Animal

Se ele me perguntou, não sei bem… Não me lembro
Mas se ele mo indagasse agora, eu prontamente responderia
Que melhor seria que sua vista vagasse que nem vagalume
De encontro aos miseráveis insetos que arrastam-se irradiantes
Durante, no meio e até antes de descobrirem-se nada!

Assim sente-se, talvez, uma mulher só,
Ou um paralítico desumano que aleijaria um cão
Se fosse necessário roubar-lhe os ossos.

Eu sou, quem sabe, um poste onde aquele cão mijou sem pernas
Ou até mesmo o extinto vagalume de meus dias solitários
Quiçá até um defecar do inseto que viveu por algumas horas…

De qualquer forma, a mulher rasteja sempre
E esta deve ser a cadeia alimentar das trágicas aberrações…
Afinal, um come o outro, sugando o linfa
E o prazer por pura inveja
De jamais conceber o amor do outro.

Agora, apago as luzes e saio voando como o vagalume
E por isso poderei vagar e vagar.
Só que eu tenho pressa
Porque, assim como o cão
Os insetos e os postes
Tudo, tudo um dia há de acabar…

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