espelho meu


como cacos no espelho
vejo que o erro deu-se
num momento de profundo corte
açoite no meio de tanto amor
morro eu, morre você
em mal traçados passos
eu durmo santa
depois de perceber
que o reflexo
fora visto em direção
mais que equivocada
suspensa em frágil linha
onde dançam lembranças
inseguras pajelanças
na sombria noite sem deus…
assim deu-se o fim.

Anúncios

acabado enfim


o doce vira sal na língua azeda, cansada

enquanto açúcar esfarela garganta abaixo

entre o mel e a viagem insossa que derrama

as minhas ilusões em cada gota áspera

do bruto melado sem gosto eterno

na refinaria de minha alma.

meu coração é pulso forte

que aguarda convalescer da cama

aquela onde beijos e facadas apadrinharam

um casamento de duas afoitas borboletas.

e no arvoredo do quintal

as abelhas riem de minhas feridas

das picadas que incham minha pele

de cor dúbia – sem sangue eu sou.

sem viagem, postagem sem rumo

meu agonizado ser sem paladar

consome e lambe apenas o sumo

do dissabor daquele amor

que mutante

estrangulou a mais doce

ilusão vivida por uma borboleta

virtualmente anônima…