A Fênix apoplética :P

Olá amigos!
Este blog é a continuação do Blog da Dai 🙂
Enquanto procuro meus + ou – duzentos textos, dentre contos e tantas experimentações he,he, vou mandando ver por aqui.
Um saliente tendão de minha mão direita cismou de romper no vidro de minha janela, o que condena-me a ficar por quase dois meses escrevendo com a mão esquerda 😦

Mas não se livraram da Dai 😛
Bem vindos,
Beijo!

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Ataraxia

Saiu de casa às três da manhã enquanto Ludmila mijava no vaso limpo de água sanitária e Omo-multiação.

Ainda ouviu seus berros de dor e frustração. Ainda enxugava o pênis com papel higiênico importado.

Cruzou encruzilhada das pombagiras perfumadas e Ludmila do portão acusava-o ‘corno’ e ria mais que qualquer rainha. Nem Marco Antônio, o vizinho que lia Sêneca entenderia a leveza dele naquele momento.

Ainda escutou os saltos do sapato dela arranhando o capô do Honda e ainda pode escutar um falso desmaio alcoólico do scotch da última viagem a uma Escócia distante.

Suspirou quando seu corpo levitou como um truque perfeito. Algumas pessoas saindo de uma festa ficaram sóbrias com tal visão.

Voou como um deus mitológico pelo Éter e sumiu acenando para a deusa ruiva Gucci.

Ainda viu, antes de entrar nas nuvens, o anular irado de Ludmila apontado para ele, brilhando com o maior dos diamantes.

O jantar


Ela chegou em casa. Pousou as sacolas no chão, com o cuidado de separar os camarões e jogá-los na pia da cozinha. Verificou o vinho. Tudo perfeito.
Levou as bolsas com etiquetas de promoção para seu quarto. Suspirou enquanto imaginava como seria aquela noite de chão de estrelas.
Voltou para a cozinha e derramou gotas de limão nos frutos do mar. A fumaça do champanhe cozinhando e aromas de incenso de cravos no ar pediram um blues. Ah, o velho e bom blues.
Fechou os olhos e quase que em espasmos agradeceu a Deus por aquele amor. Uma súbita paixão em sua vida de amante andarilha. Infeliz e cética.
O gato roçou suas pernas, trazendo-a de volta à cozinha.
Ok, tudo pronto, ficar linda e esperar. Champanhe ou vinho primeiro?
Beijar primeiro.
O gato ronrora preguiçoso no colo de seu vestido novo. Oi, ‘cuco’, meia noite? Já?
Ele não foi. Mas o gato amou o camarão no Champanhe.

erros de mim

livre como voar em tantos braços

eu sou nítida como foto digital

perversa como o verão que despede-se

 andorinha dormente alucinada

assim eu vou em troça buscar em teu alento

fogo de queimar a paz que não te dei

desta forma remexo meus escritos

e escrevo menos devido enfermo manuscrito

boca aberta passo torto endividado… vê o vazio?!

por que corri pro lado errado


e confundi um mau reflexo

nos estilhaços do vidro

da minha paixão?

provável e científico desprazer

aquela estranha despedida que vai

vai e volta pros meus braços

e jamais acaba e tampouco sacia

haja verão e linha pra andorinha

e os fios trucidam esta mão que ao escrever

descreve tanta mentira e imaginação

do que não existe…

ou há?