ao contrário dos espíritos, convive, desde sua criação, com as moléculas da inconstância. Dubiedade faz parte do caráter humano. Dúvidas e crises existenciais. Nem mesmo um dos apóstolos de Jesus Cristo, o Judas Escariotes escapou te tal ameaça. O caráter não pode ser definitivo sem treinamento espiritual.

Fica claro, ao menos para mim, que a dificuldade que encontramos em aceitar Deus como mantenedor de nossa existência, talvez seja a dose excessiva de liberdade, o livre arbítrio pertinente à raça humana. Independente da religião, haverá nela o bem e o mal. É possível encontrar pessoas boas nas religiões mais dúbias em seu caráter formativo, como também, a exemplo de Judas, o mal habita em toda parte.

No final das contas, acredito que uso de imagens são de pouca valia. Já temos a propensão a crermos até em pedras e gravuras. A ilustração acima é só para somar ao post.

Ghandi teve um sonho que cresceu. Hitler também.

As novas políticas brasileiras apontam para uma guerra de religião. Desafetos do presidente Lula que não se sabe se está com os evangélicos ou com os umbandistas. De alguma forma, esse Deus que a tudo criou não está contido nesses homens dúbios.

Com relação a imagens, bom advertir que a gravura acima, segundo os Evangelhos, comete um erro – a chave que Satanás segura em sua mão não mais lhe pertenceria. Teria este sido derrotado pelo leão de Judá, que tomou-lhe a chave da vida e da morte, o que garantiria a salvação do homem.

Respeito as religiões. Da evangélica, mesmo não entendendo o Bispo Macedo que, dizem, destina quarenta por cento do dízimo arrecadado à TV Record – a qualquer manifestação. Porém, levantam-se dois lados dentro da política brasileira. Deus versus diabo?
Aguardemos.

O Antianticristo quem lerá?

Posted in Luz e escuridão with tags , on Setembro 11, 2009 by Daisy

adao-e-eva

Nódulos enfurecidos, entranhados entre os neurônios dos pesquisadores e dos filósofos sem fundamentos, que não explicam por que ainda se fala em Freud e parnasianos poemas que fazem nosso dia-a-dia.

Por quê?! Eu nem queria isto pra mim, essa miséria física, limitações materiais, enquanto o céu vai longe e alto e estúpidos somos nós aqui, e nem queríamos nascer assim. Sabemos porque sabemos e nada fazemos, já que o mais importante é levantar o glúteo do sofá e constatar que a geladeira tá cheia.

Repleta de coisas para comer. Obesos são seus dias, entristecidos no cair da tarde apocalíptica, que por Adão e Eva, danou-se o mundo inteiro.

Mas você ainda se acha, porque tem grana e carro e é jovem e não percebe que está tão morto quanto eu, à beira do abismo da finitude, porque tudo acaba, sabias? Ó, medo da chuva, do tempo, do relógio que há de despertar um dia!

Teus cabelos estarão brancos, e na memória, pouco mais de umas tantas lembranças, tolas lembranças de nada.
Eu nem queria ser assim, tão mortal, tão pouco. Nada mais faria sentido, não fosse Deus falar com a gente no metrô e nas esquinas da cracolândia. Deus não usa droga e eu nem sei por onde começar falar com ele sobre vocês, meninos.

Pensamentos invisíveis, que usam jeans e ainda compram cigarros e maçãs. Eu nem saberia por onde começar. Ler O Anticristo foi muito fácil e chique na época, como elegante foi ler Oscar Wilde - a vida é muito importante para ser levada a sério – , todavia, o livro Antianticristo poucos lerão.

Imensas asas, provocando vendaval quando as células se agitam diante do Rei, enquanto rói o rato do tempo, a mocidade dos teus dias, embora seja velho o velho Rei, o mundo ainda se agita nas espátulas do liqüidificador…

Mexem no meu bolso, bolinando crianças, como és medonho! Olho de tigre, voz de leão, ruges ao léu, pois longe está para ti, o céu. O mundo vai acabar?! Pois para ti ele já não há. E aquelas asas ao vento levam embora minha esperança.
Eu vou morrer.

Servir

Posted in Luz e escuridão on Abril 13, 2009 by Daisy

servir

Inspirada no post do amigo Jhônatas, resolvo fazer umas considerações a respeito da nossa convivência. Com tantas filosofias e tantos pensamentos pela rede, vejo, através de blogs dos mais variados segmentos, que ainda nos encontramos desencontrados. A impressão que tenho é que não sabemos bem fazer uso da nossa inteligência.
Dostoievski declarou que a maior felicidade é quando a pessoa sabe porque é infeliz. Por outro lado Agostinho deflagra a ignorância mais refinada é a ignorância da própria ignorância.
Ora, claro está que somos andarilhos perdidos em nós mesmos. Não quero levantar bandeiras, entretanto, é notável a decadência filosófica da humanidade. Tantas voltas para descobrir que o mundo é redondo. Uau.
O ateísmo, por exemplo, permeia pela blogosfera. Todavia, numa análise mais profunda, sem querer dar uma de antropóloga ou metida a besta, é fácil entender esta sensação de auto-suficiência com as novas ferramentas das novas linguagens com seus hipertextos e afins. Se o sujeito pode comandar, sentado em seu quarto, o seu blog, navegar mundo afora, tendo acesso a todo tipo de informação e imagens, ele se pensa uma espécie de deus. Até porque está onipresente, onisciente na net, e a salvo de qualquer violência. É seu quarto, afinal.
Mas esta sensação é momentânea, como tudo no ser humano. Já andamos por aí sem roupa e sem internet. Neste caso, levando em conta a infinitude das coisas, podemos muito bem esperar por boas novas. E elas sempre vêm.
Não é discurso religioso, nem filosofia infundada, dessas que não chegam a uma conclusão – coisa chata até. Apenas fui inspirada, talvez até por alguém mais esperto e inteligente que eu. Possivelmente, a mesma pessoa que criou os mares, os céus, não?
Bem, a idéia do texto é analisar a falsa auto-suficiência nossa de cada dia. Tem uma mensagem que diz que devemos nos servir uns aos outros. Assim, escrevendo textos sérios que levem à reflexão pacífica entre as pessoas na rede, acho que praticamos, mesmo sem querer, a vontade da sabedoria.
Oxalá.

Escrever é tardio pensamento

Posted in Luz e escuridão on Dezembro 7, 2008 by Daisy

planetas1

“Há homens que se agarram a sua opinião, não por ser verdadeira, mas simplesmente por ser sua.” (Agostinho)

Pensar antes, sofrer antes da existência. No silêncio a vida há, antes de ser. Escrever é tardio pensamento, porque muito antes do céu e da terra, a vida era, o poeta era, e heras eram.

Escrever contos, poemas, digressões, qualquer coisa existiu antes das palavras. Qualquer sentimento, soluços de dor e de alegria. Gozo e tormentas, tudo, tudo houve antes de haver em folhas de papel e telas de computador.

 Escrever vem depois do sofrer, das ilusões, se sábio ou não, não importa - escrever vem depois e antes do fim. O pensamento já era, antes de estar entre os dedos de quem escreve. É adormecido escrever, as palavras se agrupam em volta das dores e sensações tantas quantas sentir o poeta, o escritor que já existia, antes de nascer ele era.

Escrever é ato tardio porque nem havia palavras e dinossauros temeram o homem. Este homem pensava e amava, e nas cavernas desenhou seu destino insólito. E ele já era, antes mesmo de congelar. Escrever é assim, não há palavras e nem som, só nuvem como o ar, atmosfera entre galáxias, um éter eterno que vira depois, a poesia.

Escrever é tardio pensamento, não há dores nem sofrimento, apenas uma onda elétrica percorrendo o corpo, seduzindo a alma, enquanto nada em volta há. Mas já havia a fúria de pensar. E pensar já era antes de escrever. Escrever é tardio…

É estar na cadeira flutuando nas nuvens. Ora negra, ora invisível, sem inspiração. Nada disso importa. Escrever é tarde quando pensar já era, antes de ser. Pensar é não escrever. Pensar é sofrer e gozar. Da noite ou do dia. Sol ou chuva. No chão ou no céu. Não importa mais.

Escrever é tardio e às vezes falho, se não há pensamentos sem nunca ter sido. Eternidade das letras não há. Só o pensamento é, desde que já tenha sido. Um dia.

A Flor Ucraniana

Posted in Luz e escuridão with tags on Julho 5, 2008 by Daisy

 

 CLARICE LISPECTOR

Gosto dos venenos mais lentos, das bebidas mais amargas, das drogas mais poderosas, das idéias mais insanas, dos pensamentos mais complexos, dos sentimentos mais fortes… tenho um apetite voraz e os delírios mais loucos.
Você pode até me empurrar de um penhasco que eu vou dizer:
- E daí? Eu adoro voar!
Não me dêem fórmulas certas, porque eu não espero acertar sempre. Não me mostrem o que esperam de mim, por que vou seguir meu coração. Não me façam ser quem não sou. Não me convidem a ser igual, porque sinceramente sou diferente. Não sei amar pela metade. Não sei viver de mentira. Não sei voar de pés no chão. Sou sempre eu mesma, mas com certeza não serei a mesma pra sempre. [Clarice Lispector]

~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~

Não temam suas idéias, sem elas você não seria mais que uma coisa.

Bom final de semana! :)

SARTRE – A eterna Existência

Posted in Luz e escuridão with tags , on Junho 26, 2008 by Daisy

 

Jean Saudek’s photo

 EXISTENCIALISMO

“Que significará aqui o dizer-se que a existência precede a essência? Significa que o homem primeiramente existe, se descobre, surge no mundo; e que só depois se define. O homem, tal como o concebe o existencialista, se não é definível, é porque primeiramente não é nada. Só depois será alguma coisa e tal como a si próprio se fizer. Assim, não há natureza humana, visto que não há Deus para a conceber…” Jean-Paul Sartre

 O QUE DIRIA SARTRE HOJE, NESTE MOMENTO TECNOLÓGICO? O EXISTENCIALISMO MANTERIA A INDEPENDÊNCIA DO HOMEM, AINDA NEGANDO A DEUS?

AS IGREJAS ESTÃO MASSACRANDO HOMOSSEXUAIS E MULHERES QUANDO INTERFEREM NA ESCOLHA ÍNTIMA COMO NA QUESTÃO DO ABORTO. ONDE SE PRESERVA A ESSÊNCIA DAS MINORIAS ?

    

AS IGREJAS AINDA MANIPULAM EM NOME DE DEUS. EXISTENCIALISMO É ISSO. PERCEBER QUE QUANDO SARTRE FALOU, ESCREVEU E VIVEU NA INDEPENDÊNCIA DE SI PRÓPRIO, ERA PORQUE NÃO ACEITAVA QUE A ESSÊNCIA DO HOMEM PUDESSE SER SUBJUGADA.

  ”… Mas se verdadeiramente a existência precede a essência, o homem é responsável por aquilo que é. Assim, o primeiro esforço do existencialismo é o de pôr todo homem no domínio do que ele é e de lhe atribuir a total responsablidade da sua existência. E, quando dizemos que o homem é responsável por si próprio, não queremos dizer que o homem é responsável pela sua restrita individualidade, mas que é responsável por todos os homens.”
Jean-Paul Sartre

Espíritos

Posted in Luz e escuridão, Uncategorized on Maio 30, 2008 by Daisy

Imagina tua alma transcendente

 A voar pelas estradas…

Ok, pense então que teus sentimentos

 São como a velocidade e

Que as estradas o fazem derrapar;

As estradas são as vezes

Que alguém te esmurrou

Mas desviando percebes que o tempo passa

Os carros mudam de aerodinâmica e cor,

Porém teu espírito, este é uma criança

Querendo colorir a vida, pois

Entre uma derrapada e outra

O abismo é apenas uma gangorra

No playground da eterna infância.

Hermann Hesse – Vivências

Posted in Luz e escuridão on Maio 20, 2008 by Daisy

 

Hesse picture

[ Não existe nada tão mau, selvagem e cruel, na natureza, quanto os homens normais. ]

Saudades…

Eu sinto, não raro, muita saudade de livros que doei quando engajei-me em projetos filantrópicos. Muitas vezes foi piração mesmo: arrumava pilhas e pilhas, punha na calçada e ficava observando os livros desaparecerem nas mãos dos transeuntes.

 Grande parte de meu acervo encontra-se na casa de uma amiga que mora no final da rua, a Francisca, uma amante dos encadernados. Ela chega ao ponto de doá-los só para garimpar mais.

 Mas tem vezes, como hoje, que eu fico lembrando de minha coleção do Círculo do livro que se foi. Das minhas enciclopédias e de alguns filósofos que pedi para conversarem com outras pessoas.

Aí, vendo-me abraçada a um Hermann Hesse - Vivências – tradução de Lya Luft , chorei, gente. Pensei, pegando o  mal conservado livro em minhas mãos: “Faz-me companhia hoje, querido, pois sinto muita falta de seus companheiros que se foram.”

Vivências é uma antologia de contos que o genial pensador escreveu, inspirado em suas próprias experiências, desde os tempos de menino até as amarguras que passou na fase adulta.

Quem sabe um dia eu o presenteie a um de vocês, né amigos?

Trecho do conto Experiência de menino:

[ ... Mas ele era quatro ou cinco anos mais moço que eu, e mesmo se fosse um gênio, minha honra de colegial proibia-me de relacionar-me com um menino tão pequeno. Ainda assim, eu o amava... ]

Bem, emocionada e saudosa escolhi uma das minhas frases preferidas de  Hermann Hesse. Isso é que é consolo. Risos.

[ Ler um livro é para o bom leitor conhecer a pessoa e o modo de pensar de alguém que lhe é estranho. É procurar compreendê-lo e, sempre que possível, fazer dele um amigo. ]

Hermann Hesse – 02/07/1877 – 09/08/1962 – Escritor, pensador, pintor da existência humana.

 

Lao Tse – poema 69

Posted in Luz e escuridão on Maio 7, 2008 by Daisy

Estrategistas militares já disseram:
não ouso ser o hospedeiro,
prefiro ser o hóspede.
Não ouso avançar uma polegada,
prefiro recuar um pé.

Isso significa
marchar para a frente quando não há estradas,
arregaçar as mangas quando não há armas,
varrer o adversário mesmo sem haver adversário,
usar as armas onde elas não existem.

Não há perigo maior do que menosprezar o inimigo.
Assim, arrisca-se o tesouro.
Quando dois exércitos iguais se encontram,
o mais aflito com a guerra alcança a vitória. (Tao te King)

LAO significa menino, criança. TSE, velho.
Lao Tse traz em seu próprio nome toda a essência do pensamento taoísta. Um homem que adquiriu a sabedoria através da experiência, mas soube transmití-la com a vivacidade e a espontaneidade de uma criança.

E agora?

Posted in Luz e escuridão on Maio 5, 2008 by Daisy


Difícil acordar com tristeza de um dia errado, como se a vida realmente não tivesse mais nada a oferecer, uma espécie de neutralização frente a todas as nossas lutas que perdemos assim, sem poder bélico, sem exército, amor nenhum.

Ser este ser humano dói, já que experimento prazeres e nenhum satisfaz a fome do poeta, nada diminui a agonia e a claustrofobia de estar neste mundo e não ser.

Como um vírus eu saio invadindo minhas entranhas em busca de novas sensações e agrido todos os meus sentimentos com piedade nenhuma.

Como descarga elétrica eu observo o fracasso dos amores que eu mesma inventei para escrever poemas sangrentos e felinos que após serem escritos, dilaceram-me por dentro e eu então sinto remorsos e medos dos monstros que eu crio para ser feliz. E não sou.

Suicidas são covardes mas opcionais. Rir é melhor que chorar quando não rimos de nós mesmos. Como eu agora nesta manhã carioca, sem sol nem amor.
Fazer o quê?…