Robert Frost

Acabei de ler umas poesias de Robert Frost, esse que é talvez o maior poeta norte americano do séc. XX, ganhador de quatro Pulitzer.

A poesia chama-se Mending Wall, ou Muro Remendado.

Vou ao médico amanhã ver minha mão (ainda engessada) e fiquei pensando se não tivesse companhia, que vizinho chamaria para ir comigo. Leia esta maravilha e pense se você tem um bom vizinho…

 

Muro Remendado (Mending Wall)

Alguma coisa existe que não aprecia o muro,
Que enfia bojos de terra gelada por baixo,
E derrama as pedras superiores ao sol,
E faz buracos onde até dois podem passar abraçados.
O trabalho dos caçadores é outra coisa:
Eu cheguei depois deles e fiz a reparação
Onde não deixaram pedra sobre pedra,
Mas conseguiram pôr a lebre fora do esconderijo,
Para deleitar cães latidores. As brechas, quero dizer,
Ninguém as viu fazer ou as ouviu fazer,
Mas na época primaveril dos arranjos encontramo-as lá,
faço o meu vizinho saber para lá da colina;
E um dia encontramo-nos para percorrer a linha
E assentarmos o muro outra vez entre nós.
Mantemos o muro entre nós enquanto avançamos.
A cada um as pedras que caíram para cada um.
E algumas são formas e outras são tão como bolas
Que temos de usar um feitiço para as equilibrar:
“Fica onde estás até voltarmos as costas!”
Ficamos com os dedos ásperos de as manipular.
Oh, somente outro gênero de jogo ao ar livre,
Um de cada lado. Mas vai mais longe:
Aí onde se encontra, nós não precisamos de muro:
Ele é todo pinheiros e eu sou um pomar de maçãs.
As minhas macieiras nunca atravessarão
Para comer os cones sob os seus pinheiros, digo-lhe eu.
Ele só me diz, “Boas cercas fazem bons vizinhos.”
A primavera instiga-me e pergunto-me
Se lhe posso despertar a razão:
“Porque razão fazem bons vizinhos? Isso não é
Onde existem vacas? Mas aqui não há vacas.
Antes de construir um muro eu inquiriria para saber
O que estaria a incluir ou a excluir,
E a quem era suposto ofender.
Alguma coisa existe que não aprecia o muro,
Que o quer no chão”. Poderia dizer-lhe “duendes”,
Mas não são duendes exactamente, e eu prefiro
Que ele o diga a si próprio. Vejo-o por ali,
A agarrar uma pedra com firmeza pelo topo
Em cada mão, como um antigo selvagem armado de pedras.
Move-se na escuridão e parece-me,
Não apenas a das florestas e a da sombra das árvores.
Ele não irá atrás do dito de seu pai,
Gosta de ter pensado naquilo tão bem
E diz novamente, “Boas cercas fazem bons vizinhos.”

 

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Sobre Day

As pessoas que consideram que a coisa mais importante da vida é o conhecimento lembram-me a borboleta que voa para a chama da vela, e, ao fazê-lo, queima-se e extingue a luz. (Tolstoi)
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4 respostas para Robert Frost

  1. Daisy disse:

    Fique à vontade, Rafael. O blog tá meio paradão, mas quem sabe eu volte a escrever…
    Abraço e obrigada! 🙂

  2. Rafael Castro disse:

    Oi.
    Adorei seu blog.
    E queria aproveitar o ensejo e pedir a sua autorização pra postar esse poema no meu blog.
    Posso?
    Bons sonhos.

  3. Dai :) disse:

    Obrigada vizinha hehe.
    Beijo querida…

  4. Hoje é preciso haver uma grande quandidade de duendes desfazendo cercas, derrubando muros, ou ao menos cavando buracos neles, de preferência onde até dois possam passar abraçados.
    Que você receba muitos cuidados e a sua mão melhore logo. Beijo

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