Quem é o meu leitor…? :)

Eu sempre escrevi pra mim… Suponho ter esta “habilidade” desde há muito, sempre me reconheci escrevendo algo, rabiscos, porcarias, lixos e lindas citações. Sempre analisei eu mesma o discernimento intelectual de minhas palavras para que não parecesse uma profeta desajustada a jorrar em forma de palavras minhas pretensas frustrações.

Sempre caminhei sozinha a buscar nos livros as minhas respostas sobre a minha talvez estúpida crença em minha escrita, como fosse algo que eu pudesse dividir com outras gentes. E quanto mais vagava entre as infinitas páginas dos livros, mais me convencia com o lápis entre os dentes que esta minha compulsiva atividade de escrever teria que ter um freio ou não mais teria aos menos a sanidade de filtrar os legíveis.

Mas eu sempre escrevi pra mim, nada pode ser mais tranquilizante do que eu, somente eu a ler as lavas que escorrem pelo canto de minha boca feito e em forma de palavras, essas que vou despejando, com medo de ser acompanhada por ouvintes a rirem de minha loucura e eis que esta mesma loucura constrange aos incautos que nada sabem de mim, por isso escrevo pra mim!

E era nas simplórias árvores do meu quintal onde comecei a colher alguns pequenos frutos de sabedoria, na vasta biblioteca do meu avô que era assinante de editora oriental, que entre um abacate e outro, eu me lambusava de Lobsang Rampa, Castro Alves e “Revista do Pensamento Oriental”.

Fui moleca como deveria mesmo ser, mas jamais me negava a oportunidade de conversar com alguém mais sábio e na escola fiz questão de escrever em forma de roteiro um simples trabalho de Português… Mas minhas idiossincrasias e as minhas visões do que sejam a vida e o desajustado homem só a mim interessam, por isso escrevo ou tento escrever palavras que possam ser lidas, caso contrário seria de fato um ser enlouquecido coabitando com o nada!

Mas sempre escrevi pra mim, por isso nest Blog tão bacana, eu me peguei pensando que pela primeira vez em minha tão descalculada vida eu tenho possibilidade de ter leitores, mas devo prevení-lo, a você provável e sistemático leitor do Blog, que nada poderá esperar da autora que as suas já conhecidas palavras de contradição e questionamentos a respeito da besta fera humana que somos. )

Vez por outra fico branda e falo de poesia e antropologia de forma lírica, mas não esperem de mim qualquer mechandising elaboral e técnico para atraí-los à mim. Sou tão somente Daisy Carvalho, que tenho essa oportunidade de escrever para talvez algumas pessoas. E embora minhas palavras possam parecer ásperas, não se preocupem, nada tem a ver com vocês que muito eu amo, mas com os espinhos de vivências adquiridos nas estreitas ruas da filosofia e das amargas experiências humanas.

E no final das contas percebo minha própria evolução na busca do meu próprio elo, uma nova visão de comportamento, relacionamento mais atraente que o sexual, a minha cumplicidade com meu futuro leitor!

Tenho certeza de que pra mim é o começo de agradável experiência de comunicação. Sejam bem vindos e os bem vindos serão amados pela autora do Blog da Dai! ;)

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Descrença

 Pobre homem solitário…

Alguns homens se julgam auto-suficientes, o que de cara já faz-me rir. Tem gente que realmente acredita ter poder para cuidar de si e de tudo que há ao seu redor. Pobre homem sem talento e fé. Penso que até para prescindir do Deus lá, é preciso estar atento às armadilhas. Um homem sem fé não deve:

– amar

– sofrer

– odiar

– desejar

– sonhar

– nem mentir…

São atividades de ser humano normal, que sabe que depois de tudo que foi feito ou pensado, ele tem dentro de si uma alma para lhe fazer companhia. Um tal silêncio companheiro, que mesmo que não seja de nenhum deus, é com certeza de algo acima de nossa compreensão…

Este homem sem fé, ao se julgar sabedor e mantenedor de tudo, “peca” em vários aspectos, comete erros primários, como se deixar desvendar aos olhos alheios, o que é muito incoveniente para quem é dono da situação.

Os homens auto-suficientes se esquecem que não estão sozinhios nesse mundo e que sempre haverá de precisar nem que seja de uma flor desabrochando em seu jardim, porque me parece que seria muito triste um jardim sem flores. Essas flores podem ser a companheira, o companheiro, um amor qualquer, nem que seja passageiro, nem que seja de mentira, nem que nem seja…

Mas é preciso que os homens auto-suficientes se recolham a seu silêncio -e deve ter bastante silêncio em sua cabeça-,  e olhar eventualmente para o lado e notar que existe alguém muito a fim de querer participar desse seu mundo “fechado” e deve saber que é muito bom ter companhia de vez em quando e nem precisa ser a de Deus necessariamente… )

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William Blake – O Poeta incompreensível

 Willian Blake

William Blake 1757 – 1827 – Poeta e Artista plástico inglês

Acredito que os leitores brasileiros e jovems, principalmente os que pretendem de alguma forma desenvolver uma atividade artística, devem recorrer ao passado de cultura e arte dos artistas que representam ícone para uma maior compreensão da magnitude que é o universo tenebroso que se esconde atrás das mil facetas que a hipocrisia humana nos impõe, muitas vezes querendo “punir a arte”. William Blake é o maior representante, o mais realista da irrealidade de uma cultura ocidental que já nasceu estragada. Então mais um pouco, bebam da filosofia artística de um visionário poeta e artista plástico que mal pode ser compreendido por seus contemporâneos.

O matrimônio do Céu e do Inferno:

No tempo da semeadura, aprende; na colheita, ensina; no inverno, desfruta. Conduz teu carro e teu arado por sobre os ossos dos mortos. A estrada do excesso leva ao palácio da sabedoria. A Prudência é uma solteirona rica e feia, cortejada pela Impotência. Quem deseja, mas não age, gera a pestilência. O verme partido perdoa ao arado. Mergulha no rio quem gosta de água. O tolo não vê a mesma árvore que o sábio. Aquele, cujo rosto não se ilumina, jamais há de ser uma estrela. A Eternidade anda apaixonada pelas produções do tempo. A abelha atarefada não tem tempo para tristezas. As horas de loucura são medidas pelo relógio; mas nenhum relógio mede as de sabedoria. Os alimentos sadios não são apanhados com armadilhas ou redes. Torna do número, do peso e da medida em ano de escassez. Nenhum pássaro se eleva muito, se se eleva com as próprias asas. Um cadáver não vinga as injúrias. O ato mais sublime é colocar outro diante de ti. Se o louco persistisse em sua loucura, acabaria se tornando Sábio. A loucura é o manto da velhacaria. O manto do orgulho é a vergonha. As Prisões se constroem com as pedras da Lei, os Bordéis, com os tijolos da Religião. O orgulho do pavão é a glória de Deus. A luxúria do bode é a glória de Deus. A fúria do leão é a sabedoria de Deus. A nudez da mulher é a obra de Deus. O excesso de tristeza ri; o excesso de alegria chora. A raposa condena a armadilha, não a si própria. Os júbilos fecundam. As tristezas geram. Que o homem use a pele do leão; a mulher a lã da ovelha. O pássaro, um ninho; a aranha, uma teia; o homem, a amizade. O sorridente tolo egoísta e melancólico tolo carrancudo serão ambos julgados sábios para que sejam flagelos. O que hoje se prova, outrora era apenas imaginado. A ratazana, o camundongo, a raposa, o coelho olham as raízes; o leão, o tigre, o cavalo, o elefante olham os frutos. A cisterna contém; a fonte derrama. Um só pensamento preenche a imensidão. Dizei sempre o que pensa, e o homem torpe te evitará. Tudo o que se pode acreditar já é uma imagem da verdade. A águia nunca perdeu tanto o seu tempo como quando resolveu aprender com a gralha. A raposa provê para si, mas Deus provê para o leão. De manhã, pensa; ao meio-dia, age; no entardecer, come; de noite, dorme. Quem permitiu que dele te aproveitasses, esse te conhece. Assim como o arado vai atrás de palavras, assim Deus recompensa orações. Os tigres da ira são mais sábios que os cavalos da instrução. Da água estagnada espera veneno. Nunca se sabe o que é suficiente até que se saiba o que é mais que suficiente. Ouve a reprovação do tolo! É um elogio soberano! Os olhos, de fogo; as narinas, de ar; a boca, de água; a barba, de terra. O fraco na coragem é forte na esperteza. A macieira jamais pergunta à faia como crescer; nem o leão, ao cavalo, como apanhar sua presa. Ao receber, o solo grato produz abundante colheita. Se os outros não fossem tolos, nós teríamos que ser. A essência do doce prazer jamais pode ser maculada. Ao veres uma Águia, vês uma parcela da Genialidade. Levanta a cabeça! Assim como a lagarta escolhe as mais belas folhas para deitar seus ovos, assim o sacerdote lança sua maldição sobre as alegrias mais belas. Criar uma florzinha é o labor de séculos. A maldição aperta. A benção afrouxa. O melhor vinho é o mais velho; a melhor água, a mais nova. Orações não aram! Louvores não colhem! Júbilos não riem! Tristezas não choram! A cabeça, o Sublime; o coração, o Sentimento; os genitais, a Beleza; as mãos e os pés, a Proporção. Como o ar para o pássaro ou o mar para o peixe, assim é o desprezo para o desprezível. A gralha gostaria que tudo fosse preto; a coruja, que tudo fosse branco. A Exuberância é a Beleza. Se o leão fosse aconselhado pela raposa, seria ardiloso. O Progresso constrói estradas retas; mas as estradas tortuosas, sem o Progresso, são estradas da Genialidade. Melhor matar uma criança no berço do que acalentar desejos insatisfeitos. Onde o homem não está a natureza é estéril. A verdade nunca pode ser dita de modo a ser compreendida sem ser acreditada. É suficiente! ou Basta.

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Um pouco de ‘Uivo’… Allen Ginsberg

Geração Beat

Uivo

para Carl Solomon

Allen Ginsberg
Eu vi os expoentes de minha geração destruídos pela loucura, morrendo de fome, histéricos, nus,
arrastando-se pelas ruas do bairro negro de madrugada em busca de uma dose violenta de qualquer coisa,
“hipsters” com cabeça de anjo ansiando pelo antigo contato celestial com o dínamo estrelado da maquinaria da noite, que pobres, esfarrapados e olheiras fundas, viajaram fumando sentados na sobrenatural escuridão dos miseráveis apartamentos sem água quente, flutuando sobre os tetos das cidades contemplando jazz,
que desnudaram seus cérebros ao céu sob o Elevado e viram anjos maometanos cambaleando iluminados nos telhados das casas de cômodos, que passaram por universidades com os olhos frios e radiantes
alucinando Arkansas e tragédias à luz de William Blake entre os estudiosos da guerra, que foram expulsos das universidades por serem loucos e publicarem odes obscenas nas janelas do crânio, que se refugiaram em quartos de paredes de pintura descasca da em roupa de baixo queimando seu dinheiro em cestas
de papel, escutando o Terror através da parede, que foram detidos em suas barbas públicas voltando por Laredo com um cinturão de marijuana para Nova York, que comeram fogo em hotéis mal-pintados ou beberam terebentina em Paradise Alley, morreram ou flagelaram seus torsos noite após noite com sonhos, com drogas, com pesadelos na vigília, álcool e caralhos e intermináveis orgias, incomparáveis ruas cegas sem saída de nuvem trêmula e clarão na mente pulando nos postes dos pólos de Canadá & Paterson, iluminando completamente o mundo imóvel do Tempo intermediário, solidez de Peiote dos corredores, aurora de fundo de quintal com verdes árvores de cemitério, porre de vinho nos telhados, fachadas de lojas de subúrbio na luz cintilante de neon do tráfego na corrida de cabeça feita do prazer, vibrações de sol e lua e árvore no ronco de crepúsculo de inverno de Brooklin, declamações entre latas de lixo e a suave soberana luz da mente, que se acorrentaram aos vagões do metrô para o infindável percurso do Battery ao sagrado Bronx de benzedrina até que o barulho das rodas e crianças os trouxesse de volta, trêmulos, a boca arrebentada e o despovoado deserto do cérebro esvaziado de qualquer brilho na lúgubre luz do Zôológico, que afundaram a noite toda na luz submarina de Bickford’s, voltaram à tona e passaram a tarde de cerveja choca no desolado Fugazzi’s escutando o matraquear da catástrofe na vitrola automática de hidrogênio, que falaram setenta e duas horas sem parar do parque ao apê ao bar ao hospital

Allen Ginsberg

Bellevue ao Museu à Ponte de Brooklin, batalhão perdido de debatedores platônicos saltando dos gradis das escadas de emergência dos parapeitos das janelas do Empire State da lua, tagarelando, berrando, vomitando, sussurando fatos e lembranças e anedotas e viagens visuais e choques nos hospitais e prisões e guerras, intelectos inteiros regurgitados em recordação total com os olhos brilhando por sete dias e noites, carne para a sinago-
ga jogada na rua, que desapareceram no Zen de Nova Jersey de lugar algum deixando um rastro de cartões postais ambíguos do Centro Cívico de Atlantic City, sofrendo amores orientais , pulverizações tangerianas nos ossos enxaquecas da China por causa da falta da droga no quarto pobremente mobiliado de Newark,
que deram voltas e voltas à meia-noite no pátio da estação férroviária perguntando-se onde ir e foram, sem deixar corações partidos, que acenderam cigarros em vagões de carga, vagões de carga, vagões de carga que rumavam ruidosamente pela neve até solitárias fazendas dentro da noite do avô, que estudaram Plotino, Poe, São João da Cruz, telepatia e bop-cabala pois o Cosmos instintivamente vibrava a seus pés em Kansas, que passaram solitários paelas ruas de Idaho procurando anjos índios e visionários, que só acharam que estavam loucos quando Baltimore apareceu em êxtase sobrenatural, que pularam em limusines com o chinês de Oklahoma no impulso da chuva de inverno na luz da rua da cidade pequena à meia-noite,
que vaguearam famintos e sós por Houston procurando jazz ou sexo ou rango e seguiram o espanhol brilhante para conversar sobre América e Eternidade, inútil tarefa, e assim embarcaram num navio para a África, que desapareceram nos vulcões do México nada deixando além da sombra das suas calças rancheiras e a lava e a cinza da poesia espalhadas na lareira de chicago, que reapareceram na Costa Oeste investigando o FBI de barba e bermudas com grandes olhos pacifistas e sensuais nas suas peles morenas, distribuindo folhetos ininteligíveis, que apagaram cigarros acesos nos seus braços protestando contra o nevoeiro narcótico de tabaco do capitalismo, que distribuíram panfletos supercomunistas em Union Suare,
chorando e despindo-se enquanto as sirenes de Los Alamos os afugentavam gemendo mais alto que eles e gemiam pela Wall Street e também gemia a balsa da Staten Island, que caíram em prantos em brancos ginásios desportivos, nus e trêmulos diante da maquinaria de outros esqueletos, que morderam policiais no pescoço e berraram de prazer nos carros de presos por não terem cometido outro crime a não ser sua transação pederástica e tóxica, que uivaram de joelhos no Metrô e foram arrancados do telhado sacudindo genitais e manuscritos, que se deixaram foder no rabo por motociclistas santificados e urraram de prazer, que enrabaram e foram enrabados por estes serafins humanos, os marinheiros, carícias de amor atlântico e caribeano, que transaram pela manhã e ao cair da tarde em roseirais, na grama de jardins públicos e cemitérios, espalhando livremente seu sêmem para quem quisesse vir, que soluçaram interminavelmente tentando gargalhar mas acabaram choramingando atrás de um tabique de banho turco onde o anjo loiro e nu veio atravessá-los com sua espada, que perderam seus garotos amados para as tres megeras do destino,
a megera caolha do dólar heterossexual, a megera caolha que pisca de dentro do ventre e a megera caolha que só sabe ficar plantada sobre sua bunda retalhando os dourados fios do tear do artesão, que copularam em êxtase insaciável com uma garrafa de cerveja, uma namorada, um maço de cigarros, uma vela, e caíram da cama e continuaram pelo assoalho e pelo corredor e terminaram desmaiando contra a paerede com uma visão da buceta final e acabaram sufocando um derradeiro lampejo de consciência, que adoçaram trepadas de um milhão de garotas trêmulas ao anoitecer, acordaram de olhos vermelhos no dia seguinte mesmo assim prontos para adoçar trepadas na aurora, bundas luminosas nos celeiros e nus no lago, que foram transar em Colorado numa miríade de carros roubados à noite, N.C. herói secreto destes poemas , garanhão
e Adonis de Denver – prazer ao lembrar de suas incontáveis trepadas com garotas em terrenos baldios e pátios dos fundos de restaurantes de beira de estrada, raquíticas fileiras de poltronas de cinema, picos de montanha, cavernas ou com esquálidas garçonetes no familiar levantar de saias solitário á beira da estrada & especialmente secretos solipsismos de mictórios de postos de gasolina & becos da cidade natal também,
que se apagaram em longos filmes sórdidos, foram transportados em sonho, acordaram num Manhattan súbito e conseguiram voltar com uma impiedosa ressaca de adegas de Tokay e o horror dos sonhos de ferro da Terceira Avenida & cambalearam até as agências de emprego, que caminharam a noite toda com os sapatos cheios de sangue pelo cais coberto por montões de neve, esperando que se abrisse uma porta no East River dando num quarto cheio de vapor e ópio, que criaram grandes dramas suicidas nos penhascos de apartamentos de Hudson à luz de holofote anti-aéreo da lua & suas cabeças receberão coroa de louro no esquecimento,(…)

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Suspirando com Cecília Meireles

Ceclia Meireles

Tem tantas coisas que me emocionam, acho que quase tudo de alguma forma me emociona, toca meu coração, me faz pensar… mas poesias de Cecília Meireles ultrapassam minha emoção… me tiram da minha própria órbita e provocam em mim estranho pulsar…

Serenata

Permita que eu feche os meus olhos,
pois é muito longe e tão tarde!
Pensei que era apenas demora,
e cantando pus-me a esperar-te.

Permite que agora emudeça:
que me conforme em ser sozinha.
Há uma doce luz no silencio,
e a dor é de origem divina.

Permite que eu volte o meu rosto
para um céu maior que este mundo,
e aprenda a ser dócil no sonho
como as estrelas no seu rumo.

Motivo da rosa

Não te aflijas com a pétala que voa:
também é ser, deixar de ser assim.

Rosas verá, só de cinzas franzida,
mortas, intactas pelo teu jardim.

Eu deixo aroma até nos meus espinhos
ao longe, o vento vai falando de mim.

E por perder-me é que vão me lembrando,
por desfolhar-me é que não tenho fim.

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Motel

 Esse livro…

Toda vez que ele marcava encontros era sempre em motéis, nunca em restaurantes, bares, cinema, teatro… sempre em algum motel. Ela já tinha 27 anos, era uma mulher e claro que entendia que ele só poderia ser casado, mas isso pouco importava. Era uma paixão física que passaria…

Mas ele acabou falando sobre o  assunto. Era sim casado, mas a esposa residia em outra cidade, ele tinha alí uma casa de veraneio, onde sempre passava uns dias a sós para escrever. Era um escrtitor, então! Já sabia alguma coisa mais consistente sobre ele… era um escritor!…

Caminharam até sua bela casa e ficaram na varanda fresca, tomando brisa de final de tarde. Ele, muito tranquilo passava os olhos em alguns manuscritos. Era muito bonito, ela observava, um perfil marcante, boca decidida, ela riu, boca decidida a beijar e como gostava de beijar… um beijo fresco e quente ao mesmo tempo, um beijo molhado e apaixonado como ela jamais vira ou sentira…

Entre as idas e vindas de seu escritor, meses se passaram e ela estava irremediavelmente apaixonada pelo poeta… Ele lhe dissera que quando terminasse seu romance, viajaria para a Argentina a fim de promover seu livro pois teria este uma edição também naquele país. Agora ele estava pra chegar e ela  tremia por todo o corpo pois sabia que seria a despedida, ele, seu escritor iria embora e provavelmente não o veria mais. Teria como consolo, ler seus livros, um a um e se enroscar debaixo do edredon com aquele último romance… Era um romance secreto, nunca a deixava ler os manuscritos. Suspirou… só o leria  depois de pronto. Mal poderia esperar por este momento.

Hoje entregaria-lhe as chaves da casa que ele deixava com ela. E ele lhe entregaria o livro novo, entregaria o abandono de seus dias seguintes. Caminhou pela varanda, acariciou as plantas e flores que não veria mais.

Foi ao quarto onde tantos momentos ternos e de paixão passaram juntos. Sentiu o cheiro deles no ar, seu perfume com o dele misturados na atmosfera, sabia que jamais voltaria a fazer amor com seu escritor.

O ruído do carro chegando a despertou dos devaneios. Se ajeitou diante do espelho, enxugou as lágrimas e foi ao seu encontro. Ele se aproximou e a abraçou com tanto amor que ela mal pode respirar. Soltou-a e mostrou-lhe o livro editado. Só deu pra ler o  título porque ele a abraçava novamente… “O amor inventa o livro”… Era a história deles desde quando começaram a se encontrar naquela linda casa de praia que provavelmente seria dela para sempre… S2

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Solidão

 Sempre às 16:00…

Todos os dias ele ia à praça. Caminhava com seus passos medidos, seu guarda-chuva, e aquele envelope amarelado, envelhecido pelo tempo que apertava nas mãos também envelhecidas. Eram ainda mãos fortes e seguras e  trazia no rosto algum sinal da beleza juvenil.

Parecia um ritual, todos os dias, naquele mesmo horário, a hora do crepúsculo, a hora em que a solidão era-lhe mais conveniente, a hora da dor se instalar de forma prazerosa em todo o seu ser…

Como sempre, sentava-se com calma no banco, acendia o cachimbo cubano e soltava tranquilas baforadas enquanto observava as pessoas passando, os gatos saindo de suas tocas, era um parque de preservação  aos gatos abandonados.

Ocasionalmente um desses felinos lhe roçava as pernas e ele sem olhar o animal acariciava-lhe os pelos enquanto observava  as árvores tristes de um inverno frio… Ao longe via os bares cheios na hora do happy hour e sentia-se trincado de tristeza e frustração por não ser mais um a conversar e rir entre um drink e outro.

Como sempre fazia, abriu o envelope e de lá tirou uma folha amassada, uma carta de aparência envelhecida, tanto quanto sua postura, mais para cansaço que velhice propriamente, pois não teria mais de quarenta e poucos anos…

Olhou a folha como se fosse pela  primeira vez, empertigou-se e pos-se a ler a carta. Suas feições iam mudando na medida em que lia as linhas bem escritas, eram letras de mulher. No início ele sorria, como saboreasse o contédo, mas aos pucos suas feições endureciam e sempre nesse momento, seus olhos ficavam vermelhos e suas mãos decididas tremiam com um leve espasmo, uma sensação de culpa ou remorço…

Já ia se levantando quando um dos vários felinos do parque o distraiu, pulando em seu colo a pedir carinho. Pegou o bichano nas mãos enquanto sua preciosa carta caía no chão. O vento maldoso soprou a carta aos poucos até que esta recostou-se no lago e de lá saiu remando para o outro lado do parque. Ele nada percebeu, levantou-se e se foi, sem a sua carta.

Ao longe uma mulher bonita observava-o e quando já não podia vê-lo, correu ao lago e cuidadosamente pegou a carta molhada. Reposou-a no banco, sentou-se delicadamente ao lado e sorriu ao ler aquele velho trecho que escrevera há tanto tempo…

“Querido, precisei sair e não se preocupe, voltarei lá pelas 16:00, espere-me no nosso banco, lá no Parque dos Gatos. Trarei uma surpresa, você há de gostar. Beijos, meu amor.”

Dobrou a carta com olhos cheios de lágrimas e resolveu que jamais voltaria àquele parque onde um dia não voltara por ter perdido a memória por tantos anos… Talvez  fosse tarde demais… nem mesmo a surpresa ela saberia dizer qual era…

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Macrobiótica – Chá de Semancol =]

 Tinha um cara ridículo na perua que peguei, ele esbravejava toda a viagem no meu ouvido que odiava o Brasil e que Deus não existia, ai, ai…

A vida, quando levada a sério é muito saudável. Temos que começar pela alimentação: equilibrar as proteínas com carbohidratos, fibras… beber, se beber, socialmente e de preferência não fumar… nada!

Dou muito valor a essa coisa de saúde e dispenso gente que não se cuida, achando que é dona da própria vida e do próprio corpo. Nada disso, esse acúmulo de energias de que somos feitos deve ser respeitado e valorizado porque acreditem ou não Deus existe, clichês a parte chamem-no como quiserem: Buda, Demônio, Maomé, Natureza, Oxalá, Cristo, Nada, Krishna, Sidharta, Satanás… não importa mesmo, o que realmente é relevante é  sabermos que jamais poderemos nos auto-sustentar energeticamente, por isso morremos e viramos adubo, “rango” pra minhocas! P

Não há como sermos soberbos diante da morte hehe… eu adoro contemplar a nossa estúpida liberdade, a nossa impotência diante da morte e adoro quando alguém “auto-suficiente” dá de cara com a morte da mãe, do cachorro de estimação, do raio que o parta! (nossa, eu!)

Adoro rir de mim mesma, ridícula a filosofar sem nada saber. Somos uma espécie de ovnis paranóicos que não merecemos este planeta. O Brasil praticamente é o maior produtor de carne bovina e só Deus sabe em que condições de dignidade esses animais vivem ou são sacrificados.

Como é que pode darmos tanta importância a coisas materiais e desprezarmos valores  superiores como amizade e solidariedade… caramba como somos ridículos valorizando essas coisas que apodrecem e morrem… (

No fundo não tenho como provar e nem pretendo, que existe um Criador de nós, criaturas patéticas, mas eu saio fora, não vou mais me misturar com gentalha, to com a mãe do Kiko e não abro mão… )

Então para equilibrar a saúde, mental principalmente, que tal tomarmos de vez enquando um chazinho bem natural, um chá quentinho de… semancol?… ;)

PS – Já passou a raiva vai… mas gente, eu não posso recuar… :* Pra Nietzsche…:*

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Nietzsche, eu acredito em fantasmas!!

NIETZSCHE ESTEJA CONVOSCO…

Nietzsche

É sério, há de fato mais coisas entre o céu e a terra… Ainda há pouco atrevi-me a “caçoar” de Nietzsche ao postar sobre a estética… Talvez eu não tenha percebido o quanto estive leviana, deixando que meu pensamento atravessasse o meu amado mestre. Venho de orientação filosófica de base oriental, porém não tenho como fugir desse meu estupendo Nietzsche. Eis que peguei “O Anti-Cristo” para passar uma vista e dei de cara com o carão do homem:

As condições sob as quais sou compreendido, sob as quais sou necessariamente compreendido – conheço-as muito bem. Para suportar minha seriedade, minha paixão, é necessário possuir uma integridade intelectual levada aos limites extremos. Estar acostumado a viver no cimo das montanhas – e ver a imundície política e o nacionalismo abaixo de si. Ter se tornado indiferente; nunca perguntar se a verdade será útil ou prejudicial… Possuir uma inclinação – nascida da força – para questões que ninguém possui coragem de enfrentar; ousadia para o proibido; predestinação para o labirinto. Uma experiência de sete solidões. Ouvidos novos para música nova. Olhos novos para o mais distante. Uma consciência nova para verdades que até agora permaneceram mudas. E um desejo de economia em grande estilo – acumular sua força, seu entusiasmo… Auto-reverência, amor-próprio, absoluta liberdade para consigo…

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Humor negro! Vixe!

 

Quatro amigos inseparáveis combinaram de irem à praia no final de semana, sendo que um dos quatro sofrera um acidente e ficou, pasmem, sem pernas e braços, coitadooo! Mas os amigos eram de fato unidos e sempre levavam o amigo deficiente com eles.

Sendo que neste dia encontraram na praia umas mulheres dessas que homem nenhum resiste. Foram então para o bar e deixaram o amigo quietinho na “beirinha da praia” pegando aquelas marolinhas inofensivas.

Mas  o papo tava bom, e desce chope, mulher é bicho danado, queriam mais era gastar o dinheiro dos otários. Enquanto isso o mar foi crescendo e o aleijadinho lá, entrando em franco desespero, já não tinha ninguém na praia, ele iria morrer…

Mas eis que vem passando um homem muito bêbado e pára, observando com olhos alucinados tamanha crueldade: “Mas quem foi que fez essa maldade com você… Como há homens perversos nesse mundo, meu Deus!…” O rapaz contente abre um sorriso, o bêbado então o pega no colo, espera a onda estourar e o solta chorando: “Vai, minha tartaruguinha, eu sou um bêbado, mas amo e respeito a natureza… vai tartaruguinha!…”

Onde está o humor negro: na lamentável insanidade de um alcoólatra ou no deficiente físico… nunca soube hehe…

ps – Foi só pra descontrair pessoal… fui! )

ps2 – Mas depois que ri muuuito desta piada que me contaram eu, como sempre biruta reflexiva, fiquei a imaginar o quanto os homens se discriminam entre si… Antes fosse tudo mesmo engraçado nesta vida… ^^ []

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