O amor é gay

  

 O que é saudade quando um fica sem outro…

Se outro foi embora, não ficou certo e acertado:

Algo foi mal e algum sentimento diferente de amor

Expulsou como furúnculo o que chamavam eles

Plenitude?

 

Mas se um foi embora o outro também

Não há de seguir,

Não é dito que a fila anda e amor acaba?

Acaba ou se renova, murcha e desabrocha…

Então é broxa o amor?

 

Medo de que disse um ao outro, deixe que falem!

Mas de que falam as línguas se o amor é belo;

O que temer neste caso, alguém me explique

Que leiga sou nas coisas de tal emoção.

 

Confio mais em sexo seguro,

 Companhia pro cinema;

Mas Romeu e Julieta fazem trágico o amor,

Esse sentimento alguém o inventou

Se não foi Shakespeare certamente

Foi o século dezoito, ah se foi….

 

Mas pra terminar, um foi embora mesmo

Outra cidade ou país trabalhar na IBM.

E outro continua desenhando vestidos

Pra que eu possa ficar bonita

A desdenhar o amor…

(Ask The Dust)

 

Visite também o   Escombros do Vácuo

 

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Dead Man – Jim Jarmusch

O diretor Jim Jarmusch é este gênio do cinema independente. Bem sucedido e sempre cult, foi aluno, na década de 80 de Nicholas Ray e de Laslo Benedek na Escola de Cinema de Nova York . Nascido no Ohio, em 53, representa a ousadia do artista que não se rende ao glamour hollywoodiano.

Dead Man é a estória quase surreal de William Blake (Depp), um jovem que viaja para o Oeste em meados do séc. XIX, mas sua viagem começa mesmo quando involuntariamente se transforma em um fora da lei.

Conhece e fica amigo de Nobody, um índio que por ter estudado na Europa quando capturado, o confunde com o escritor morto William Blake.

Os diálogos são quase filosóficos e os cortes de cena são sempre em fade in (escurece uma cena e acende em outra). Uma viagem certamente.

Já deu pra perceber que o filme – p/b – é mesmo uma viagem. Sem contar com a música de Neil Yong. E Jhonny Depp no papel principal, claro.

Visite o Blog da Dai 🙂
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O Jardim do Amor

Tendo ingressado no Jardim do Amor,
Deparei-me com algo inusitado:
haviam construído uma Capela
No meio, onde eu brincava no gramado.

E ela estava fechada; “Tu não podes”
Era a legenda sobre a porta escrita.
Voltei-me então para o Jardim do Amor,
Onde crescia tanta flor bonita,

E recoberto o vi de sepulturas
E lousas sepulcrais, em vez de flores;
E em vestes negras e hediondas os padres faziam rondas,
E atavam com nó espinhoso meus desejos e meu gozo.

William Blake