Leia quem quiser, mas hoje acordei assim…

daisy-mara.jpgTem dias que a gente acorda puto da vida.

Olha pela janela e vê que muita coisa passou por nós e nada ainda está resolvido,

Que a política continua purulenta, que o presidente é o mesmo e

Que o CPMF ainda faz estragos em minha conta bancária.

Os juros me humilham e quase não consigo pagar meu carro novo

Ou finalmente dar um pulinho na Europa.

Minha cabeça dá voltas e fumo uns cigarros pra tentar coordenar minhas idéias.

Olho pra minha cidade e vejo um Rio sombrio, uma cidade sem brio, sem sol e até sinto frio.

Calcanhoto, o que tu entende de sol?

Quisera eu ir pro Sul!

Merda!

Fico lerda, e quem me herda se eu morro afogada no mar revolto?

Sinto ao meu redor um mundo inválido, incálido, insólito, lunático, aidético.

As pessoas nas ruas com caras de gay, nissei, sunsay, one day…

Cara de bobo, acéfalo, artrópode, anêmico, anárquico, ridículo.

O motorista escroto, insosso, almoço do Capital. Pobre!

Não leio o jornal, a Poética, patética, fonética do caralho. Morfética vida.

Nada me convence enquanto não chego à praia sem sol, dia estúpido, estático, surpérfluo,

Exótico. Amálgamo, estranho. Que porre!

Um dia babaca, romântico, radiofônico, anti-clérigo, anti-fósforo, anti-Cristo, sorumbático.

Que mundo é este?  Perdida galactica, uma onda fantástica, muriática,

Eu frigida, Ártico, antipático poder. Presidente sem memória. Traumático.

Sou o quê? Nada, sem Prada, cutícula, ridícula, retícula película.

Água gelada, salgada, malvada. Eu inacabada, imaculada, exagerada, invertebrada.

A onda não me quebra hoje!

Que dia é este, apático, hepático, sarcástico?

Sou misógene, andrógeno, eclética.

Elástica, lisérgica, acéfala, idiota sem cheque especial, sem check in, sem a mim.

Que dia sem sol, que merda. Que morte, que coisa, que dano em mim!

Depois querem de mim um poema docinho, quentinho

E meu dinheiro, cadê? Minha poupança do banco tá magra

A bunda vai bem, mas a onda não vem. Merda!

Que filme assistir, eu ontem vi Santiago e uns curtas

Mas o que curtir num dia sem sol?

Cerveja – não! Não quero barriga. Maconha? Argh! O quê?!

Que homem, que rango, qual praia, que areia, a mais fina?

Ah, a malha fina quase me pega!

Leão subdesenvolvido, escrotos homens brasileiros:

Deixem minha grana em paz!

Quero pintar em Florença, tomar um café em Viena,

Me acabar em porres mediterrâneos.

Se não vou ? ha-ha!

Dou uma volta no Leão, vendo o carro novo

E morro feliz, afogada na maior das ondas,

Mas lá no Mediterrâneo!

Hoje estou lerda… Cadê o sol?!

Merda!

Para Maldito.

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