Poema tardio de primavera

SunFlowers

Quem dera os homens (e as mulheres também)

pudessem compreender a beleza de uma flor no campo,

a pureza de um encontro na floresta

e o doce sabor de um beijo depois da meia noite

quando todos somos vampiros

e ninguém teme nada, nem a noite, nem ao sexo!

Quem me dera poder divulgar meus desejos

em todas as mídias, no cinema e nas revistas

de fofoca…

Nas telinhas apaixonadas das donas de casa

que amam tanto quanto eu, a um homem só

de forma tão fiel e enraivecida,

porque na vida real

nem sempre o final é feliz…

O nosso melodrama geralmente termina em solidão.

Nossas camisolas são deixadas na lavanderia da esquina

com as cores desbotadas. Infelizes…

Nem mesmo Tim Maia me salva, e nem a nós

pobres mulheres de antenas desligadas

com sonhos guardados atrás do armário

perfumados em langerieres rosas e brancas,

calcinhas sedosas esperando alguém para arrancá-las…

Mas a vida não é uma novela… nem minissérie…

nem nada diferente de um dia cheio de carros buzinando

levando com óleo diezel e gás

nossos amores virtuais.

Quem me dera ouvir Tim Maia ao lado do meu homem,

se ele existisse, claro, porque de sonhos e mágoas

o céu também é feito.

E de nuvens de algodão:

o meu é bem doce, eu sei, porém…

derrete-se antes de ser apreciado

por algum amor primaveril

que dentre tantas damas afoitas e apaixonadas

não se lembrou de mim,

foi-se embora acabrunhado

e não mais me quis

não mais me viu…

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