O CRÂNIO DE MITCHELL HEDGES

https://pt.wikipedia.org/wiki/Cr%C3%A2nio_de_cristal

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ENDIREITANDO

brasil-franca

O Brasil se afasta da Venezuela, Trump vence as eleições, Fidel Castro finalmente morre, levando com ele a força cubana de resistência comunista. Cuba se aproxima dos EUA, Bolsonaro parece um caso raro de pré-eleição; franceses conservadores escolhem previamente seus candidatos, outra surpresa, caso inédito. Acredito que Europa reage à Sharia – lei islâmica contrária à Democracia. Ao que tudo indica, a Esquerda inicia sua caminhada em direção ao abismo ideológico. Que bons ventos nos soprem, definitivamente, nem Direita extrema, nem Esquerda dúbia, apenas Endireitando.

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NEUROSE

 

blog

“Mulher Sentada e Janela Gótica” __ Eduardo Machado

Espanto a vida é uma ruela que prende teu corpo minha vida estranha se jogará da janela, tantas nuances e a política apunhala entre as pernas o povo está nu, vilipêndio estupendas lágrimas mendigando fortunas no nome de Deus enquanto anjos tocam trombetas mendigos coçam bocetas e enquanto isso cachorros se alimentam de vômitos. Ruas desertas Moro o capeta e santo duas faces depende quanto pagará minha vida se despede e olha uma última vez para a antiga vitrola e Jmi Hendrix sorri, Lúcifer mija no fogo ardente das gurias do baixo cracolândia, beiços queimados futuros arruinados e dança a dançarina no Municipal. Cabral preso Brasil descobriu Cabral puta que o pariu tudo foi em vão a criação Eva e Adão, agora é suportar quando no pó descansarei, um dia serei estrela, desabou a  porra da janela virei cadáver.

Day

 

 

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LITERATURA _ ENIGMA DA VIDA

 

zemial

ESCRITOR MARCELLO SCHWEITZER

ENIGMA DA VIDA _ RESENHA

O escritor Marcelo Schweitzer, traz mais uma intrigante história de Morserus. Os que acompanham a odisseia, conhecem a gama de personagens desse fictício mundo, onde não existe o homem, mas apenas animais antropomórficos, isto é, animais com características do homem; com o diferencial de que neste mundo, tanto os sentimentos, as crenças e conceito de bem e mal, certo e errado, estão além da cognição humana.

Neste conto, Enigma da Vida, o autor apresenta, mais uma vez, Zemial, o Gato albino, que desde a infância e adolescência, vem lutando pela paz interior, mergulhado em questões vitais, como amor, a ausência dele, solidão e depressão. O personagem passou a vida tentando descobrir por que jamais fora amado pelo pai que o abandonou, e por sua mãe que também o rejeitou, entregando-o a um orfanato, onde Zemial viveu momentos tenebrosos e assustadores, como a tentativa de sua mãe em matá-lo.

O Gato albino, está agora com quarenta e um anos, e se esconde em uma cabana no meio do nada, cercado por vegetação e fantasmagórica solidão. Guardou, por quinze anos, o frasco de veneno, e decide que chegou a hora de se despedir de uma vida sem sentido e sem respostas às suas questões existenciais.

Juntamente com o amadurecimento do personagem, vemos que suas decisões também ficaram mais firmes. Era a hora de morrer, envolto no suicídio dos que nada mais esperam de sua existência.

Entretanto, o Gato cresceu, também, espiritualmente. Suas indagações são mais globais, ele aprendeu ciência, e deixou de ser ateu. Sim, ele consegue ver o mundo de uma forma mais altruísta. Entende que sua dor é a dor de todos, e que o amor não pode vir morar em um coração negro de ódio e ressentimentos.

O conto faz referências jungianas, usando a metáfora dos exspes, insetos-deuses que se alojam nas mentes dos habitantes deste mundo sombrio, mas que na verdade é ele mesmo lidando com seus deuses e demônios, isto é, confrontando a própria consciência.

Em sua filosofia aprimorada pelos anos, Zemial descobre que “ideias que sobrevivem séculos são ideias imortais, que nascem de dentro de cada um, demonstrando que existe um elo entre todos, esse elo revela que todos formam o um.” Com esse pensamento panteísta, o Gato se encontra, de novo, em posição de questionar a vida, por uma última vez, antes de morrer. Menos cético, contudo, com as mesmas dilacerações na alma.

Apesar de alegar não querer ser “um cego que finge ser feliz”, Zemial, involuntariamente, se vê cercado de acontecimentos que irão mudar o rumo de sua sofrida e solitária existência.

Acredito que neste episódio, o personagem surpreende, ao se conectar ao mundo todo, dos insetos aos astros do céu de Morserus. Mais um conto eletrizante, carregado se suspense, com um desfecho que deixará o leitor em transe, pois Zemial, desde criança, demonstrou ser muito mais que um garotinho assustado. Explode, então, a força contida que nem ele mesmo sabia possuir.

Como disse Carl Jung, quem olha para fora sonha, quem olha para dentro acorda.

Congratulações, Marcelo Schweitzer, por mais um excelente conto de Morserus.

By Day

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A DANÇA DOS ORKSHAS

ESCRITOR  MARCELLO SCHWEITZER

essadança

O mundo de Morserus traz mais um livro de sua odisseia filosófica. Mais um conto sobrenatural, e mais um personagem que o autor apresenta –  Malfaer, um rapaz, um Rato que anseia mudar sua vida e a de sua família. Busca a liberdade para ver o céu amarelo e laranja de Morserus. Mesmo sabendo-se fraco e ocioso, ele anuncia à família que é o escolhido para a salvação da pobreza, e que sairão das favelas subterrâneas para a superfície, onde poderão viver com dignidade. As lágrimas de felicidade de sua mãe justificavam sua fantasiosa estória de herói.

Então começam seus conflitos, pois entra em um labirinto de mentiras, mentiras que, para ele, se tornam a única forma de trazer alívio para sua família.

O conto é ambientado em favelas subterrâneas povoada por ratos, onde imperam, além da pobreza, a dor de jamais se vislumbrar a superfície. E é na superfície onde, a cada ano, acontece uma batalha de vida e morte.

Os  animais têm uma espécie de oráculo, conhecido como Rodamorta. A partir da visita do Rato a esse oráculo, seu drama começa de forma intensa e dolorosamente conflitante. Malfaer precisa ir em frente com suas mentiras, e resolve se inscrever nessa tradicional disputa, onde acontece a Dança dos Orkshas, entidades que se dividem entre as de luz e as das trevas, entretanto, por alguma razão, as das trevas prevalecem.

Na verdade, é uma corrida pela sobrevivência, onde apenas um concorrente pode sair vencedor. Dentre os cem competidores, está Malfaer, o  fraco, covarde, obrigado a crer em seu Orksha, que representa o Medo. Contudo, o improvável herói aceita o desafio de sua própria mentira, se apresentando como voluntário para o evento de carnificina, onde apenas os ricos se divertem de forma sádica, brindando com o sangue dos concorrentes que, misturado a algum estranho elemento, permite que entrem nas mentes de seus concorrentes, compartilhando tudo que os participantes vivem nessa cruel corrida para a morte.

Como sempre, Marcello Schweitzer se posiciona como um escritor que não se envolve emocionalmente com seus personagens, e mesmo o narrador parece ficar indiferente diante de tanto sofrimento e medo. Exceto pela pérola “A ignorância do Mal não nos protege do Mal” citada no conto, os personagens estão entregues à sua solidão. À sua própria sorte.

Uma estória que remete à Caverna de Platão (as favelas são como pequenas cavernas), e faz com que o leitor transite pela história da própria humanidade, desde a Grécia Antiga, com suas arenas sangrentas, aos tempos atuais, onde a solidão abraça os menos favorecidos, e onde os miseráveis só servem para a reflexão de alívio dos ricos e bem sucedidos.

O Rato Malfaer traz uma grande lição de vida para nós, humanos. Lição essa que surpreende, não tanto pelas ações, mas pelas reflexões que o personagem consegue ter, em meio ao corredor da morte. Lidando com vertiginosa corrida pela sobrevivência, algo muda seu interior e surpreende o leitor.

O escritor é, indubitavelmente, um artista pós-moderno; ainda que mergulhando na filosofia grega, traz grandes estórias reflexivas do caos em que vivemos nesse século XXI. Lançando mão do estilo socrático-platônico, cria grandes e profundos diálogos entre seus personagens. O leitor fica diante de várias opções para lidar com sua própria vida.

Conheça esse mundo de estórias assustadoramente humanas, ainda que povoado por animais construídos por excitante morfologia.

A Dança dos Orkshas é uma obra prima, em minha opinião.

Leia no blog do autor e baixe o ebook

By Day

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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O MERCADOR DE SONHOS – Marcello Schweitzer

mercador

MAIS UMA HISTÓRIA DE MORSERUS

Este novo conto do escritor Marcello Schweitzer, traz uma perspectiva a respeito de nossas mazelas hediondas, aquelas que estão alojadas nas profundezas da alma. Entendamos por alma, a consciência latente que nos guia ou nos faz perdermos-nos nas tantas celeumas dramáticas que envolvem a vivência humana.

Hora de parar de associar MORSERUS ao ser humano. Para quem – ainda! – não conhece os contos desse promissor escritor, não são assim simplesmente contos. Há toda uma construção com ambientações, personagens incríveis, e um túnel obscuro que nos leva a um mundo onde não há seres humanos. Entretanto, os personagens, animais tais como Porcos, Coelhos, Ratos, Gorilas, Leões, Gatos e Cães são, incontestavelmente, espíritos dotados de inteligência suprema, o que faz deste mundo quase lendário um lugar que o leitor entra e não deseja mais sair até que o drama esteja resolvido. Esta é um técnica que gosto muito, a de fazer o leitor participar da história sem nenhum chamado aparente.

Não há mistério em entender por que os contos de MORSERUS nos prendem do começo ao fim, e que quase nem respiramos durante a excitante leitura. Trata-se de uma busca incessante por respostas que o homem, aparentemente, desistiu de encontrar, por isso o escritor nos chama de volta às reflexões, das mais simples às mais complexas.

Em O MERCADOR DE SONHOS, Schweitzer nos apresenta Ollie, um jovem porco, angustiado e sonhador que, como qualquer adolescente, cria fantasias, odeia sua vida, e imagina outas possibilidades diferentes da sua, debulhando-se em lágrimas por um amor impossível.

Ollie é solitário, o pai o deixou para formar outra família; na escola sofre bullyng, e é constantemente ofendido pela mãe. Sua esperança é reencontrar o tal amor, pois não se esquece daquele primeiro beijo.

O conto é mais uma obra deste peculiar autor que vive no limiar da humanidade, e filosofa a vida de forma inebriante, a partir deste mundo novo – da morada das angústias, dos questionamentos, das transições morais, das escolhas, e do discernimento entre o bem e o mal, tudo visto com olhares de MORSERUS, pela ótica de seus personagens animais que, espantosamente, se mostram mais racionais e humanos que o próprio ser humano.

Através do jovem e prodígio personagem, descortina-se uma batalha que decidirá se ele, em sua depressão, irá fazer as escolhas certas quando, depois da invasão de uma lacraia rosa em seu ouvido, o rapaz adentra um portal que o leva a uma profunda reflexão sobre sua vida e seu futuro. Ele se depara, assim, com o Mercador de Sonhos, personagem místico e misterioso, adornado com máscaras de ossos, que o conduzirá à mais sinistra viagem de sua vida.

A princípio pode parecer que se trata de mais uma metáfora para perscrutar a vida ou, se nem tanto, ao menos buscar fundamentos para vivê-la. Contudo, eu não diria isso, sendo MORSERUS um lugar inimaginável onde o autor, que também é roteirista, descreve-nos, nos mínimos detalhes, não somente seus personagens e os mais fantásticos ambientes como, com a mesma intensidade nos envolve com a postura intelectual e filosófica desses seres viventes.

Schweitzer consegue criar uma inusitada “antropologia”, pois, como disse acima, seus animais parecem mais humanos que qualquer um de nós, porém sem perderem traços de suas características primárias. Coisas de autores geniais.

“No mundo da superfície você tem a ilusão de ser apenas uma coisa. Nas ilhas você pode se ver mais claramente.”

O que seriam essas ilhas? Camadas de nosso interior, ou algo como a diversidade dos eus ou, quem sabe, sejam essas ilhas o verdadeiro mergulho que jamais teríamos coragem de experimentar?

Neste mundo fantástico, as coisas acontecem desta forma: não há temor algum, e nada é empecilho para se questionar, desde a origem da vida à iminente morte de todas as coisas. E Ollie, o porco inconformado com sua situação moral, surpreende-nos com suas descobertas, a ponto de nós mesmos nos perguntarmos se estamos, de fato, certos de nossos caminhos.

A história do jovem questionador vem de encontro ao pensamento freudiano, onde se afirma que a felicidade é a realização de um desejo pré-histórico da infância, e é por isso que a riqueza contribui em tão pequena medida para ela. O dinheiro não é objeto de um desejo infantil.

Parabéns, Marcello Schweitzer, por mais essa obra.

LEIA O CONTO AQUI

 

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O MENDIGO E A CARTA

O Mendigo e a Carta

MENSAGEIRO DA LOUCURA

MENSAGEIRO DA LOUCURA

É com alegria e alívio que venho entregar-te esta carta, senhorita. Ela queimava minhas mãos durante a viagem, escorregava de meus bolsos furados; de meus dedos, nutria todo esforço para virar pássaro quando do vento. Não sou bobo, fechei as janelas. E agora, ei-la, a tua carta. Ela insistia em me contar o que trazia, e eu respondia ‘não, cartas são pessoais’. Talvez, querendo dissuadir-me de minha tarefa, porque sou pobre e aceitei trazê-la a ti; sou mendigo, miserável, tenho consciência limpa, e comi por esta carta. Bebi por ela. Na travessia do trem, dormi com um sorriso de barrriga cheia. Toma, aqui está a tua carta. Olha, ela tentou fugir, caiu no chão molhado do banheiro público, quis nadar como um peixe para longe de mim. Teimosa, borrou algumas letras, queria se apagar, deu-me trabalho, a infeliz. Porém, cá está tua missiva, meio amassada, meio mendiga, mas lacrada, eu não quis ouvi-la. Toma-a agora, pois que já me vou, estou contente, cumpri a missão, e a fome passou. Mas ela não queria vir não, deve ser tímida, deve ser de amor. Não, não chores, pior seria não tê-la em teu colo, é tua, a carta, guarde-a bem como eu o fiz. Por que choras, moça? O que ela diz? Não! Não a rasgues, pobre carta, isto dói! Voltei-me abruptamente para catar os pedaços, e em um deles pude ler claramente: ‘está morto’.

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ONTEM NÃO É HOJE

ONTEM NÃO É HOJE

Ontem eu era virgem e amada
Hoje trago o ventre vazio de fomes
Ontem me dizias coisas belas
Hoje olho o quarto, tu somes

Ontem eu ri, mais de mil vezes apaixonei
Hoje, acordei fraca, sem beijo
Ontem repeti te amo te amo
Hoje aos pés de Deus me ajoelhei

Ontem viramos crianças enamoradas
compomos juntos as músicas
Tirei a roupa dancei na varanda
Ontem foi como noites recém-casadas

Ontem foi madrugada em alarde
Hoje na mesa apenas um copo
Ontem tu ficaste até tarde
Mas sem ti por aqui não galopo

Ontem sorrias e me lambias feito gato
Hoje vi melhor eram arranhões
Ontem tu parecias lindo e mui grato
Hoje só tenho dor e degradações

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O CAVALEIRO INFIEL

O Cavaleiro Infiel

Me transformo agora em negra flor
pois que vens e me perfumas
com loções de barba ervas sumas
em abraço és-me tórrido beijador

Teu grasnar é tal surpresa
mesmo ali oh!, lugar qualquer
a volúpia não tem qualquer juízo
inda mais nas entranhas da mulher

Ardem chamas em transe louca
transformada em fêmea e aquarela
olho o cavaleiro, co’a voz rouca
pergunto surda: quem é a tua bela?

O ricochete vem em doces rios
minhas pernas andam sem vontade
tremem, cruel amor sem brios
que me torna escrava da infidelidade

Um dia hei de rescindir sem dó
com inóspita medieval paixão
preferirei o azar, estátua de pó
ou ir-me embora nas asas do dragão

___E dá-se a mentir o tempo inteiro
a mulher que não vive longe
do brasão do amante cavaleiro

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Dele a Elegia

Ainda ouço ao longe a música do Violino...

Ainda ouço ao longe a música do Violino…

Como magia ou outro fenômeno qualquer

naquele momento deixei de ser artista

estanquei de ser mulher.

Vibrei o instrumento na vidraça

e o som das lascas de madeira, os cacos ruidosos

confundiram-se com a dor da tua elegia – Por que a compuseste?

Olhei a música quebrada

e notei nacos sangrentos espalhados no piso frio de nossas almas.

Apertei com força meu pulso e tua fronte – como estancar tal agonia…

Abracei-te dilacerada, quis morrer para sanar o teu martírio.

Rios de lágrimas beberam meu coração emudecido.

__ E a música, penosamente, sussurrou e não nasceu

pois que, só e lentamente, com os dois pereceu…

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