Se queres ser universal…

Retrato de Tolstói (1887), pelo artista Ilya Yefimovich Repin

… começa por pintar a tua aldeia. (Liev Tolstói)

O homem não tem poder sobre nada enquanto tem medo da morte. E quem não tem medo da morte possui tudo. (Liev Tolstói, Guerra e Paz)

 

Acho que muita gente sabe que eu sou aficcionada por escritores do séc. XIX. E que tenho duas paixões russas. Uma é o incomparável Fiódor Dostoiévski – meu preferido e ideal para tudo: escritor, pensador e principalmente impiedoso desconstrutor do homem pré-estabelecido.

Mas Liev Tolstói, esta sumidade pintada no quadro acima, me enternece desde menina. Eu o amei inicialmente por ser o pacifista pós-guerra de Criméia, ainda que tenha participado dela.

Mais adiante, quando estudei por quatro anos Filosofia Oriental e mergulhei na alma politicamente espiritual de Gandhi, lembro ter me sentido muito feliz porque extasiou-me aquela amizade de dois grandes homens. Dois grandes homens, dois amigos que trocavam simpatias através de cartas. Tolstói e Gandhi. A junção perfeita para o homem moderno não se perder espiritualmente.

 De um lado, um yogui determinado a se impor ante a frente inglesa. De outro, Tolstói quebrando a banca do papado cristão, até ser expulso da igreja ortodoxa.

 Citei três pilares que me sustentam enquanto base mais sólida. Mas hoje minhas reverências vão para o realista inconformado. Leon Tolstói.

Nota – Indico o escritor considerado o fundador da literatura russa, Alexandre Pushkin – séc. XVIII – XIX, estonteante poeta e romancista.

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Sobre Day

As pessoas que consideram que a coisa mais importante da vida é o conhecimento lembram-me a borboleta que voa para a chama da vela, e, ao fazê-lo, queima-se e extingue a luz. (Tolstoi)
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6 respostas para Se queres ser universal…

  1. Lis disse:

    Oi, Wilson! Tenho procurado o mesmo que você, mas até o momento vi no Wikiquote uma referência ao livro “Ressurreição”, mas nada há de concreto acerca desta citação. Abços!

  2. Wilson disse:

    Por favor, poderia me informar em que obra Tolstoi escreveu a célebra frase “se queres ser universal, começa por pintar a tua aldeia”?
    Já li “A morte de Ivan Ilitch” e concordo com você; é perfeita como obra literária: tem enredo, prende o leitor, seu conteúdo é permanente. Parece que estamos diante de um juiz ou um servidor público dos nossos tempos. Gosto particularmente da passagem em que ele diz:
    “Agora, como juiz de instrução, Ivan Ilitch sentia que todos, todos sem nenhuma exceção, os mais importantes e mais orgulhosos personagens, se achavam entre suas mãos e que lhe bastava escrever algumas palavras sobre um papel timbrado, para que o tal personagem importante e orgulhoso fosse trazido à sua presença na qualidade de acusado ou de testemunha, sendo obrigado a conservar-se em pé se ele, Ivan Ilitch, não o mandasse sentar-se, e responder às suas perguntas. Mas Ivan Ilitch nunca abusava desse poder; pelo contrário, esforçava-se por atenuar-lhe as formas. Todavia, a consciência de tal poder e a possibilidade de temperá-lo, constituíam aos seus olhos o principal interesse e o atrativo de suas novas funções. (São Paulo: Editora Martin Claret, 2007, p. 29).
    Todavia, nunca topei com a célebre passagem.
    Agradeço qualquer resposta.
    Wilson Rodycz – professor

  3. Dai :) disse:

    Realmente. Às vezes para prevalecer a paz e o bom senso, é preciso pensar com sangue e determinação.
    Beijos César.

  4. Cochise César disse:

    Talvez a coisa mais profunda que já tenham me dito sobre Tolstói tenha sido dita por Lênin.”Existe na Rússia alguns adeptos de Tolstói que acreditam ser possível acabar com a guerra fincando suas baionetas no chão”
    Creio que nem Tolstói acreditaria nisso. Ele fincaria sua baioneta no chão mas duvido que acreditasse que se a nação fizesse isso a guerra acabaria em condições minimamente decentes.
    Acho que esse é um grnade problema de alguns pensadores como Nietzsche, Tolstói, Jung e Sartre. são muito mal interpretados por muita gente.
    Tolstói era pacifista mas não era passivo nem incapaz de analisar a realidade.
    Até mais.

  5. Dai :) disse:

    Erwin, meu querido,
    Eu tenho cá um belíssimo livro de Tolstói, intitulado ‘Pensamentos para uma vida feliz’ onde, segundo os editores, seria o livro da vida do escritor. Dizem ainda que ao ficar pronto Tolstói teria afirmado considerar sua obra completa. Muito espiritualizado, ele transpôs alguns pensamentos para cada dia do ano, citando vários outros pensadores contemporâneos dele e atemporais. Além, claro, de pensamentos próprios. Para cada dia do ano uma idéia, dentre religião, filosofia, antropologia, enfim, eu levo a maior fé neste livro deveras encantador. Muitas vezes, na maioria, quando o abro, percebo feliz que o ‘pensamento do dia’ realmente combina com o que estou passando ou sentindo. É delicioso.
    Não sei se pode ser o mesmo livro que tens aí. E esta estória de sua biblioteca com 50.000 volumes, é digna de um grande sábio.
    Curiosidade: talvez eu ame os russos por ter lido pouco, ou bem menos do que eu gostaria. É possível que a qualquer momento eu me depare com um ‘novo amor’. Mas creio que ele deverá ser também do séc. XIX hehe. Ou não, contemporâneos são fundamentais, não?
    Nossa, como estou tagarela… acho que eram saudades de ti.
    Beijos 🙂

  6. Djabal disse:

    Tenho uma história para contar a respeito dele. Tinha o hábito de ler cotidianamente um pouco de Tolstói. O livro se chama Calendário da Sabedoria. Bem, em certa altura da leitura, deparei com uma citação de uma pessoa que não conhecia. Não consegui nenhuma referência, nenhuma indicação. Nada. Resolvi, assim, escrever para o tradutor, um professor de uma universidade do Canadá. E ele me respondeu que também não sabia, limitou-se a transcrever o nome que encontrou. Teve acesso à biblioteca do autor. E se deparou com cinqüenta mil volumes. Nada mais, nada menos que isso. E foi impossível para ele também fazer a pesquisa. Diante da pressa que nós, modernos, todos temos. Portanto, a sua simpatia, respeito e amor, tem muitos motivos, mais dos cinqüenta mil. Sei que é uma bobagem falarmos de quantidades.
    Mas ela é uma demonstração da avidez pela vida, pelo entendimento, e dá um miolo suntuoso para suas obras tidas como épicas pelos ‘conhecedores’ modernos. Além do que posso retribuir e dizer que você está muito bem amparada em termos de colunas e pilares. Bjs.

Sua opinião me interessa ;)

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