Estranhos Édipos

Onde estarei eu neste momento:

na modernidade de meus dias

ou vagando como Medéia

a vingar-me de um amor

destroçado pelo

mal traçado destino?

 

E tua mãe estranhamente amante

de teu corpo fino, sutilezas

de quem não pode amar

da forma que arrebata a vida

e a morte…

 

Causa úlcera saber

de tanta má virilidade

que entrega o homem

a um deus pagão

dragão sem estrelas.

 

Sorte tem a tua mãe

que não alcança

o teu desejo, a ironia

dos teus inválidos beijos.

 

Onde já se viu marcar

como cachorro

um território árido

que é meu coração

insano músculo

a desdenhar a tua tão fraca carne.

 

É possível que esqueças

esta mulher…

mas qual delas:

 

A tua amante que te lambe

em desespero cruel

ou a desgraçada mãe

que não pode copular

com o louco filho

 

Que por cima

 ainda é herege

e carrega nas mãos

a sórdida marca

de um amor desfeito,

 

Que usa na mulher

a carranca como maquilagem

que nos lábios resseca

em envenenada saliva

 

A má palavra em maldição

a inveja, a ira e o ódio

em direção ao fim

que outra anciã fanática – tua mãe

em adubo plantou

 

Em nosso promíscuo amor

amor de fel e ventania

entre louvores e gemidos

te fez render ao cúmulo

da antiga crença…

 

E castigado voltas

aos braços do demônio de seios

que embalou-te

nas redes do teu deus

que não vive

entre nós amantes…

 

Toma então, maluca mulher

toma teu filho doente de volta

e em oferenda entrega-o

à mais virgem das mortais.

 

Anuncia sua volta

e em convites dourados

a todos conclame!

 

E que a esfinge seja meu rosto

estampado em tinta borrada

eu, a prova do guerreiro

a caça do herói teu filho,

 

Eu, abatida como belzebu

por  tuas maternas lanças!

 

Pois que sou eu mesma em carne

o testemunho

de toda dor sentida

nas ruínas

do meu reino.

 

 

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4 comentários em “Estranhos Édipos

  1. Você é uma romântica nata, nós já conversamos a respeito e esse é um ponto final. É nata e faz uma espuma linda e saborosa. Que você consegue bater num lamento trágico, com novas vozes e ares. Colocando sentimentos mistos da rejeição e vingança de Medéia, vaticinando o destino do desterrado como Édipo. Não furou os olhos dos filhos e sim do amado. Belo e catártico castigo. Beijos.

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