Adagas

Mais um crime aqui no Rio de Janeiro. Aqui perto de casa. Aqui no mundo.

Ele nem queria deixar transparecer que era um homem sem infância,
E sorrateiramente entrou no mundo de Eliza, esta menina sem muita sabedoria
Que o permitiu vasculhar suas pernas, seu guarda-roupas e seu diário.
Mas ele não sabia o que fazer com esta flor tão jovem em seus braços
E desabou seu corpo sobre o dela com adagas pontiagudas e frias palavras,
Lâminas sangrando o coração de Eliza, Elizabete, Bete nas mãos da besta.

Olha lá em cima, Eliza, as nuvens te levarão a um mundo outro…
Agora teu corpo flutua e teu espírito descansa daquele homem vilão.
No chão de tua casa a perícia recolhe as provas do teu desamor.
Calma, Elizabete, ele pagará pelo que fez… Como? Não sei bem.
Mas acho que tem a ver com inferno, um monstro morderá sua consciência
Sempre que lembrar que lavou com sangue o amor de Eliza…
Esta menina que deixou seu diário e suas roupas como herança perdida.

Pobre Eliza, pobre homem sem razão. Seu coração é um canhão,
Mãos de um beija-flor assassino que escreve letras de música
Mas quem cantará no enterro de Elizabete?
Rouxinós favelados, bandidos armados zunindo o estilhaçar covarde?
Descanse Elizabete. O pior já passou. A agonia finda junto aos teus.
Sei que sentiu as dores do amor marginal e do ódio de um drogado…

Mas daqui eu ouço um tilintar que vem de longe,
Serão anjos a te buscar, minha Bete querida, serafins afim de te levar
À Terra do Nunca, ou nunca mais verás o sol da tua praia e fim?
Calma menina. Descanse enquanto nós iamginamos teu algóz enforcado
Na cela de uma cadeia.

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2 comentários em “Adagas

  1. Luz da chuvaO dia todo as estrelas observam de muito tempo atrásminha mãe disse já estou indoquando você estiver sozinho ficará bemsabendo ou não você saberáolhe para a casa velha sob a chuva na alvoradatodas as flores são formas de águao sol as recorda através de uma nuvem brancatoca os retalhos espalhados na montanhaas cores lavadas da pós-vidaque viviam ali muito antes de você nascerveja como despertam sem fazer perguntasmesmo que o mundo inteiro esteja em chamasW.S. Merwin na tradução (work in progress) inicial da Adriana Lisboa, que aliás, recomendo muito. Vocês conversam bastante. Achei essa conexão. (aqui: http://caquiscaidos.blogspot.com/)Bjs.

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