Mãe, mãezinha…


Marcela, filha da Dai 🙂

Perder, é um pouco mais que morrer,
É estar no meio do meio fio amolado
Esperando o telefone tocar…
Mas se ela não sabe o número…

Então daremos perda total à filha
Que desaparece no ventre da mãe
Do ventre sem mãos ávidas,
Mãos deficientes que não puderam
Segurar um filho da forma certa.

Há no colo da mãe, um instrumento
Pouco cirúrgico, dormente e único:
É o colo do útero? Da espécie?
Seja como for ou fosse
É difícil ser mãe.

Umas eu conheci enterrando seus filhos,
Outras, os deserdando no vaso sanitário.
Hoje eu soube de uma que viu a filha desaparecer
Entre as sombras da noite pagã…
Aqui mesmo onde vigoram o tráfico
E a prostituição.

E eu diria, em canção de ninar
Que abençoada seja talvez a criatura
Que não procria.
Pois esta é isenta de culpas e dores,
Esta dorme em paz
Porque seu filho não é
Um desaparecido nas trevas
De um mundo sem amor.

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