The Last Temptation of Christ Porque o cinema é mentira


A última tentação de Cristo

Para a cor azul dos olhos do messias há várias teorias. Cientificamente Jesus Cristo seria moreno, cabelos pretos, olhos escuros. Porém os antigos hindus afirmam que um homem iluminado tem uma forte luz nos olhos que os clareia quando em êxtase. Nos evangelhos há descrições do filho de Deus com um intenso brilho nos olhos, ‘um brilho como os céus.’ Ok.

A partir do romance homônimo de Nikos Kazatzakis (1960) nasce o roteiro espetacular do autor e o guião Paul Schrader. E para completar esta obra prima, temos aí a direção do não menos genial Martin Scorcese neste filme de 1988. Proibido em vários países por ter sido condenado pela igreja católica, só veio a ser liberado no Chile, por exemplo, 15 anos depois, em 2003.

Entretanto, cinema é a capacidade de fazer mentira. O autor do livro apenas deu asas à sua imaginação, a partir das sabidas crises de Jesus Cristo. Em muitas passagens dos evangelhos vemos a descrição do apelo do homem ao Pai – “Afasta este cálice de mim…”

O autor viajou na possibilidade de Jesus ter aberto mão de sua missão e simplesmente ter desistido de ser o messias para viver tranqüila e normalmente como qualquer mortal.

O grande desfecho é que impressiona porque aí Cristo descobre, depois de casar-se com Maria Madalena e envelhecer, o messias descobre ter sido vítima de um ardil de Satanás.

É um belo filme que se aproveita de mentira para fazer o verdadeiro cinema contemporânio e reflexivo. Talvez a igreja tenha se assustado em função de o filme poder provocar dúvidas na cabeça do homem. Mas, assim como as ditaduras militares, as igrejas, muitas vezes tropeçam em sua ignorância diante da arte. Principalmente da sétima arte.

Tecnicamente é perfeito o filme com a direção de Scorcese (indicado ao Oscar) e um Jesus Cristo na pele do excelente Willem Dafoe. Harvey Keitel como Judas deixa a desejar, não entendo o porquê. Chegou mesmo a ser agraciado com o troféu Framboesa de Ouro pela pior atuação de um ator coadjuvante. Crises religiosas internas?
Porém, Harry Dean Stanton como apóstolo Paulo é divina (ops!).

A participação de David Bowie como Pilatos é um escândalo de boa.

A trilha sonora de Peter Gabriel é um espetáculo à parte com auxílio luxuoso de percussionistas brasileiros. Indicação ao Globo de Ouro. Aqui, assiste-se ao raro casamento bem sucedido de som e imagem.

Mas Bárbara Hersley como a ardente Maria Madalena rouba muitas cenas.

Que tal assistir de novo? Uma analogia perfeita de nossas dúvidas e fraquezas na pele do Homem. O Cristo redimindo nossa pequenêz. Perfeito. Em todos os sentidos.

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