Fenômeno

                                                            

É bom, como é bom sentar na poltrona diante da paisagem da vida, sair da órbita, sem interesse, esquecer que um dia houve sonhos, fantasias e uma vontade imensa de alcançar um céu mais especial, um céu que fosse nosso, onde só nós pudéssemos ligar e desligar as luzes, as estrelas.

Brincar de astronautas você e eu, flutuando celestialmente em gozos e alegrias, mergulhados na fantasia gravitacional dos planetas ao redor. Como dois fantasmas risonhos, beijar os astros e definir a nossa linha do Equador, escalar montanhas encandescentes, e quando voltar pra terra, descansar debaixo da mangueira.

Ao menos em meu céu, haveria música clássica e um trumpete anunciando o casamento do novo com o antigo, numa cênica brincadeira, onde palhaça eu o divertiria, criança da lua, criança só minha. Lá, todos seriam mesmo infantis, pra que crescer se brincar a vida é que é viver?

Nossos braços luminosos subiriam abertos ao encontro de um abraço no Éter e, sacudindo a poeira dos cometas, um desejo meteórico explodiria nossos corpos prateados da nossa lua. Não desligue a nossa lua, amor,  quero ver a beleza de nós dois nos amando entre as estrelas consagradas em seus ombros que me apertam no meio do Cosmos.

Aquela música iria buscá-lo nos limites do planeta, e uns raios de luar encobririam nossa nudez ali, deitados em nuvens fofas com odor de amaciante  lavanda celestial. Seus pés aguados de suor e benção acariciariam meus seios enquanto eu lambesse sua saliva doce em meus lábios, olhando pela janela da nave a nossa lua a brincar com asteróides.

Agora, por favor, não chore baby; a experiência é divina, somos deuses do nosso espaço, é violento o tremor que abala o amor na hora H. E nesse momento, segura minha mão bem forte, astronauta das estrelas, agarra meu corpo e feche seus olhos. Depois de decolar, pousar é preciso. Aquieta seus desejos que o céu também precisa dormir.

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2 comentários em “Fenômeno

  1. Felicidade e êxtase… palavras que me socorrem ao ler este poema completamente vívido ao se desfazer da importância das coisas diferentes da poesia.
    Meu amado poeta… como é bom tê-lo de volta em meus braços.
    Beijos!…

  2. Conversas Paralelas (3)

    Tanto faz
    Querer bem,
    Viver mal
    Sem sentir!
    Tanto faz!

    Tanto faz
    Ter alguém
    Ser normal
    Ir além!
    Tanto faz!

    Tanto faz,
    Almadén
    Ser fatal
    Ter vintém,
    Tanto faz!

    Tanto faz,
    O que tem
    Bom ou mau,
    Sempre zen,
    Tanto faz!

    Tanto faz,
    Ir de trem
    Comer sal
    Medo tem
    Tanto faz!

    Tanto faz
    O que vem
    Madrigal
    Quem detém?
    Tanto faz!

    Tanto faz
    Ser a guerra?
    Ser a paz?
    Ter a terra?
    Ser jamais?
    Ver a serra?
    Ser capaz?
    Moto-serra?
    Ser os ais?
    Muito berra,
    Quem te traz?
    Tanto faz!

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