Vida

Tudo pode parecer nostálgico, já visto e pensado. Nada é tão inédito ou original. As pessoas se parecem, as dúvidas, as de sempre, sorvetes, nem adianta inventar: chocolate!

Em termos gerais, tudo é igual como sempre foi, homens andam, correm, para depois sentarem sobre a inércia do igual. Nada de novo, o céu sem disco voador, e livros imensos, pensamentos, vírgulas e nada há mais para falar.

Será o fim do mundo, ou as coisas são mesmo assim, somos dessa forma, tão iguais? Choramos, rimos, discordamos, e filosofar pode ser o único caminho, desde que não seja único.

 Nada de novo, tanto faz, Hong Kong, Sidney, África, desertos somos nós, despatriados, e talvez nem seja o céu, limite do limite.

Nada de novo porque se repetem palavras, letras tremidas ou inventadas, tudo dará em nada, é limitado, tudo é pouco e não há como fugir de tal constatação. Arte, moderna ou não, ou nem arte sempre será, será arte, esboçar a monótona tentativa de reinventar a vida?

Sem chances, sem nada, nada de novo. Homem sem rumo, astronauta confuso… e, de certo mesmo só o poeta a olhar estrelas, viu… poeta, estrelas… palavras cansadas. Ataraxia, mumificadas reverberações. Nada muda as palavras. Certo mesmo, quem sabe, a vontade de escapar do confuso cárcere espritual. Acho que é isso.

Flores não nascem do nada, mas semente, vem de onde? Então é tudo igual, você, o girassol e o capim que a vaca pisa, estúpida criatura sem nome. E, Deus, como vacas são iguais!

Nada de novo, a não ser uma dorzinha aqui… acolá. Dores são poderosas, se multiplicam e espalham-se vaidosas a se mostrarem únicas. Mas talvez sejam as dores também bem iguais.

Nada pode ser inédito, nem novo, nada chama atenção. Que merda, melhor ser criança, ainda é. E elas são irritantemente iguais. Mas isentas de culpa. Isso faz a diferença. Sem culpa, sem limite.

Limites são o inferno que norteia nossos pensamentos. Limites enlouquecem raças, povos; e costumes são tão iguais.

Nada há de novo, nada a narrar, nem um OVNI eu vi, mas as pessoas são alienadas, alien de mim, e, eu posso jurar, as pessoas são iguais, normais, e não importa a língua, o título. Somos forçosamente iguais.

Novidade, hum… pensar que Hitler foi criança, Arnaldo Antunes e eu também.

Que mesmice ser gente.

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Sobre Day

As pessoas que consideram que a coisa mais importante da vida é o conhecimento lembram-me a borboleta que voa para a chama da vela, e, ao fazê-lo, queima-se e extingue a luz. (Tolstoi)
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11 respostas para Vida

  1. Daisy disse:

    Valeu, menina! Ando de férias, mas não esqueço vocês.
    Beijo e obrigada pela ilustração. Beijão!!! 🙂

  2. Fatima disse:

    Dai,
    Olá!

    O Inferno é a repetição!
    (by André Linoge, personagem de ‘A tempestade do Século’, de Stephen King)

    …permitam que eu peça desculpas por esta interrupção. Eu, como muitos de vocês, aprecio o conforto da rotina diária, a segurança familiar, a tranqüilidade da repetição. Aprecio como qualquer outro…

    (by ‘V’ , personagem do filme “V, de Vingança”).

    Beijão!
    🙂

  3. Djabal disse:

    A vida não é uma montanha russa, porque muito simétrica. É um ioiô, manuseado por uma criança. Você voltou melhor do que foi, se é que isso é possível. Sensações. Aproveite as suas. Beijos.

  4. Daisy disse:

    É que voltei antes da hora. Mas as férias continuam… talvez eu desça em outra estação. Ê Brasil 😉
    Beijos… foi só uma sensação. Me pareceu tudo igual, o que foi de fato uma sensação diferente hehe…

  5. Maldito disse:

    há maior diferença entre nós e um Platão, um Sócrates, um Jesus do que entre nós e um chimpanzé… voltou das férias meio perturbada? hehehe, bjos

  6. Daisy disse:

    Estou bem Léozinho =]
    Meio aqui, meio lá. Não vivo sem vocês 🙂
    Beijos (coco é bom também)

  7. léo e só disse:

    Oi Dai

    Nem fale, às vezes cansa ser gente, principalmente quando se tem dores. As das costas então. aiaiaia.

    Mas nada que um bom picolé, e no meu caso, de coco , não resolva. 5 minutos de infância? , talvez.

    e as férias como foram ou vão

    abs

  8. Daisy disse:

    Elfen,
    Você disse tudo 🙂
    Beijos.

  9. Daisy disse:

    Oi Aline. Eu concordo com você. Essas mudanças em nosso estado de espírito fazem a diferença 😉 que bom seu comentário.
    Beijos.

  10. Elfen_Queen disse:

    É, tudo continua igual mesmo. Eu pensei que eu havia mudado, mas continuo a mesma. A mesma metamorfose ambulante.

  11. Aline Lima disse:

    poxa… Tudo é sempre igual, mas a cada dia, cada virgula, cada coisa igual, é um ensinamento diferente! E com isso crescemos e a cada dia nos tornamos novos. Acho que nada muda no mundo, ou seja, fora de nós, mas dentro, a cada dia, quanta diferença!!!

    Bjus

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