Especicismo – modismo trágico

Olha o laçarote dela.

 

Entre nós, seres humanos pairam sentimentos estranhos, indignos e exóticos até para nós mesmos.

As coisas mais sórdidas geralmente são modismos: espancar mendigos, empregadas domésticas, atear fogo em índio, racismo, machismo, homofobia e essas coisinhas irritantes que somos obrigados a engolir porque não dá para dividir o mundo em dois – os estúpidos modistas de um lado e os conscientes de outro. Ops! Isso já seria discriminação também. Provavelmente não daria certo.

O jeito é botar a boca no trombone como muitos blogueiros fazem. É o caso da Fátima Tardelli, do Maldito, e do Sérgio Pontes, um amigo português bem engajado com a causa dos animais.  Vira e mexe estão denunciando atrocidades praticadas contra os animais.

Sim, de todos os discriminados citados acima, os animais são os que mais sofrem. Eles não podem se DEFENDER.

É o caso da garota aí da foto. Seu nome é Pratinha e foi encontrada com apenas três semanas de vida, com a perna traseira quebrada – talvez por um chute, ou atropelamento. Estava desnutrida e suja de fezes devido à dor e ao medo. Medo de gente!

Foi trazida de presente para mim num dia em que eu me encontrava triste, muito triste.

Olhei para ela e pensei em como minha tristeza era menor. Afinal, eu estava abrigada, alimentada e protegida. Eu sou gente, portanto superior.

Cuidei do meu presente. Alimentei, levei ao médico e dei carinho. Pratinha é mais um dos animais que tentamos ajudar.

Hoje, ela está com oito meses e se sente a dona da casa. Virou gente, acho.

Então, essa nova moda, talvez a mais cruel, chama-se Especicismo. Uma ousada e burra supostamente supremacia humana. Creio de deveríamos nos mobilizar e pensar até mesmo na comida que põem em nossa mesa.

Afinal de contas, não somos animais como a Pratinha. Somos gente. 

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9 comentários em “Especicismo – modismo trágico

  1. ahm sim , eu nâo sou especifista. não acho que temos supremacia sobre os animais, mas já que nos sentimos no direito de alterar tanto o mundo natural, nada mais justo que nos outorgamos deveres éticos para com os animais.

    abs

  2. oi Dai.

    Esse texto me lembrou muito uma fala do JP Coutinho em que ele acredita que se o animal não tem direito, no sentido das relações sociais,pois esse valor foi criado pela cultura humana para a “gente”, isso não significa que nós não temos deveres,e mutitos, e sérios, para com todos eles, com todo o sistema.
    Afinal, nos fomos ignorantes o suficiente para nos auto -intitularmos o rei dessa “bagaça”. aiaiai

    abs

  3. A bem da verdade ser um ser humano é a coisa mais difícil que existe…
    superar instintos (superar, não reprimir), não está no rol das coisas fáceis…
    E quão instintivos somos…
    Medo do escuro, desejo de possuir o parceiro para garantir a linhagem genética, Ausência de empatia por quem não faz parte da comunidade, etc…
    Quanto temos que aprender para sermos humanos, para descobrir que usar a cabeça é difícil porque vivemos muito da vida por hábito sem pensar no que afinal estamos a fazer…
    No mais, a gente se esforça para ser o que crê…

  4. Caramba Djabal… hehe!
    Enquanto ficarmos nessa de somos todos do reino animal, fica cômodo: o cachorro persegue o gato que persegue o rato. Ok, o leão come os ruminantes que só comem capim. Mas ele é o rei. Comemos animais, até aí né, fazer o quê? Mas o leão não chuta nem tira a dignidade do outro.
    Bem, somos gente porque gente é pra ser feliz, cantar e prezar o planeta (papo verde), e não sentir-se tão acima de tudo a ponto de pôr em risco sua reputação de civilidade.
    Quer entrar para a elite? Adote um bichinho hehehe.
    Beijo meu querido Erwin.

  5. Lucky,
    Também marcou em minha cabeça a cena da estátua. Aliás essa saga Planeta dos Macacos foi super moderno anunciando já as discussões pós-modernas sobre o tema.
    Perfeitamente compreensível o 11 de setembro ter chocado menos. Neste episódio é homem x homem.
    Que bom que me linkou.
    Sua presença aqui é um arraso 🙂
    Beijo Lucky!

  6. Não sei porquê. A frase final do post deixou-me incomodado, principalmente com o fato de você não nos atribuir a qualidade de animais e sim uma vaga e imprecisa definição: Gente. Pensando melhor. Tenho um grande simpatia por animais e gostaria de saber, então, onde se pode pedir e receber o documento como animal, ou se as ‘zelites’ deles lá, aceitam naturalizações. Beijos.

  7. Especicismo, isso me lembra O Planeta dos Macacos, a versão antiga estrelada pelo finado especicista Charlton Heston. A cena final com a metade da Estátua da LIberdade enterrada na areia me impressionou muito quando assisti aos sete anos de idade. Já as cenas do 11 de setembro que eu vi pela tv na época quase que simultaneamente ao meio-dia, nem me chocaram, mas na hora eu só lembrei da cena do Planeta dos Macacos e ainda me lembro de, naquela manhã, ter sonhado com um avião caindo e incendiando sobre um morro. Acho que muita gente deve ter sonhado antes, deve ser normal num acontecimento dessa magnitude. Se tem uma coisa que acaba comigo é qualquer ato de crueldade com animais. Ah estou linkando o seu blog.
    Bjs

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