Quando o poeta chora

A mágoa quando vem no homem
Ele está desprevenido, subtraído em seu ser
Está com a cara pálida sem ver o sol nascer
Encontra-se longe da memória assombrada
Que um dia o fez crescer de amor
Mas a mágoa destrói ele por dentro
E o faz desistir da vida, da alegria de cantar…

A mágoa assombra este homem que mal começara andar
E nas estrelas em que confiou, descobriu
Que amor, ódio e impostos dão no mesmo
Que as igrejas blasfemam e enganam o pobre homem
E aprende que mulher alguma vale sua vida
E seus beijos tornam-se azedos e sem sentido

Que o tesão se vai entre as contas a pagar…
Voltar para um cidadezinha cinzenta e triste
Pode ser a única solução para quem morre de amores
Nos braços de mulher perversa e louca.

E a mágoa rondará seus dias naquela cidade
Onde não mais chegarão cartas ou e-mails
Telefonemas, faxs ou sinais de fumaça
Nada, nada a lembrar de sua musa tão desejada
E esbofeteada pela sorte de dois corpos em solidão

Mas, e Deus que os salvaria,
Onde esteve na hora da última lambida
Último orgasmo… e aquele adeus no aeroporto
Onde se finge estar tudo bem, afinal os civilizados
Ficam amigos depois de frustrado amor?…

Mas não!
A mágoa está lá, triturando o coração do homem
Daquele poeta sensível e meigo que jurara amor eterno…
Ela está no silêncio da noite onde o homem chora
Pela sua fé estragada nos braços de devassa santa
Entre as pernas perfumadas, calcinha de lado – excitante Pecado.

À noite só o vento sopra na janela do poeta que agarra
Suas magras pernas e deixa o cabelo cobrir seu rosto fino
Enquanto de sua boca saem palavras sussurradas… não, não São palavras
Mas um único nome a ser repetido por vezes até dormir…
O nome dela…

Mas ele não está só, a mágoa faz-lhe companhia
E ele adormece preso ao travesseiro, sem saber que um dia
Ela, seu amor, estará de novo em seus braços
Porque em sua própria poesia foi escrito uma vez
Que aquele amor era pra sempre e que nem era só desta vida

Assim, o poeta que descanse em paz porque ainda que levem Séculos
Sua musa estará de volta em seus braços longos a observar
A tatuagem da flor que carrega o nome dela

E por isso mesmo o amor dói, tem que sangrar porque acaba
Para começar outra vez
Talvez numa próxima cidade menos cinza e violenta.

Anúncios

Sua opinião me interessa ;)

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s