Os Santos (cont.)

                                       pág.26

Amândera, o Amor e os Ateus…

Os Ateus e o Sacerdote Lo ignoravam o que Amândera fora fazer naquela quarta feira em sua reunião costumeira, em Roma, na sede principal daquela estranha sociedade.

Saira precipitadamente com Lo, entretanto, já ciente das intenções dos Ateus, ela implantara uma espécie de sonda telepática  no cérebro de Edgar Santtoro, o presidente, quebrando mais uma vez o protocolo de sua missão, porém, era inflado de amor e boas intenções seu coração. O perigo, ela bem o sabia, era seu constante estado apaixonado. Só fora naquela missão por insistência de Lo e Visão.

Carragam 8, o dirigente executivo de seu planeta, ainda pusera em dúvida a sua vinda nesta viagem, porém, sabiam todos que o seu era um dos corações mais altruístas e puros do Universo. E Carragam era o oitavo na linha discipular do governo e jamais nenhum de sua linhagem houvera cometido um único engano sequer. Eram espíritos plenos de perfeição.

Porém, Amândera pensou que jamais havia conhecido um mundo como este que a conduzia em oscilações de sentimentos que iam do desprezo ao ódio, e muitas vezes era acometida de uma tristeza tão profunda, que seus olhos marrons ficavam tão verdes que roubavam o verde ao redor, deixando tudo empalidecido.

                                         pág.27

Os nativos realmente a deixavam em estado reflexivo e ela não aceitava um povo que dava as costas à natureza e aos ensinementos natos em seus espíritos. Ao invés disto, buscavam filosofias vãs em confiança de homens adúlteros e no charlatanesco ensinar dos homens ditos superiores.

Por que simplesmente não faziam a coisa certa? Por quer não aprenderam a escutar a voz do coração? E por mais que de fato fosse defeituoso este órgão no nativo, ela sabia que de qualquer forma era do coração, por mais deficiente que fosse, que este se restabeleceria ante seu habitat natural. O espírito ainda queria a paz e o amor.

Saiu de suas divagações com um leve tremor no corpo. Sabia e sentia que Visão a desejava, mas também tinha ciência de que o nativo haveria de ser prioridade. E que, sem ela, provavelmente Androro cumpriria sua catastrófica ameaça.

Já sentia-se abalada por ter provocado A Queda de forma tão irada. Não era mesmo sua intenção, apenas, era das artes – em seu planeta as artes eram deusas vivas – a música, literatura, cênicas, pintura.

Quis fazer um teatro em Roma e os efeitos especiais sairiam de seu corpo e jamais nenhum nativo sonhara com tal espetáculo.

Porém a igreja interferira e mesmo a proibira. E Amândera apenas exibiria uma das mais belas cenas de sensualidade da história, ao mostrar Jesus Cristo e Madalena fazendo amor como poucos casais em todo o Universo.

Sorriu e não pode deixar de sentir desprezo pela forma como os nativos se relacionavam por aqui: com tanto desamor e mentiras que seu  acasalamento não era considerado sério nem procedente nos relatórios oficiais do seu Senado.

Porque lá, o amor era inerente a todos e não raro, celebrava-se o casamento de dois homens com uma mulher, ou o contrário, de uma  mulher com dois homens.

Isto era o Amor!

(contnua)

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Sobre Day

As pessoas que consideram que a coisa mais importante da vida é o conhecimento lembram-me a borboleta que voa para a chama da vela, e, ao fazê-lo, queima-se e extingue a luz. (Tolstoi)
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