Pernas pra que te quero!

Pernas servem para caminhar e conduzir o corpo, é claro!

Porém…

Pernas servem para correr nas olimpíadas, dos assaltos cariocas – exagero -, servem pra correr também nas praias e servem para buscarmos nossa própria caminhada, nossa busca da verdade e do sentido de estarmos aqui.

Pernas podem ser absoluto motivo de dor – acidentes acontecem – e pernas como as de Julia Roberts talvez nem sejam deste mundo! =P

Pernas foram usadas muito antes da época medieval como meio de transporte, são perfeita idéia de algum biólogo criador, andarilho e louco…

Pernas de miss, pernas de pau, pernas de mesa,

pernas perdidas dos mendigos na noite.

Pernas tatuadas borboletas e anjos,

bruxas e floras.

Pernas cruzadas,

pernas abertas, pernas desertas,

pernas bambas de quem não sabe onde ir.

Pernas medalhas, orgulho de ouro,

pernas sedosas, pernas  velhas  se arrastam

 é o fim…

Pernas com pernas no inverno é o máximo e um eventual tombo nos faz refletir no quanto elas são importantes.

Atletas sem pernas e pernas sem esporte tornam esdrúxulo esse membro inferior, o segmento que vai do joelho ao tornozelo, e quantas vezes temos que ser “pernaltas” para nos livrarmos de situações inesperadas na vida…

Pernas são motivo de poesia, de paixão e de pesquisas científicas.

Pernas em passeatas políticas que na maioria das vezes levam pessoas erradas ao  poder, pernas santas como as da missionária americana brutalmente assassinada por monstros da Floresta Amazônica… =[

Pernas são sonhos e pesadelos, para o André Torres ficar sem as suas lhe rendeu arte – “Feliz Ano Velho” – livro que li e repensei minha vida.

Pernas lindas adquiridas com próteses e plásticas são mesmo lindas mas fake, e certos artifícios podem ser perigosos na postura humana, porém quem não gosta de dar uma “melhorada” na musculatura? 😉 

E agora a poesia de Drummond, na sua fase erótica, quando pressentiu que a evolução na estilística poética era inevitável. E na vida também.

O nojo do substantivo – foi há trint’anos –

ao sol de hoje se derrete. Nádegas aparecem

em anúncios, ruas, ônibus, tevês.

O corpo soltou-se. A luz do dia saúda-o,

nudez conquistada, proclamada.

Estuda-se nova geografia.

Canais implícitos, adianta nomeá-los? Esperam o beijo

do consumidor-amante, língua e membro exploradores.

E a língua vai osculando a castanha clitórida,

a penumbra retal.

A amada quer expressamente falar e gozar

gozar e falar

vocábulos antes proibidos

e a volúpia do vocábulo emoldura a sagrada volúpia.

E as pernas de sua paixão poética:

O aspecto erótico de Alguma Poesia centra-se especialmente nas pernas:

O bonde passa cheio de pernas:

pernas brancas pretas amarelas

Para que tanta perna, meus Deus, pergunta o meu coração.

Porém meus olhos

não perguntam nada.

(Poema de sete faces)

Meus olhos espiam

As pernas que passam.

Nem todas são grossas…

Meus olhos espiam.

Passam soldados,

… mas todas são pernas.

Meus olhos espiam.

Tambores, clarins

E pernas que passam.

(Moça e soldado)

E como não tinha nada que fazer vivia namorando as pernas morenas da lavadeira.

(Iniciação amorosa)

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