Poesia da Maga

images2.jpgEu te olhei e tu me olhaste e neste instante… bem, neste instante nada aconteceu.

O mundo continuou a girar sobre seu eixo e a vida seguiu – a minha e a tua.

Com a diferença de que, agora, o teu olhar fazia parte do meu mundo,

deste mundo indiferente a girar sobre seu eixo.

E então eu já não andava pelas ruas olhando para o chão.

Andava olhando nos olhos, essa multidão de pares coloridos,

procurando embebedar-me, mais uma vez, na profundeza liquida de tua íris.  

Encontrei olhos que contavam toda uma vida –

vida recheada de amarguras e alegrias –

e estes olhares que encontrei sempre me sorriram de volta,

por vezes o sorriso opaco do desesperançados, por outras o sorriso luminoso dos amantes.

Fui percebendo que o que eu via nestas retinas eram reflexos do que eu já havida vivido:

essas expressões me contavam a história de um mundo do qual eu também fazia parte,

de uma vida da qual eu também compartilhava.

Aprendi a andar olhando nos olhos, primeiro te procurando, depois procurando a mim…

nunca mais te encontrei. Mas tu me deixaste um presente: com teu olhar me devolveste

ao mundo, a vida… tu me devolvestes a tudo que havia de mais humano e sublime

em minha alma.

E por isso, às vezes, me lembro das tuas íris tão profundas, liquidas, e sinto-me estremecer…

 esse tremor que nada mais é que a vida se fazendo presente pela presença fugidia de teu

olhar.

Marcela, você está em boa companhia com Clarice.

http://metamorfosepensante.wordpress.com/
 

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