Os Santos (cont.)

                                        pág.23

 Os Anjos da Milícia

Laford chega na Empresa. Estaciona seu  carro modificado, um furgão com meio teto solar (para eventual fuga), à prova de balas.

Uma espécie de soldado toma-lhe as chaves para estacionar o carro.

Entra no prédio por uma porta automática onde se encontram mais dois soldados.

Vestem-se com jeans e camisetas pretas e usam coturnos herdados dos exércitos que agora estavam divididos entre os partidos atuais. Os que sobreviveram à guerra. A maioria têm a cabeça raspada e tatuagens estranhas nos braços.

O que Laford chamava de Empresa era a sede dos Anjos da  Milícia, uma organização formada por ex-militares e civis que atuavam neutros na política. Eram mercenários, por isso estavam ao lado da elite dos Ateus. Estes, ricos, mantinham tudo sob controle embora começassem a incomodar-se com o N.C.C. e Laford sabia que essa irmandade cristã pesquisava algo que poderia mudar o mundo de novo. Sorriu um sorriso gélido e excitou-se com a possibilidade de uma nova guerra. Era chamado entre os seus de ‘O Sanguinário’.

                                      pág.24

Já fazia alguns anos que nada acontecia e Laford já não suportava o marasmo e aqueles patéticos Ateus que só pensavam em controlar o mundo e ganhar dinheiro. Pensou que os mataria com prazer. Um a um, aqueles persnóticos e presunçosos ateus.

Ex-general do exército, sempre fora um homem frio mas exímio estrategista e numa possível guerra política, seu trabalho valeria muito dinheiro. Peso de ouro e isso não faltava aos Ateus pois toda a riqueza da igreja fora saqueada por eles. E Laford liderara o saque e portanto sabia que havia tesouros incalculáveis como uns pergaminhos  (nunca soubera como chamá-los), uns antigos escritos que Laford desconfiava serem os tais testemunhos, os evangelhos de Madalena e Judas.

Sentou-se em seu escritório e começou a ler os jornais antegozando a guerra iminente pela tomada do Poder. Outra vez sorriu malicioso.

Levantou-se e acendeu umas velas para São Francisco de Assis, santo de sua devoção desde criança quando aprendera com a mãe que este era um bom santo que ajudava a cuidar dos animaizinhos.

Como o matador era louco por cachorros e lagartos, associou  Francisco de Assis à sua vida.

                                       pág.25

Francesca entra na sala e Laford, do alto de seus cinquenta anos grisalhos mas robusto e muito atraente com seu perfil moreno, descendência árabe, automaticamente se excita com sua tenente dublé de ninfomaníaca. Alta, sedutora, mesmo de jeans e camisetas e botas. Cabelos curtos, de um castanho dourado e olhos escuros e frios como o aço. Era visão suficiente para Laford excitar-se. Pensava que francesca era sua versão feminina. Tão sanguinária ou mais que ele. O próprio demônio, como diriam os ex-padres, os que restaram e que se encontravam presos nos porões de seu domínio.

_ Laford! – sua voz era fria e rouca – Desconfio que o N.C.C. esteja a um passo de alguma descoberta valiosa.

_ Saberemos em breve. Ninguém haverá de quebrar o Tratado sob pena de morrer em minhas mãos.

Ela sorri maliciosa enquanto senta-se no colo do amante.

Rezava no Tratato que nenhuma descoberta inerente ao homem como um todo poderia ficar em sigilo…

Laford acaricia os seios da tenente enquanto sussurra já excitado:

 _ Ninguém passa o general Laford para trás…

Francesca beija-o sofregamente e puxa seus cabelos com suas unhas que mais pareciam pequenas lanças, lixadas de forma a ficarem afiadas.

(continua)

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