Fim de festa no tapete persa que o grego não pisou

Não havia sido convidada. Também não importava, só era preciso uma festa, conhecer alguém para esquecer seu divino, um meio homem, meio deus. Talvez um semideus letrado na filosofia antiga da Grécia. Educado e firme na performance da sedução. Eternamente jovem e alegre.

Um absurdo alienante o namoro equivocado de intelectuais sumidas no tempo. Semideuses podiam trair e colecionar estórias e cantadas, afinal.

O álcool descia bem, era bebida própria aos mortais, principalmente a uma mortal frustrada com homem tão misterioso e repleto de evasivas.

Quanto tempo fazia? Dias longos e intermináveis tentativas de contato. Por onde andaria tanta beleza grega, envenenada…

Cambaleou pela festa com seus trinta anos a levando para o abismo, imagens retorcidas pela paixão e pelo ódio mortal àquele homem raro. Patifaria dos deuses, encantador de serpentes. Chauvinista do Olimpo.

Já passava das quatro da manhã. O seu perfume ainda inebriava o ambiente, misturando-se aos hálitos de cigarro e vinho…

Rendeu-se à miserável condição humana, abriu os botões da jaqueta fake e ficou com o garçom.

 

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C.R.A.Z.Y. – Loucos de amor

Na minha opinião o filme é cult pela direção, com cenário e trilha sonora apropriados aos questionamentos das décadas de 60 e 70. Pink Floyd é o carro chefe na trilha sonora que levou pelo menos a metade do orçamento.
Eu gosto de cinema canadense, principalmente falado em francês, como C.R.A.Z.Y.

Sinopse

Zac (interpretado por Émile Vallée até os oito anos e por Marc-André Grondin na idade madura) é filho do rigoroso Gervais (Michel Côté) e Laurianne (Danielle Proulx). Com a mãe, ele tem uma relação estreita; com o pai, incompreendida por ambos. Ao lado de quatro irmãos, Zac cresce sentindo desejos homossexuais, enquanto tenta lidar com a religiosidade da mãe e a intolerância do pai, entre os anos 60 a 80.
Argumentos para bons roteiros não são muitos, por isso o roteirista precisa buscar pérolas, sejam nos diálogos, na composição dos personagens.
Neste filme Jean-Marc Vallée desempenha uma direção contundente no sentido de captar a tensão dos personagens quase que esteorotipados, ou melhor, são mesmo estereótipos: dos quatro irmãos Zachary, o protagonista, tem tendências ao homossexualismo, enquanto o irmão mais velho torna-se drogado, outro é intelectual e outro desportista. O desafio é saber trabalhar os tipos comuns. Arquétipos fundamentais para resolver um drama/comédia como C.R.A.Z.Y.
Por aqui o filme estreou em 2005, um ano após seu lançamento no Canadá.
O que vale o título de cult e mais prêmios é, sem dúvidas o trabalho de roteiro. Acho perfeito.
Não por acaso o filme levou 11 prêmios Genie (o “Oscar” canadense) e mais 19 prêmios em outros festivais.

E por falar em saudade…

Onde ando eu com a cabeça, que não vejo mais o meu amor, meu mar, a minha praia do Recreio, onde desde  criança me acolheu como nenhuma outra; a praia que, democrática se divide em territórios.

Uns vão surfar, outros fazer um pic-nic em família;  e que saudade da minha turma, do meu bar Cultura e Chopp onde tocávamos blues a noite inteira. Lançando moda e movimentos. Depois o Carvatella, massa, vinho e alegria nas violas.

 Em outras cidades eu já morei, de frente pro mar, nas montanhas de Friburgo…

Mas nada se compara à Praia do Recrteio. A minha praia querida.

Quase um mês trancada em casa, lendo e escrevendo. Dormindo em frente à TV, ah! essa mão que rompe o tendão e me engessa em solidão. Rima involuntária, claro.

Acho que a felicidade está nessas pequenas coisas, nas lembranças boas. Principalmente quando a Natureza está envolvida. E só damos valor quando a sensação é de perda ou de saudade.

Sem mais choro nem vela, melhor apanhar um livro na estante.

Poesias de Augusto dos Anjos acho que cai bem.