Dedicando meu dia…

1804983.jpgHá dias, como o de hoje, que sinto-me, além de impotente, vejo-me egoísta, subjetiva num momento em que tantas vozes precisam ser ouvidas.

Imagino quão indecente eu sou em usar este espaço apenas para falar de minhas coisinhas espirituais, poéticas e artísticas – inda mais que minha arte sempre foi meio canastrona – aí eu penso que o mundo é infinito e que minhas ousadas pernas que já andaram tanto, apenas deram voltas e circularam pelo meu egoísmo quase fascista de me vir deslumbrante, dona de minha vida, de minha casa, minha conta bancária e meus projetos ousados (fazer filminhos e virar diretora de cinema um dia ha, ha, ha).

Basta olhar em volta para perceber que o mundo encontra-se em profundo caos, que nenhum presidenciável norte-americano se importa de fato com a democracia genuína, ou que nenhum desses imperialistas esperam dos estrangeiros latinos mais que trabalhos secundários. Nada mudará a humilhação dos afrodescendentes expulsos e enfim…

Pergunto de que vale usar um espaço virtual onde só giro em torno de mim mesma, uma brasileira que não se importa em escrever sobre nossos índios apartados em territórios geograficamente inumanos. E o pior é saber que corre em minhas veias todo DNA brasileiro e eu apenas anseio por escrever essas merdinhas pseudo-contemporâneas, sem querer divulgar crimes cometidos contra a fauna e flora do meu país.

Vou ao restaurante e como churrasco, mesmo sabendo que a derrubada das florestas se dão em função das criações de gado. Que esta mesma criação consome mais água que nosso planeta suportará suprir num futuro próximo.

Mas eu peço ao garçom a conta satisfeita, depois de me sentir uma pessoa honesta, que estuda, lê, trabalha e coleciona amigos legais, intelectuais, escritores e tais.

Mas ainda bem que existem esses dias em que  recolho-me à minha insignificância, fico de camisola em frente ao PC, buscando uma forma de contribuir com o mundo à minha volta.

Assim, por um segundo de humanidade em meu coração, meu dia de hoje eu dedico ao HENRIQUE, que vale muito mais que eu, este ser egocêntrico e falho.

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