Tanto faz…

 

 

Conversas Paralelas (3)Um poema do Pof. Gasparetto

 Tanto faz
Querer bem,
Viver mal
Sem sentir!
Tanto faz!

Tanto faz
Ter alguém
Ser normal
Ir além!
Tanto faz!

Tanto faz,
Almadén
Ser fatal
Ter vintém,
Tanto faz!

Tanto faz,
O que tem
Bom ou mau,
Sempre zen,
Tanto faz!

Tanto faz,
Ir de trem
Comer sal
Medo tem
Tanto faz!

Tanto faz
O que vem
Madrigal
Quem detém?
Tanto faz!

Tanto faz
Ser a guerra?
Ser a paz?
Ter a terra?
Ser jamais?
Ver a serra?
Ser capaz?
Moto-serra?
Ser os ais?
Muito berra,
Quem te traz?
Tanto faz!

~~~~~~~~

Bem vindo de volta! 😉

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Bukowski na cabeça

Quem não souber povoar a sua solidão, também não conseguirá isolar-se entre a gente. (Baudelaire)

 

Eu não escrevia sobre amor. Não ligava pra isso, achava careta e monótono falar de amor. Preferia falar de coisas cítricas, críticas, guerra, ódio, violência humana e da baixeza de nossas almas contaminadas.

 Viajava na Rússia, a coisa sempre esteve russa. O fio da meada, Fiódor.

Baudelaire, liberdade e Proust.

Lia Nietzsche, Marx, autores undergrownd e pecilotérmicos escritores marginais. Geraldo Carneiro, Orwell, e tantos descrentes como eu… Psicodélica a voar de boca em boca.

Mas acho que pirei, estou me metamorfoseando aos poucos. Kafka? Adorno?

Por que será que me torno idiota a cada dia que falo de amor?  Eu, a bruxa do teatro. Por onde andará meu Peter Brook?

De repente fiquei linda e boazinha… Não, eu não me iludo. Deve ser fase.

Fenômeno

                                                            

É bom, como é bom sentar na poltrona diante da paisagem da vida, sair da órbita, sem interesse, esquecer que um dia houve sonhos, fantasias e uma vontade imensa de alcançar um céu mais especial, um céu que fosse nosso, onde só nós pudéssemos ligar e desligar as luzes, as estrelas.

Brincar de astronautas você e eu, flutuando celestialmente em gozos e alegrias, mergulhados na fantasia gravitacional dos planetas ao redor. Como dois fantasmas risonhos, beijar os astros e definir a nossa linha do Equador, escalar montanhas encandescentes, e quando voltar pra terra, descansar debaixo da mangueira.

Ao menos em meu céu, haveria música clássica e um trumpete anunciando o casamento do novo com o antigo, numa cênica brincadeira, onde palhaça eu o divertiria, criança da lua, criança só minha. Lá, todos seriam mesmo infantis, pra que crescer se brincar a vida é que é viver?

Nossos braços luminosos subiriam abertos ao encontro de um abraço no Éter e, sacudindo a poeira dos cometas, um desejo meteórico explodiria nossos corpos prateados da nossa lua. Não desligue a nossa lua, amor,  quero ver a beleza de nós dois nos amando entre as estrelas consagradas em seus ombros que me apertam no meio do Cosmos.

Aquela música iria buscá-lo nos limites do planeta, e uns raios de luar encobririam nossa nudez ali, deitados em nuvens fofas com odor de amaciante  lavanda celestial. Seus pés aguados de suor e benção acariciariam meus seios enquanto eu lambesse sua saliva doce em meus lábios, olhando pela janela da nave a nossa lua a brincar com asteróides.

Agora, por favor, não chore baby; a experiência é divina, somos deuses do nosso espaço, é violento o tremor que abala o amor na hora H. E nesse momento, segura minha mão bem forte, astronauta das estrelas, agarra meu corpo e feche seus olhos. Depois de decolar, pousar é preciso. Aquieta seus desejos que o céu também precisa dormir.

Meme – Quando fala a Sétima Arte

Nosso amigo Luciano Alves do Máquina de letras mandou este Meme que consiste em postar uma citação de um filme. De preferência publicar o poster do mesmo. Depois mandar o Meme para cinco blogueiros.

Aí vai:

A CLOCKWORK ORANGE – LARANJA MECÂNICA

Do diretor Stanley Kubrick, esta adaptação do livro de Anthony Burgess, de 71, teve várias indicações ao Oscar e angariou vários prêmios.

Um filme magnífico que se mantém atual por falar de violência, numa narrativa única, onde Kubrick manteve intacta a fala de Alex – Malcolm Mc’Dowell, personagem central, uma mistura de inglês, russo e gírias.

O filme futurista abre com uma violenta cena de espancamento a um velho.

Eis duas citações, uma de Alex e a outra do velho vitimado:

Alex:

“Uma coisa que nunca suportei era ver um bêbado velho e imundo uivando as imundas canções de seu país…”

Velho, prestes a ser espancado:

“… É fedorento (o mundo) porque deixam que jovens batam nos velhos (…) Não é um mundo onde um velho possa viver (…) Homens na lua… Homens giram ao redor da Terra… E ninguém mais presta atenção na lei e ordem terrestres!…”

Passo a bola:

– Djabal Non Liquet

– Maldito Estamos na merda

– Fátima Palavras sussurradas

– Aline Meu Baú de Versos Tortos

– Alexandre Mundo de K

(linkem-me para eu ver seus filmes e linkem o Luciano que nos convidou ;))

Uma bela coleção por 4,90

 A Livraria da Folha, do jornal FolhaOnline, que eu leio,  está promovendo uma lista de livros de respeito, a partir de 4,90 – fora o frete que não passa de 5,00 reais.

Livros atuais, autores consagrados analisados por mestres e doutores, fazem dessa coleção uma bela aquisição para compor sua biblioteca. Pode parecer ‘obra para iniciante’, mas vamos combinar, quem tem tempo de mergulhar fundo em tantos autores e teorias? 😉

São mais de cem títulos, todos com preços promocionais. É só conferir a lista e adqüirir.

Guimarães Rosa – O livro explica a obra do autor que transportou a língua portuguesa para um plano de invenção nunca visto. A autora Walnice Nogueira Galvão, professora de literatura da USP, se detém na análise de ‘Grande Sertão – Veredas’.

O Narcotráfico – O repórter especial da Folha Mário Magalhães expõe as engrenagens do narcotráfico -das “bocas” que controlam o varejo nas favelas às organizações multinacionais que movimentam bilhões com o crime organizado.

Casa-Grande & Senzala – O livro abre caminhos para a leitura do grande ensaio de interpretação do Brasil produzido por Gilberto Freyre. Roberto Ventura, professor de teoria literária da USP, aborda ainda a trajetória controversa do escritor.

Carlos Drummond de Andrade – O livro explica a obra de Drummond e apresenta um roteiro de leitura iluminado por comentários e interpretações do autor, Francisco Achcar, professor de língua e literatura latina da Unicamp.

Macacos – O médico, romancista, cronista e professor-pesquisador da Unip, Drauzio Varella, adentra o universo dos macacos e analisa os hábitos e relacionamentos sociais característicos dessas espécies.

Nietzsche – Livro do professor de Filosofia da Unicamp, Oswaldo Giacóia Júnior, apresenta a obra de Nietzsche e esclarece por que é impossível se colocar à altura dos principais temas atuais sem entender este pensador provocativo.

O Malufismo – O jornalista Mauricio Puls (Folha de S.Paulo) examina criticamente o fenômeno político do malufismo nas últimas três décadas da história brasileira.

Os Alimentos Transgênicos – O livro de Marcelo Leite (colunista da Folha de S.Paulo) explica o que são os transgênicos, como surgiram e o seus efeitos.

A Dor – João Augusto Figueiró, médico psicoterapeuta, explica em linguagem simples e de uma perspectiva humanista o que é a dor e como tratá-la.

A Maconha – O senador Fernando Gabeira (colunista da Folha de S.Paulo) apresenta os prós e contras da maconha, sem escusar nem demonizar seus malefícios, e sem esconder suas virtudes.

História do Campeonato Paulista 1902-1996 – É um levantamento histórico de 95 anos de Campeonato Paulista. Traz mais de 150 fotos históricas, recordes do campeonato, perfis dos maiores jogadores e muitas curiosidades.

Domingo com humor de Zé Geraldo e Pink Floyd

Nem Pink Floyd Explica (Zé Geraldo/Aroldo Satarosa)

Para dar dois passos à frente
Nem sempre é preciso dar um passo atrás
Por que meter o garfo na mistura se o tempero não te satisfaz?

Pode cobrir sua casa
sem se preocupar com a minha
Todo galo bate asas
ao reconhecer a rinha
moleque que solta pipa
é que sabe o peso da linha

Você vai ficar esperando o galho trazer
a fruta na janela companheiro
Pois sim
Passarinho come primeiro

Era dia de domingo
Eu fui seguindo a procissão
Tinha gente que rezava
Gente que rezava não

Beberam o vinho do padre
Cismaram com o sacristão
que chegou de porre na igreja
bem no meio do sermão
com um bafo de bode velho
Livrou Jorge do dragão

 

Bom domingo e boa semana! 🙂

Nada – zero x zero

Pós-modernismo Howard Hodgkin

 

Era uma cama e nada mais, lá fora a revolução, torpedos da Oi e soldados a defenderem seus times no Maracanã.

Nada demais, uma cama só, teu corpo e o meu, na varanda ecos dos carros buzinando a agonia do trânsito parado no desespero da avenida. No meio do jogo!

Uma cama de trapos e os dois sonhando, cada um de um lado, com a possibilidade de acabar com tudo aquilo.

Era insuportável dividir a cama com tanta gente na cabeça, e no escuro acender a luz levava Beyonce embora…

Quanta sacanagem, ser sozinho nos braços amargos de outrem que ontem era par perfeito, mas a cama!..

 A cama endurece os movimentos e só é preciso escutar U2, saudoso guerrilheiro e dar aos vermes o que comer. Sem sabor, Vênus de borracha.

Mas a cama, a cama parece quebrada agora, quem dos dois engordou nos últimos anos, em qual esquina a droga foi tomada, que torpor, pesadelo… a cama acabou.

Qual o resultado, quem ganhou o jogo… (!)

Medo

Pós-modernismo Howard Hodgkin

 

Tinhas medo e não vias;

Eras enganada, sitiada na anti-moral,

Na mentira que contaram

Tantos homens de saias injustas.

No silêncio das noites muito sonhaste

Divagando em galopes de pecado e gozo.

Pobre menina, cresceu com olhar enviesado

Não queria ter que olhá-lo

Mas aos poucos, ao acariciá-lo

Notou que era pintura rara

Obra de arte o pênis de Deus.

Dia do escritor! – Stanley Tookie Williams e um parecer de Fátima Tardelli

Não deixe de ler o ensaio de Fátima Tardelli.

Stanley Tookie Williams foi um condenado à morte em dezembro de 2005, por  matar várias  pessoas nos EUA, quando era jovem e fazia parte de gangues.

Não só jovem, como negro, desorientado e sem a atenção imperialista norte-americana que não consegue se desvencilhar do recalque de ter que hospedar afro-descendentes, latinos, cães e orientais em seu solo sagrado.

Williams cumpriu pena de mais de vinte anos, e esgotou todas as possibilidades de receber nova chance na vida, ao menos a prisão perpétua.

 Recebeu indicações ao Prêmio Nobel da Paz e da Literatura, visto que demonstrava arrependimento por sua rebelde conduta na juventude.

Escreveu vários livros infantis, numa clara proposta de alertar crianças e jovens do terceiro mundo para  não entrarem no sub-mundo do crime.

Acontece que, por razões que fogem à razão humana, nem prisão perpétua o escritor conseguiu nos meandros da Lei.

O então governador da Califórnia, o péssimo ator violento Arnold Schwarzenegger, daquela banda bushiana, agindo talvez como marionete de games assassinos, não só negou o perdão a Williams, como decretou, diante de um mundo boquiaberto, a pena de morte do escritor, por via de injeção letal.

O exterminador do futuro  misturou ficção com realidade, neutralizando a boa vontade da solidariedade humana, descabaçando a possibilidade da difusão do amor e salvação da pobreza moral do terceiro mundo infantil através da literatura.

Acredito que o ex-ator nem tenha sabido da grandiosidade de seu ato assassino. Ele não matou o escritor Stanley Tookie Williams, mas uma verdadeira oportunidade de conscientização cidadã em todas as crianças pobres.

Mas pensando bem, o  que o  Imperador ganharia se crianças negras e pobres começassem a ler?

 

Eu saúdo a todos os escritores de todos os tempos!

 Mas minha homenagem este ano  vai para as crianças analfabetas do terceiro mundo, para Stanley Williams e Fátima Tardelli, escritora, e uma advogada idealista que em momentos de ternura visita os blogs dos poetas, deixando um pouco de sua própria poesia.

Falas falos falácias

Edward Burra’s picture

Ela:

Ontem, pedi que Richard se retirasse de minha vida. Dormiu na varanda de meu cansaço e bocejou, fazendo pouco caso da decisão…

Ele:

Richard sempre precisou de uma mãe, não de mulher. Menino, achava-se até que fosse dar pra maricas. Aquele jeito de andar… Richard deve ser maricas.

Ela:

Não sexualmente, digo, na cama seus beijos são cálidos, excitantes. Ama como um romântico, mas comporta-se com exagerado surrealismo.

Ele:

Ontem o vi conversando com o corretor inglês, o do cachimbo.

Ela:

Sim, sei. O Sherlock Holmes adventista ha,ha,ha.

Ele:

Parece que esse corretor quer mesmo fundar um templo aqui no bairro. Tsc, tsc. Perda de tempo. Quem quer saber de Jesus nesses tempos de passeio ao espaço…

Ela:

Mas o que Richard teria a ver com isso? Em cinco anos, jamais notei qualquer queda para a religião.

Ele:

Quem sabe os dois não estão de intimidades?

Ela:

Você não desiste, Fred. Richard não é isso. É algo mais escondido, não sei bem…

Ele:

Veremos, cara Sophie. Veremos…

Alguns meses depois o corretor inglês em parceria com Richard fundou um templo cristão onde a palavra do Livro era adaptada a uma nova realidade.

 “Amar o próximo” era incondicional. Liberdade era o conceito. Depois de um ano, não se falava em outra coisa.

Houve fóruns e perseguição da igreja católica. Consevadores se debatiam em calorosas discussões. Todavia, o povo ia aos poucos aderindo, chegando timidamente para entender o que era aquele templo.

 “Templo da perdição!” bradavam os homens da política. Entretanto, parte deles já se tornava fiel seguidora da religião.

Muitos gostavam porque não trabalhavam aos sábados, como mandava o Livro. Sábado era dia de festa. Só terminava no domingo ao meio dia quando se dirigiam ao culto para arrepender-se.

Mas o corretor e Richard diziam com total convicção: “Nada há para o arrependimento, a menos que seja por algo que não tenham feito!”

Todos:

Aleluia! Salve a liberdade!

 

De novo na mercearia.

Ele:

Vão se casar. O corretor e Richard…

Ela:

Já soube. Estão ricos. Muitas doações, terras e propriedades. A coisa está crescendo hi, hi, hi.

Ele:

Eu disse que Richard sempre fora viado.

Ela:

É mais que isso.

Ele:

Estão com muitos seguidores. Gente de fora, de toda parte. Lá está ela: A igreja do pecado. Sodoma dos aflitos. Apocalipse sexual. Richard é um desavergonhado. Um porco, desde criança… mas…

Ela – olhando em direção ao templo pela porta da mercearia:

É mais que isso… é misterioso.

Balança a cabeça, acende a cigarrilha. Solta baforada e ri:

É muito mais que isso…