
Certas coisas andam sozinhas, principalmente quando desistimos de procurar sentido em tudo. Sem sentido, fica-se olhando navios, e vários deles são mesmo piratas, você pode ser roubado. Mas eu não preciso de explicações, não há regras para um mundo onde insistimos no amor. Já era para a humanidade saber que o amor é mais que um sentimento: deveria ser um estado inteligente de organização social. Parece triste, mas há necessidade de pensar a respeito desse nobre e ordinário sentir.
Amores acabam quando vêm problemas; sejam financeiros, ideológicos, religiosos, ou mesmo quando simplesmente a gente enjoa da cara do parceiro. Que grosseria. Mas enfim… gente é assim mesmo. Só é bom o amor quando tudo está perfeito, cada coisa no seu lugar, cada membro perfeitamente encaixado na hora de dormir. Bons sonhos, sonos perfeitos. Até…
O tão glorificado amor acordar antes de nós e partir. Assim, sem maiores explicações. Lá se vai o mito mentiroso, o culpado de tudo. Haja saco para guardar as lembranças, os bons momentos. Fernando Pessoa já o achava ridículo. Não digo novidade. O novo mesmo é saber-nos comédia porque invariavelmente, ainda que conhecendo as artimanhas desse sentimento, lá vamos nós, de novo dramatizar a vida, e tentar nos desvencilhar da solidão. Esta sim, fidedigna parceira, necessária ao ser humano. Pois somente sozinhos achamos soluções para nossas eternas indagações.
Não obstante, andar a sós prejudica na hora do sexo, este que praticado por apenas um, faz tudo parecer cruel. Podemos viver sem esta sensação, o sexo. Entretanto, soa pouco natural, já que ele existe deve ser praticado. Mas sem amor (!) não tem graça. Vejam ai, sempre o amor. Rendo-me, ô coisa!, eu preciso amar, sou estúpida. Preciso de amor como a flor precisa do sol, e o detento da liberdade. Dependo dele como fosse a droga de minha vida. Sou ridícula assumida, Fernandinho.
Acordei dando bom dia Vietnã. O pão estava ruim, o suco aguado, o Guaravita sem gosto e sem açúcar. Andei até a janela e dei de cara com um céu carioca nublado. Troquei de roupa e fui andar pelas ruas, pela praia, por mim e pelo mundo. Olhei o jornal de sempre e pensei nas criancinhas, os simpáticos pequeninos da mídia sem misericórdia. Crimes e castigos, juízes sem padrão ainda de roupão escolhem suas propinas propícias.






