DAS RELAÇÕES AFETVAS E SUAS TANTAS NUANCES ERÓTICAS

Sabemos que a natureza humana é dotada de certos privilégios, inclusive o de ter a consciência mais desenvolvida em relação aos demais animais. Não obstante, em muitos aspectos somos unos quando, por exemplo, se trata de sobrevivência.

Deixando introduções de lado, irei direto ao ponto. Sexo.

O sexo é uma dádiva para as espécies. Muito além de representar a continuidade da vida, ele traz consigo o cio. O desejo. A pré-concepção que vem dotada das mais variadas formas dos animais se atraírem e acasalarem. Uns dançam, outros cantam, assoviam, e se exibem de inúmeras formas.

Voltando ao ponto da espécie humana. O sexo é uma festa dionisíaca entre nós. Uma celebração tórrida acompanhada de vários apetrechos, tais como bebidas, roupas, perfumes, e tantas mais parafernálias de sedução. A festa do casamento e a espera dos filhos, no caso do casamento heterossexual, têm sido a principal forma de legitimar o sexo.

Não fosse a ética e a moral, possivelmente o homem experimentaria inenarráveis formas de sentir prazer. Por algum motivo – que vai além do apelo religioso – nos organizamos, envoltos em regras e pilares morais de acasalamento.

Antropologicamente colocando a questão, observamos certas exceções no que tange a leis de comportamento. Há tribos em longíquos lugares que pensam o sexo de forma muito distinta de nós, entretanto, são suas regras advindas de sua cultura, portanto a moral analisada pela ética vai bem além do nosso suposto monopólio orgástico.

O que o homem não conseguiu, contudo, foi reprimir certas formas de amar, tais como as relações homoafetivas, que aliás são a principal característica desse início de pós-modernidade. O queer é o desejo manifestado do amor entre pessoas do mesmo sexo, mas de gêneros variados; é a total quebra das tradições. Uma realidade que não poderá ser negada e nem intimidada com poderes das políticas e nem da Igreja.

Queer Culture

Entrementes, ainda é possível manter as coisas sob um certo controle administrativo. Não que isso vá inibir os amantes queers, mas eles precisarão aceitar alguns preceitos de moralidade, contribuindo, assim, para um consenso social legítimo e estável. E, da mesma forma, os heterossexuais terão a mesma responsabilidade, já que muitas vezes cometem torpezas inigualáveis.

Não fossem as organizações humanas como um todo, não seria de admirar que o homem chegasse ao ponto de se reinventar no amor, admitindo e praticando todo tipo de prazer, inclusive com espécies diferentes da sua, o que, em escala diminuta, já acontece de fato.

Concluo que a única explicação para que o homem necessite de freios a fim de  se relacionar afetiva e sexualmente, seja o fator biológico e genético que o retira do ordinário cenário da natureza e o eleva a um patamar melindroso, o que demoniza o entendimento sexual entre nós.

Porque o único ser que se utiliza de todos os seus cinco sentidos ao praticar o sexo, somos nós. Esta sensação única nos ensoberbece, e é quando confundimos tal dádiva com liberdade desenfreada de nossas ações. Os cinco sentidos trabalhando no ato sexual, faz do homem o maior beneficiário do amor. Mas também o mais confuso e irresponsável herdeiro de tão estonteante prazer.

 

 

 

 

 

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FINITUDE

O mais importante na vida é termos consciência de que nada merece nossa atenção em escala de cem porcento. Por mais que haja motivos e objetos necessitando de atenção, carinho e zelo, digo que não possuimos tempo para tantas tarefas; e desta forma tudo se torna sem importância. Hedonistas ou místicos; materialistas ou religiosos, todos estamos sem tempo. Por mais que queiram desdobrar-se em mil tarefas no intuito de vencer as barreiras dos anos, claro está que alguns destes afazeres deixarão a desejar, portanto não insistamos.

Agir como Nietzsche e desligar os relógios e a rotação da terra, é demais para mortais, este foi encargo pessoal do filósofo que assim vislumbrou o mundo, e com sucesso, tendo em vista que dedicou-se apenas a pensar.

Lembremo-nos do tempo que é finito e implacável. Volto a insistir – larguemos as incumbências secundárias e terciárias para apenas haver dedicação àquilo que mais nos dá prazer, e seja o que for, façamos apenas o que amamos, porque dentro em pouco a Morte se ocupará de nós, e este é seu único e irrevogável prazer.

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FÊNIX APOPLÉTICA A FACE VIRIL

Gustus sempiterno igne!

Quase tudo me causa espanto. A vida é um espasmo apenas. Sou ave apoplética, irada com a condição humana. Apoplética porque me encontro muitas vezes em estado de solidão e paralisia cerebral. Quando morro estou cansado; quando ressuscito, volto mais forte e ávido por aterrissar sobre a angústia latente do homem.

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DOR

Não fosse o milagre de acordar todos os dias renovadas, muitas pessoas cometeriam o suicídio. A renovação em questão alivia a dor passada, contudo, não garante novas manhãs belas e perfeitas; apenas que algo inusitado pode acontecer; e esta expectativa basta para que  suportem todo tipo  de sofrimento imposto pela própria negação de um administrador. Pelo constrangedor comportamento que assumem, tais pessoas aprendem, ao longo de suas vidas, que a independência as legitima enquanto ser pensante. O preço pago por sua decisão é aceitável, já que não cogitam a morte. A questão são clichês do tipo ser feliz para sempre, do seu jeito. A única falha em tal estilo de vida, é não perceberem que a morte pode ter vários significados, já que tanto elas quanto quaisquer outros têm o direito de olhar a vida sem, contudo, driblar como num ginásio de patéticos iniciantes, a mais cruel e definitiva realidade da gente: a morte as deixam estúpidas e vulneráveis diante de toda sua teoria estilosa de vida, quando se tornam adubo, e apenas isso é real – a continuidade dos ciclos e das manhãs ensolaradas, mas só que sem a presença delas.

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O VOO SENSUAL

A sensualidade é a percepção de todos os sentidos em alerta maior, para que a consciência, previamente preparada, deixe-nos alcançar sensações tais como voos de animais sagazes e ávidos por se alimentar de todas as formas. Acasalando-se e recriando-se em doces ciclos naturais, sim, é a natureza nos prevenindo da importância dos sentidos, porém parece que em nós – amargos humanos – os sentidos não nos são preciosos, uma vez que importamos do mundo exterior, amores e desejos pré-ajustados para uma maquiagem sinistramente desprovida de originalidade, e tão comum a ponto de um simples voo de uma ave qualquer nos envergonhar por nossas podadas asas humanas.

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A Dualidade Do Coração Humano

Todo coração carrega duas faces sentimentais. De nada adianta querermos fugir da verdade. Todos somos cruéis e bondosos, embora possamos notar a obsessiva predileção em fazermos mal aos outros, o que invariavelmente transforma-nos em monstros predadores dos outros seres viventes e o pior e mais assustador é que somos nossos próprios algozes e nos devoramos em rituais de humanismos medonhos e indizíveis.

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PAZ E HORROR

Agrego nas entranhas todo um desejo místico, com simples e ingênuo sonho que não pode ser realidade. Desta forma, encontramos – através de muitos caminhos – portas, saídas de escape para sanar a dor da verdade cruel e mítica. Nada é tão hediondo que não possamos deixar mais complexo do que nossa própria experiência possa sentir. Nos calabouços de toda condição humana, prescrevem-se leis de todo o universo. A nós nos resta tão-somente a dor real da passagem de toda gente pela terra viva. Depois, apenas a morte a nos trazer prazer e alívio momentâneo quando ainda não é nosso cadáver nas catapultas da alma carrasca que domina e sempre dominará as espécies do mundo conhecido.

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ENCANTO

A BORBOLETA É O PÁSSARO DOS INSETOS (Day)

borboletasss

Não tenho nome de pássaro e texto de erva
e do fundo de mim eu falo
ouvirei essa voz
pesquiso, encontro palavras: e vêm,
palavras vindo mais que o entendimento,
palavras e nenhuma é.
Gunnar Björling
Leia mais sobre o escritor aqui.
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Black Beijo

 

Não haverá beijo em tão longa distância. Minha África é cerebral, meus medos são todas as bombas estourando no mesmo instante. Não, não poderei beijá-lo jamais. Para mim sempre foi pedreira, escarradeira, todos os meus amores desaparecem como a chama virtual de vitrines em prostíbulos. Minha alma não tem jeito. Por isso não haverá beijo.

 

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Tu & Eu Destino

bgb

Lancei o desafio na cara do destino.

Desde o início desconfiei que ele me odiava.

Olhei suas narinas através do espelho.

Os olhos eram negros flamejantes;

A boca retorcia um sorriso, mas eu não me detive em ilusões.

Nos enfrentamos desde então.

Onde vou, lá está ele, a me cativar com feitiços e betume

Em quadros que me dei conta que foram pintados com meu sangue,

Em cada ano, em todas as esquinas.

Suspiro toda vez que o eucalipto de minha terra cheira tão forte que desmaio.

Quando recobro os sentidos, morro de novo.

E de novo.

E de novo.

Ansiosa, imagino a morte.

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