Saudades


Saudades de você
Vontade de posse
Desejo de dormir…
Ah, como eu quero
Teu corpo nu
Dentro do meu.
Tua boca
Tua língua áspera
A me fazer carinhos
Em toda parte.

Mas você tá longe
Faço o quê?
Imagino-te
Ou durmo insegura?

Volta, cachorro grego!
Olha em volta:
O cio dos deuses
Está por vir…

Se não vem eu vou,
Só não sei pra onde…
Os lobos uivam e
Lobisomens rondam o meu quintal.

Se você não vem
Fatalmente eu vou…
Vou voltar pro nada
E de lá, gozarei sozinha
Com raiva de você.

Anúncios

Esperança


Duas crianças vinham caminhando pela estrada de barro quando uma parou e disse:
_ Não agüento mais andar.

A outra, uma menina respondeu:
_ Mas se não andamos não chegamos.

Assim, o menino levanta-se e seguem, com sede e fome estrada a fora.
Dias depois chegam em um vilarejo e encontram pessoas que as acolhem em suas casas.

Comeram, beberam. Limparam-se e foram dormir.
Quando acordaram, era uma grande favela. As pessoas indo trabalhar enquanto alguns homens de armas nas mãos se recolhiam.
Elas entreolharam-se e resolveram ir embora.
Caminharam por anos e cansados resolveram desistir de vez.
A menina disse:
_ Melhor desistirmos, por fim…

O menino, já com a voz se modificando devido à idade, retruca feliz:
_ É melhor mesmo que nos mandemos daqui. Não gostei de nada.

A menina assovia e aparece um cavalo alado. Eles montam e se vão. Mas uma lágrima cai do rosto dela. Esta lágrima molha a terra e nasce, dias depois uma árvore muito verde. É a árvore da esperança. Desta árvore nascerão frutos de esperança que aplacarão a fome de todas as crianças do mundo.

Eles então se vão felizes sumindo pelos céus infinitos…

A mãe entra no quarto e sacode Josias:
_ Anda, moleque! Quer perder a hora? Ou a merenda?

Josias:
_ Mãe!… Eu tive um sonho lindo…

A mãe desdenha o guri:
_ Vai sonhando mesmo! Ou estuda direito ou volta pro sinal…

O menino:
_ Mas você falou que eu não mais iria pedir dinheiro!…

A mulher com olheiras responde:
_ Só estou deixando esfriar… Esse maldito juizado…

O menino se levanta, veste o uniforme e sai para a escola, de barriga vazia. Olha para o céu e diz:
_ Puxa… E se não fosse um sonho?…

E sai andando de cabeça baixa, sem notar uma pequena árvore em sua calçada de terra. Uma árvore verdinha que não estava alí no dia anterior.

E agora, Fidel?


Fidel tá velho, os moços lamentam,
O ditador se entrega mas o mundo
Continua nas mãos do inimigo.

A sopa esfriou por aqui
Os caveirões nas favelas
E as roupas de marca
Até a novela nova da Globo
É ruim, é ruim.

Adeus Fidel, você resistiu
Mesmo sem seu parceirão lá
Manteve sua filosófica ditadura
Acreditou em educação e saúde
Mas por aqui o Miguel Couto fede.

Lá perdi um amigo, lá deixou seus cabelos
Mas e agora Fidel Castro
O sistema castrista sobrevive
Ou vamos todos à Disneylândia comemorar?

Limousine agora, Fiat e muito english?
Esta ilha é poderosa, as meninas também
Assemelham-se às nossas prostitutazinhas
Mas você fez o que pode.

Agora é esperar o cão rugir
Mas por enquanto ele está
De olho no outro lado do mundo
E por enquanto o mundo está seguro
Apenas contabilizando as mortes
Da última guerra.

Mas diz aí Fidel:
Você, nosso último dos moicanos
Nosso barbudo del Cuba
Como se sente, homem?

Tu é história, segurou metade de um século.
Mas… o hot dog não perdoa.