Remember…

imagem-008.jpgPARA MARCELA ( meu bebê quando tinha 4 aninhos ganhou este poema da coruja punk)

que as vitrines

são coloridas

e os pássaros

gorjeiam

apanhando ramos

no cair da tarde?

Sente

que o mundo

é muito grande

e nem todos

são iguais,

alguns amam

outros matam?

essa menina linda

mas cuida

da vida

como fosse uma flor

rega

e com amor

conserve-a.

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Quem sou eu afinal?

Talvez apenas uma presunçosa

blogueira

Sem eira nem beira

À beira do abismo

Na beirada de minha vida

Disfarçando minha tristeza

Perscrutando meu espírito

Inventando amores

Em alquimias distantes

Distantes do sol e da lua

Das luas dos sóis

E as noites são fake

Minha beleza é feia

Meu silêncio rascante

Desafino em meus poemas

Tão mentirosos

Tortos mal escritos

Como meu destino

Que traçaram ao bel prazer

Da desgraçada vida sem rumo

Que insisti em viver

Dando pra uns, momentos

De gozo eterno até o amanhecer

E a outros toda chama

Do meu inferno gélido

E fisiológico

Mas quem sou eu afinal?

Mulher e homem

Criança e velho

Todos reunidos

Entre minhas pernas lisas

creme  d’Boticário

Dentes rasgando carnes

Lábios mornos de sexo

E umidade na língua ferina

A rainha má

Cruel cachorra

A morder os meus amores

Sou fake sou feia sou má

A gostosa na praia

A velhice chegando

Onde estará a gostosura

Da bunda e dos peitos

Imitando o silicone

É natural – pode pegar!

Mas e a dor na madrugada

Cadê o revisor

Dos textos

Imundos e obscenos

Que eu dei pra ele

Pra ela e pra mim

Pro diabo

Me fazer amor daquele jeito..

Quem sou eu afinal?

Burra garotinha

Que invade as camas dos amigos

Sem escrúpulo sem noção

Cuidado, sexo é pecado

Só amando dá certo

Mas meu amor é fake

Eu sou bela, gostosa e feia

A rainha má

A vampira espacial

A caçar cometas e gametas

Escravizá-los por uns momentos

E depois assassiná-los

Loucos de prazer e saudade

Quem sou eu, afinal?

Uma contadora de estórias

Mentirosa perfumada

Profanada em Alcorão

E entre os padres

Safada fadinha disfarçada

Em flor de liz

Margaridas indecentes

Não amo não amo não amo

Sou fake sou feia e quente

Esquece este rosto essa língua

E esta roliça e rotunda coxa

Que te aqueceu lá atrás

Era mentira, eu nem gozei

Sou má, perversa mundana

Poeta das abelhas

Meu ferrão te mata

Entre minhas pernas que te estrangulam

Enquanto morres a perguntar

Quem sou, ora, a poeta má

Sou fake, sou feia

A linda bruxa que

Encanta o macho

Antes de amá-lo

Arrebatá-lo de prazer

Divorciada carente – ha-ha!

Quanta mentira, Juan!

Ah, e como dou prazer

Mas vá embora agora

Já sabe quem sou eu

Sou fake sou feia

Sou má.

Vista tua roupa.

Mais tarde tenho um encontro

No MSN…

Ele, o poeta, maior dos meus amores…

pessoa81.jpgEROS E PSIQUE

FERNANDINHO PESSOA

Conta a lenda que dormia
Uma Princesa encantada
A quem só despertaria
Um Infante, que viria
De além do muro da estrada.

Ele tinha que, tentado,
Vencer o mal e o bem,
Antes que, já libertado,
Deixasse o caminho errado
Por o que à Princesa vem.

A Princesa Adormecida,
Se espera, dormindo espera,
Sonha em morte a sua vida,
E orna-lhe a fronte esquecida,
Verde, uma grinalda de hera.

Longe o Infante, esforçado,
Sem saber que intuito tem,
Rompe o caminho fadado,
Ele dela é ignorado,
Ela para ele é ninguém.

Mas cada um cumpre o Destino
Ela dormindo encantada,
Ele buscando-a sem tino
Pelo processo divino
Que faz existir a estrada.

E, se bem que seja obscuro
Tudo pela estrada fora,
E falso, ele vem seguro,
E vencendo estrada e muro,
Chega onde em sono ela mora,

E, inda tonto do que houvera,
À cabeça, em maresia,
Ergue a mão, e encontra hera,
E vê que ele mesmo era
A Princesa que dormia.

Para um certo amigo…

Pablo Neruda

MORRE LENTAMENTE

Morre lentamente quem não viaja, quem não lê, quem não
ouve música, quem não encontra graça em si mesmo.

Morre lentamente quem destrói o seu amor-próprio, quem
não se deixa ajudar.

Morre lentamente quem se transforma em escravo do
hábito, repetindo todos os dias os mesmos trajetos, quem não muda de marca,
não se arrisca a vestir uma nova cor ou não conversa com quem não
conhece.

Morre lentamente quem faz da televisão o seu guru.

Morre lentamente quem evita uma paixão, quem prefere o
negro sobre o branco e os pontos sobre os “is” em detrimento de um
redemoinho de emoções justamente as que resgatam o brilho dos
olhos, sorrisos dos bocejos, corações aos tropeços e sentimentos.

Morre lentamente quem não vira a mesa quando está infeliz,
quem não arrisca o certo pelo incerto para ir atrás de um
sonho, quem não se permite pelo menos uma vez na vida
fugir dos conselhos sensatos.

Morre lentamente, quem passa os dias queixando-se da
sua má sorte ou da chuva incessante.

Morre lentamente, quem abandona um projeto antes de
iniciá-lo, não pergunta sobre um assunto que desconhece ou não
responde quando lhe indagam sobre algo que sabe.

Morre lentamente…

Para ANNY   (pelo seu maravilhoso post)

http://anny-linhaozzy.blogspot.com/
 

Poesia da Maga

images2.jpgEu te olhei e tu me olhaste e neste instante… bem, neste instante nada aconteceu.

O mundo continuou a girar sobre seu eixo e a vida seguiu – a minha e a tua.

Com a diferença de que, agora, o teu olhar fazia parte do meu mundo,

deste mundo indiferente a girar sobre seu eixo.

E então eu já não andava pelas ruas olhando para o chão.

Andava olhando nos olhos, essa multidão de pares coloridos,

procurando embebedar-me, mais uma vez, na profundeza liquida de tua íris.  

Encontrei olhos que contavam toda uma vida –

vida recheada de amarguras e alegrias –

e estes olhares que encontrei sempre me sorriram de volta,

por vezes o sorriso opaco do desesperançados, por outras o sorriso luminoso dos amantes.

Fui percebendo que o que eu via nestas retinas eram reflexos do que eu já havida vivido:

essas expressões me contavam a história de um mundo do qual eu também fazia parte,

de uma vida da qual eu também compartilhava.

Aprendi a andar olhando nos olhos, primeiro te procurando, depois procurando a mim…

nunca mais te encontrei. Mas tu me deixaste um presente: com teu olhar me devolveste

ao mundo, a vida… tu me devolvestes a tudo que havia de mais humano e sublime

em minha alma.

E por isso, às vezes, me lembro das tuas íris tão profundas, liquidas, e sinto-me estremecer…

 esse tremor que nada mais é que a vida se fazendo presente pela presença fugidia de teu

olhar.

Marcela, você está em boa companhia com Clarice.

http://metamorfosepensante.wordpress.com/
 

Clarice Lispector, não. Autor desconhecido

NÃO TE AMO MAIS

Não te amo mais.
Estarei mentindo dizendo que
Ainda te quero como sempre quis.
Tenho certeza que
Nada foi em vão.
Sinto dentro de mim que
Você não significa nada.
Não poderia dizer jamais que
Alimento um grande amor.
Sinto cada vez mais que
Já te esqueci!
E jamais usarei a frase
EU TE AMO!
Sinto, mas tenho que dizer a verdade
É tarde demais…

( Agora leia esta poesia de baixo para cima. Pura arte … pura genialidade … )