Estava chovendo…

Era uma sensação aterradora e confortável ao mesmo tempo. As fileiras da chuva na janela a encantavam enquanto tomava um capuccino quente e doce, usando apenas uma camiseta branca Hering e uma calcinha verde com babados rendados. Cabelos molhados ainda da chuva no fórum e suas pernas eram mesmo fantásticas após o creme massageado com tanto cuidado.

Pegou o jornal e de novo sorriu daquela sua foto sem graça. Seria bonita? Não saberia dizer. Apenas estava lá, o vestido vermelho e sensual, a alcinha escorregando pelo ombro esquerdo e somente ela decifrava aquele olhar de flash naquela coluna.

Levantou-se do sofá e entrou no corredor comprido que levava ao seu quarto. Abriu a porta e escolheu um vestido bem curto para usar com botas, aquelas de cor preta e bico fino que alcançavam seus joelhos perfeitamente redondos e firmes.

Não usaria o vestido da foto. Preferiu o preto que fazia a cintura mais perfeita que um corpo de mulher pudesse desejar.
Ficou linda de verdade. O batom cereja e o bracelete de ouro acompanhavam um perfume exótico que misturava essências florais e cítricas.

Revirou na bolsa e achou a piteira longa. Os cabelos foram secos com o secador manual e estava pronta para sair.

Sair de sua tristeza, sua solidão causada pela má educação dos machos sociais. Riu desta colocação e riu de si mesma, uma fêmea totalmente insólita e má.

Abaixo de seu prédio de luxo em Ipanema tinha um restaurante bem aconchegante que servia deliciosos pratos de massas com frutos do mar. Mas os drinks eram perfeitos. Tudo era sublime para ela naquele dia depois do fórum, onde deixara seu ex-marido com desejo e ódio ao vê-la sair com seu vestido vermelho em seu carro importado, vencedora e poderosa.

Ela tomou uns drinks, deu a metade de um salário mínimo para os garçons e se foi feliz.

Quando parou no sinal, um menino a abordou, pedindo dinheiro para cheirar cola e pó. Ela sorriu e o convidou para dentro de seu carro. Pararam. Sentaram-se no banco onde Drummond calmamente ouvia sua conversa.

Falaram sobre tantas coisas. O menino admitira que queria assaltá-la e ela, rindo, disse que o sabia mas que sua vida já havia sido seqüestrada fazia tempo por um marido estranhamante passional que a empurrara das escadas e a fizera perder seu bebê.

O menino riu e a convidou para ser sua mãe. Ela sorriu e disse que poderiam tentar.

O menino recostou a cabeça negra em seu alvo ombro perfumado e perguntou relaxado e feliz:

_ O que você faz? Você é rica? Tinha uma foto sua no jornal…

Ela o acaricia:

_ Naquela foto estou ganhando um prêmio porque escrevi um livro muito bonito…

O menino animado:

_ Eu sei ler! Qual o nome do seu livro?

Ela o beija na testa suja e responde com um sorriso realmente de satisfação:

_ Chama-se: “Por que perder tempo com maridos? Adote uma criança”…

E saíram felizes de mãos dadas. A escritora percebeu que tudo que se escreve, ou acontreceu ou haverá de acontecer.
Afinal escrever era magia que dominava a alma somente de alguns mortais…

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