Vingança ou justiça? II

 

Leia também Vingança ou justiça? I  e  Fado no Libru Lumen. E o surpreendente final com Fado II também no Libru Lumen. 

 

 Vingança ou justiça?  Parte II

  Hospital, névoa. Entre consciente e desacordada Laia escutava repetidamente palavras seguidas de risos. “Se os mortos não ressuscitam, comamos e bebamos porque amanhã morreremos”… “… amanhã… morreremos…”
 
Debatia-se querendo acordar, fugir daquele pesadelo. Voz, aquela voz. “Amanhã morreremos…”
Laia abriu os olhos assustada e empapada de suor. Havia tido um pesadelo.

 A primeira visão foi  do teto branco do hospital; estava em seu quarto, isolada. Mais lhe parecia um catre, entretanto sentia-se segura e protegida.

Seus advogados levaram-lhe fortuna, não responderia pelo assassinato de Fernando. Afinal, Fernando se passara por Hector, seu odioso noivo que em nada se parecia com este, além da semelhança física. O caráter era duvidoso, de um homem capaz de matar. Alegaram insanidade, não iria presa, e ela já tinha suas dúvidas se já não estaria de fato enlouquecendo.
 
Sentiu alívio ao constatar que fora um sonho. Não estivera com Hector, porém a dor em seu pescoço era real. Se não foi ele, já que tudo não havia passado de um sonho, com certeza algo ou alguém a feriu no pescoço. Foi um sonho longo e angustiante, costurado de diálogos.
 
Era muito nítida a voz de Hector. Ele dizia coisas como querer vingança, que a mataria lentamente, a faria sofrer por lhe ter tirado o irmão.

Cambaleante se dirigiu ao banheiro a fim de olhar-se no espelho. Estava mais magra e os cabelos eram curtos, a seu pedido. Embora estivesse há uns quinze dias internada, era certo não confiar em ninguém. A cidade a considerava uma assassina, por ter matado o irmão trocado. Fernando era um bom homem, e só agora Laia percebia que aquele era o amor de sua vida. O gêmeo Fernando.
 
Não compreendia como um rapaz tão meigo e honesto aceitara se passar pelo irmão mau caráter. Ou talvez, pensou enquanto se olhava no espelho sobre a pia, talvez Fernando não chegara a saber das sórdidas intenções de Hector. De suas atividades criminosas.

Olhou atentamente a marca em seu pescoço. Parecia um pequeno corte. Talvez uma picada de agulha. Estava arroxeado e dolorido. Certamente alguém aplicara uma injeção na veia do pescoço.
Voltou para a cama e chamou a enfermeira através do interfone que ficava à cabeceira. A moça entrou e Laia imediatamente a interrogou:
_ Quando fui medicada?… Por que me aplicaram a injeção aqui, na veia do pescoço?…

As palavras davam a impressão de saírem trocadas e sem sentido. Laia achou estranho, entretanto estava consciente e lúcida. Repetiu a pergunta diante do olhar estupefato da enfermeira.
_ O que está havendo comigo? Alguém pode esclarecer?!… Chame o médico…
A enfermeira, assustada, deu dois passos para trás e por fim, balançando a cabeça como quem não entendia o que Laia dizia, saiu apressada do quarto.

Só então  a fazendeira constatou que em sua cabeça o raciocínio era lógico, porém as palavras não saíam articuladas. Provavelmente balbuciava em lugar de falar. Pânico tomou conta dela e vendo-se sozinha imaginava o que poderia estar havendo afinal.

Levantou de novo e correu para a porta, haveria de encontrar um médico que explicasse tudo. Encostou-se na parede do corredor. Lembrou do terror que fora aquela noite quando vira Hector violentar e estrangular a empregadinha da fazenda. Lembrou dos olhos estatelados da moça que perderam a vida olhando para ela, com o horror de quem sabia que estava morrendo.

Laia saíra sem que Hector o percebesse, entretanto, estava disposta a denunciá-lo.
Todavia, Hector parecia ter se transformado em outro homem da noite para o dia, e aos poucos Laia  desistia de denunciar o noivo.

Até descobrir que o assassinato da moça não havia sido o primeiro. Na região já havia acontecido outros desaparecimentos de meninas. Uma delas, de apenas dezessete anos, fora encontrada, pouco antes de Laia chegar à cidade para estabelecer-se como fazendeira.

 Resolveu então fazer justiça com as próprias mãos naquela noite escura, sem luar ou estrelas, quando  descobrira pela manhã que o plano de seu futuro marido era casar-se com ela e depois livrar-se da esposa, herdando os seus bens e abocanhando um seguro de vida milionário.
Laia, que havia decidido tomar o desjejum com o noivo no dia, escutara Hector falando ao telefone sobre seu plano cruel.

O fato é que decidiu acabar com ele porque sabia que eram de família tradicional naquela região. Provavelmente ninguém acreditaria nela. O delegado Assunpção, o testa de ferro de Hector. Eram parentes e parecidos no caráter.

Olhou para um lado e outro do longo corredor e não avistou ninguém. Nenhum médico ou enfermeira.

Voltou para o quarto angustiada. A dor no pescoço era mais latente. Fechou os olhos, encolheu as pernas e pensou em Fernando. O sentimento de culpa fez com que uma dor intensa surgisse em seu peito. Pensou em como podia ser palpável e real a dor de um coração acometido de medo e remorso.
 
Quando saísse dali, pensou, iria para um lugar distante onde pudesse enterrar as lembranças. Recomeçaria sua vida longe de Hector, longe daquela cidade.

Escutou passos no corredor e um leve sorriso brotou em seus lábios. Era o médico provavelmente. Encolheu-se, pois sentia frio. Mas estaria tudo bem. Ela tinha certeza. Beijou Fernando em pensamento e adormeceu serenamente.

 

(Para Cristina Sampaio, a Cris, escritora e psicóloga)

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Revisão – Jefferson Maleski

(Aguarde episódio final)

Revoada Virtual

Com garra, força e determinação…

Que este final de semana seja um pouco diferente porque há de trazer boas novas energias para nós blogueiros, nós que resistimos sem saber por que falamos e nos preocupamos tanto com a humanidade e suas artes. Ou sabemos, é por amor.

Desejo que este milênio una as almas pecadoras, santas, civis e militares. Que nos amemos de verdade, virtualmente ou não. Não nos vemos ou nos tocamos, mas em espírito, sim!, nos amamos.

 Mas que nós, os blogueiros do Brasil, tenhamos um lugar ao sol, longe das sombras da miséria espiritual e das falanges corruptas que invocam maus espíritos que pretendem alimentar-se dos incautos e desavisados povos da nossa terra.

Sejamos pássaros sim, mas prontos para nos impor contra os crimes à humanidade, o preconceito, a mentira e a falta de caráter na política brasileira. Sejamos bando, um exército voador a lutar pelo bem da nossa nação, e depois do mundo! Os pássaros podem tudo.

Bom final de semana a todos os escribas que ralam na blogosfera para não deixarem a escuridão já abastecida por Hitler e Diabos, transformar nosso Brasil em mais uma cobaia provinciana desfilando a pura alma nua, nossos índios, negando nossos mais profundos valores ante a verdade humana.

Nós, pássaros ávidos, que voamos de link em link buscando o novo, amigo novo, velho amigo, notícias e esperanças. O poder é nosso. Power to the people!

Bom final de semana e bom futuro aos que, como eu, acreditam no Bem! Na cicatrização das feridas humanas, na reconstituição moral do homem.

Que os escritores da blogosfera sejam sempre agraciados pela Inspiração, e pela boa ética; que  conduzam o planeta a um futuro de Aquárius.

Um ótimo final de semana aos blogueiros do mundo! E vida longa à Blogosfera Brasileira!

Aos amigos,

Paz, saúde e altos vôos!

SARTRE – A eterna Existência

 

Jean Saudek’s photo

 EXISTENCIALISMO

“Que significará aqui o dizer-se que a existência precede a essência? Significa que o homem primeiramente existe, se descobre, surge no mundo; e que só depois se define. O homem, tal como o concebe o existencialista, se não é definível, é porque primeiramente não é nada. Só depois será alguma coisa e tal como a si próprio se fizer. Assim, não há natureza humana, visto que não há Deus para a conceber…” Jean-Paul Sartre

 O QUE DIRIA SARTRE HOJE, NESTE MOMENTO TECNOLÓGICO? O EXISTENCIALISMO MANTERIA A INDEPENDÊNCIA DO HOMEM, AINDA NEGANDO A DEUS?

AS IGREJAS ESTÃO MASSACRANDO HOMOSSEXUAIS E MULHERES QUANDO INTERFEREM NA ESCOLHA ÍNTIMA COMO NA QUESTÃO DO ABORTO. ONDE SE PRESERVA A ESSÊNCIA DAS MINORIAS ?

    

AS IGREJAS AINDA MANIPULAM EM NOME DE DEUS. EXISTENCIALISMO É ISSO. PERCEBER QUE QUANDO SARTRE FALOU, ESCREVEU E VIVEU NA INDEPENDÊNCIA DE SI PRÓPRIO, ERA PORQUE NÃO ACEITAVA QUE A ESSÊNCIA DO HOMEM PUDESSE SER SUBJUGADA.

  “… Mas se verdadeiramente a existência precede a essência, o homem é responsável por aquilo que é. Assim, o primeiro esforço do existencialismo é o de pôr todo homem no domínio do que ele é e de lhe atribuir a total responsablidade da sua existência. E, quando dizemos que o homem é responsável por si próprio, não queremos dizer que o homem é responsável pela sua restrita individualidade, mas que é responsável por todos os homens.”
Jean-Paul Sartre

Amor, amor, quem explicará?

Era só chegar em casa e dizer “acabou, não quero mais”, porém ele precisava dela, da força, da grana, e até do sexo. A maré tava ruim, o mar sem peixe.

Entrou, pé-ante-pé. Ela já deveria estar dormindo. Foi à cozinha, tirou do freezer a lasanha de lagosta. Que louca e sofisticada. Até quando cozinhava ovos, tinha lá seu requinte. Tudo bem, ovos fritos com ameixa parecia mais coisa de quem fuma maconha e acha tudo “gostosão”.

Mas tudo que ela fazia era bom, gostoso. Até xingar , com aquele biquinho roxo de batom: “Ora, vá se foder!”. Ele ria e achava puro charme. Mesmo de pijama, cabelos alvoroçados, sem maquiagem, ela ficava atraente, o cheiro, restinho de perfume no pescoço, a minúscula calcinha por baixo da roupa.

Jogou a lasanha no microondas e sentiu uma pena danada em ter que deixá-la. Adorava suas poesias, suas surpresas. Quando trocava de carro, de guarda-roupa, a cor da parede, os móveis, os seios. Estava sempre pronta pro amor, pra uma boa cama.

Serviu mais suco de maracujá com acerola, ela pensava em tudo, o suco perfeito, embora ele preferisse massa com vinho, em dias ímpares ela não bebia, eram jantares ‘leves’, que mulher gostosa, talentosa e carinhosa.

Terminou o jantar, ela dormia como uma rainha, um sorrisinho nos lábios cor de boca – batom de dormir. Passou direto pelo quarto, escovou os dentes, se olhando no espelho “cara, tu é um babaca!”

Entrou em silêncio no quarto, no closed e pegou umas roupas. Depois de um ano de amor com uma mulher daquelas, virtuosa, atenciosa, gostosa, saborosa e inteligente…

Depositou um beijo leve naquela testa linda com cabelos espalhados, perfumados, pura seda.

Caminhou sem olhar para trás. Chorava, estava sofrendo. Iria mesmo deixá-la, que pena.

Ah, se ele não fosse gay.

Quanto custa?

NÃO NASCEM LÍRIOS DE LUA PELOS CORAÇÕES DE PEDRA. (CECÍLIA MEIRELES)

Causa espanto ver e sentir o quanto nos distanciamos da natureza, e com que descaso cuidamos de nosso habitat, nossos veios de bem estar. E principalmente, fico boquiaberta ao constatar que estamos nos afastando cada vez mais de nossas essências mais dignas.

Parece papo careta, do tipo ‘ame a natureza’. Mas que seja então careta.

Onde moro acontecem muitas coisas normais para cidade grande, metrópoles são mesmo um caos. Mas a quem responsabilizar pelas meninas que se jogam em braços libidinosos por uns trocados? Muitas são de classe média e fazem sexo desta maneira para comprar drogas.

Porém a questão é a sexual. De que adiantou séculos de repressão, hein?

A prostituição já não é romântica. É bizarra e assustadora.

Quanto custa um programa? Bem menos que o estrago que este boom sexual poderá causar a quem vê o sexo como forma de investimento.

O homem, ao se afastar da natureza perdeu o instinto de amar. A sensualidade está na franqueza de sorrir e sentir prazer naturalmente. Na liberdade de uma paixão. Na nudez angelical de dois corpos em êxtase contínuo.

Que saudades dos tempos quando tudo começava com um beijo. Ia longe, mas era, sei lá, mais humano.

 “Dai,

Assunto espinhoso…

Nunca achei a prostituição romântica. Prá mim o ato sexual é muito mais do que uma simples ‘trepada-gozada’, sabe?

Meu romantismo me faz pensar em ‘duas almas que se tocam’, sabe?

O mais assustador da prostituição é a infantil…nooossssa como isso me afeta, como isso me enoja, como isso me dói!…”

[Fátima Tardelli in comment]

 

“… Quando escrevi romântica, eu pensava nas versões de cinema e nas prostitutas de séculos passados. Ou no sentido de que em algum momento elas quiseram se legalizar em sindicatos. Quando denunciaram violência e discriminação… A profissão é mesmo a mais antiga do mundo, ou o mundo sempre foi macho?…”

[Dai in comment]

“… Aquela que ama um homem incondicionalmente, é idiota, assim como aquele que ama uma mulher, igualmente é. Aquele que ama o igual, também. Tudo é ou está instrumentalizado. Amar reduzido ao ato, pensando bem, é a coisa mais fácil. Bateu ali, subiu aqui, pá, pum. Pronto… “

[Djabal in comment]

 

O Corcunda e o fardo

 

Escrever, escrever até morrer, sangrar de dor e risos catatônicos, escrever em desespero, escrever calado, calmo, não parar, não descanso, se parar eu morro, se morrer a obra é inacabada, o inferno não quer, o céu sorrirá, olha os anjos, eles odeiam, o jeito é escrever e escrever;

 Carregar palavras nas costas, o fardo do assombro e da inspiração, beber a água, mas ter que ir, osteoporose nos ossos mortais balbuciam palavras, mas as melhores, as mais douradas escrever, escrever sem dedos, sem mãos, não importa, deixa sangrar, gangrenar!

Preciso falar de flores, pobreza, dor, prazer e medo, passar em toda parte, percorrer as vilas, as cidades, beber com homens mortos, alimentar a fome e em cinzas chorar por toda guerra; reportar e escrever, reiniciar, abordar pessoas, rabiscar os tolos, escrever o fim.

Contorcer de dor mas não parar, olhar em volta, estão rindo, quem é louco aqui? deixa eu passar, não vê que pesa meu saco de escritos, o meu fardo? se não ajuda sai da frente, não me odeie, não me ame e acima de tudo não me tenha inveja!

 O fardo é de doer, não é pros senhores, deixa que carrego em dez mil viagens, eu agüento, suporto a solidão, só me deixe passar, eu preciso escrever, escrever até abrir em céus ardentes um mundo de negros pássaros…

 Numa gaiola que me prende, eu só quero cantar e escrever, escrever com cimento e ferro, mais forte que toda árvore, nenhuma árvore será fincada, eu sou de pedra e vigas , eu suporto, eu quero suportar!

Saia do caminho, vá viver a sua vida, venda tangerinas, sapatos ou cocaína, eu sou descalço, eu sou mendigo da prosa e poesia, sou rato sem dentes, escrivão do deus demônio, é preciso escrever, escrever até à morte, saia do caminho, devolve minha vida, eu só preciso passar!…

Ou sai ou morre. O lábio é doce mas se me trava escorre o fel, não me obrigue à loucura extrema, sai da frente, é preciso escrever, levar o fardo, carregar as pedras, explodir o coração.

 

 

 

Voa e voa minha mente bailarina

 A Bailarina – Degas

 

Em quantas salas de estar eu já sentei e esperei pelo vinho e pelo último capítulo de um livro triste. Quantas vezes tive que sorrir para a visita em minha sala de estar que mesmo eu não estando lá, vi meus copos de cristal, um a um, quebrando sob o olhar da ausência, uma demência chamada tempo que se afasta entre os nódulos do tapete que voou sem mim pelos céus solitários de algum outro planeta.

Em quantas matemáticas eu contei as chances dadas à vida e mesmo assim ela me traiu com o tempo, é, de novo o tempo a soprar em meus cabelos uns mágicos raios brancos de ironia, mania de me envelhecer; vontade própria tem o tempo, algoz de meus dias de feto mulher, mulher criança. Aí vem a esperança em rima que não quis formatar, apenas ter o direito de estar em minha sala de estar.

Em quantos aniversários derramei meu valioso vinho na roupa branca cozida em fios invisíveis a enganar o rei que em ouro travestia-se de príncipe e brincava nas minhas pernas e nas costas tatuou a supremacia salutar do vinho azedo quando mesmo eu entorpecida, safada e bêbada só queria, depois de vomitar, dormir na minha sala de estar.

Em quantos erros de ortografia, datilografia e arritmias poéticas eu tive que digitar a falsidade tua e minha em confusos barulhos de passos sardônicos a me impedir de criar e não mais ser criticada por ser a que escreve, a que despreza o outro pela arte ruim que vai tomando meu corpo, meu cérebro embriagado de excitação por outro homem, outras coisas.

 Não convêm derramar, como o vinho azedo estas palavras que te causam mal estar, porém, eu havia avisado sem a ti querer matar, o quanto me era valiosa a minha sala de estar.

Especicismo – modismo trágico

Olha o laçarote dela.

 

Entre nós, seres humanos pairam sentimentos estranhos, indignos e exóticos até para nós mesmos.

As coisas mais sórdidas geralmente são modismos: espancar mendigos, empregadas domésticas, atear fogo em índio, racismo, machismo, homofobia e essas coisinhas irritantes que somos obrigados a engolir porque não dá para dividir o mundo em dois – os estúpidos modistas de um lado e os conscientes de outro. Ops! Isso já seria discriminação também. Provavelmente não daria certo.

O jeito é botar a boca no trombone como muitos blogueiros fazem. É o caso da Fátima Tardelli, do Maldito, e do Sérgio Pontes, um amigo português bem engajado com a causa dos animais.  Vira e mexe estão denunciando atrocidades praticadas contra os animais.

Sim, de todos os discriminados citados acima, os animais são os que mais sofrem. Eles não podem se DEFENDER.

É o caso da garota aí da foto. Seu nome é Pratinha e foi encontrada com apenas três semanas de vida, com a perna traseira quebrada – talvez por um chute, ou atropelamento. Estava desnutrida e suja de fezes devido à dor e ao medo. Medo de gente!

Foi trazida de presente para mim num dia em que eu me encontrava triste, muito triste.

Olhei para ela e pensei em como minha tristeza era menor. Afinal, eu estava abrigada, alimentada e protegida. Eu sou gente, portanto superior.

Cuidei do meu presente. Alimentei, levei ao médico e dei carinho. Pratinha é mais um dos animais que tentamos ajudar.

Hoje, ela está com oito meses e se sente a dona da casa. Virou gente, acho.

Então, essa nova moda, talvez a mais cruel, chama-se Especicismo. Uma ousada e burra supostamente supremacia humana. Creio de deveríamos nos mobilizar e pensar até mesmo na comida que põem em nossa mesa.

Afinal de contas, não somos animais como a Pratinha. Somos gente.