
É guerra! A televisão brasileira, finalmente se depara com um grande desafio: dominar o lobo mau – o Ibope.
Há décadas, intelectuais e radicais da comunicação vêm analisando e expurgando programas televisivos, analisando quão destruidores de caráter eles podem ser.
Nesta briga de cachorros grandes, o povo, o telespectador é quem sofre. Eventualmente com boas grades para maquiagem da diabólica intenção por trás das câmeras, a seguir com a descarada exposição, quando as redes exibem o que há de pior no audiovisual.
Sílvio Santos ainda vem aí, pois agora que investe pesado em teledramaturgia – elegeu a própria esposa como assistente e colaboradora da Janete Clair, ou seu fantasma – resolve entrar na briga, já que novelas são a forma mais viciante de prender o telespectador diante da telinha.
A Rede Bandeirantes, pobre Band. Arrasta-se, sem eira nem beira. Nem merece nosssos comentários. Quando eu estudava Roteiro de TV na faculdade Estácio de Sá, o diretor do curso era também o diretor de dramaturgia de lá. Não deu em nada. TV fraca, tanto que o diretor hoje, se não me engano, está na Record. A Record!
Finalmente se levantam dois grandes templos para guerrear no ar. Globo versus Record.
Difícil é saber o que, além de grana no bolso, esses caras pretendem com esta super exposição de troca de farpas. Bobagem. Ibope!
Um merchandising no horário nobre (novelas) vale milhões! Um minuto vale milhões! Quem não quer liderar o Ibope?
A Globo se mantém fiel à sua sordidez, à sua hipocrisia, insistindo num telejornalismo tendencioso, e em programas inconsistentes de entretenimento. Sem falar da teledramaturgia que vai de mal a pior, graças a Deus. Quem mandou não confiar em 60 roteiristas pós modernos, qualificados, e os primeiros acadêmicos da Améria do Sul? (rsrs).
Quanto à Record, ainda é cópia da Globo, com apenas alguns cuidados éticos, afinal, o manda chuva de lá é o mundialmente conhecido Bispo Macedo. E aí? Para mim dá no mesmo, pois ambas, tanto a Globo quanto a Record precisam se repaginar, olhar as mudanças no homem pós moderno e investir em novas grades. Também a Record não quis saber de nós, acreditem, roteiristas preparados para mudar a visão da televisão brasileira.
Não é um artigo baseado em ressentimentos ou de cunho vingativo. Apenas dói ver a nossa televisão sendo maltratada por tanto tempo. Culpada de inversão de valores educativos, perversão, indução a um sem número de comportamento sociopata advindo das más influências, principalmente na teledramaturgia (novelas e afins) que é a minha especialidade.
Não precisamos deles para nossa sobrevivência. Muitos de nós até são ricos empresários, com sua vida estabilizada. Não dependemos deles para comer ou pensar. Entretanto, é repugnante constatar, em pleno século XXl esta aberração que é a televisão. A brasileira, em minha opinião, poderia ter um mal súbito e desaparecer. É claro que isso é uma força de expressão, pois se perdem eles a concessão, significa que estamos ferrados na mão de um governo ditador. Oh, God!
Bom mesmo é fazer cinema. Hum! Melhor nem entrar nesta área. O post ficaria muito longo. Ninguém leria.
Brasil é isso. TV é isso. Lobos famintos por nossa carne, quer dizer, nossa audiência.
C’est La Vie no país da Amazônia.
Para o escritor de livros e roteirista de TV e cinema Kito Mello

