Batendo asas

 

Sei quando asas batem em vão

Quando

As pernas quebradas do andarilho

Derrubam a vontade de vencer.

 

São coisas da vida, as mesmas de sempre.

Águas passadas, presentes trovoadas.

 

Não pode ser possível ser contente, atraente e só.

 

A solidão derruba mais um copo,

Uma mesma coisa é ver o barco indo

Na direção acostumada.

 

Minha busca já acabou, só brinco

Como brincava de roda

Dando voltas ao redor de mim.

 

É como estar sozinha e cercada de vozes

As vozes roucas, alegres, neuróticas

As vozes tristes, as vozes minhas.

 

Melhor remar de novo

A corredeira é certa pro náufrago.

 

Se nada tem a perder, perde-se a razão.

 

E, remando no lago escuro

Descubro que há terra à vista,

Longe dos olhos que perseguem

A alma do marujo…

 

Melhor calar as vozes

Enfrentar o inferno.

 

Faz companhia, solidão

Dançemos por toda a noite

 

E sim, poderemos gritar à vontade.

Ninguém nos ouvirá mesmo.

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6 comentários em “Batendo asas

  1. Professor, ter você aqui é e sempre será uma honra. Seus poemas são divinos. Eles vêm de um sopro inalcançável para minha alma mortal.
    Eu te adoro mestre.
    Beijão Dom Gaspar!

  2. Te tuas asas tornei-me um Ykaro!

    Um tríplice abraço!

    Poesia Relevada de Um Querer Distante

    I – As Angústias
    Que faço nesta angústia que me cala
    Se meu sofrer é um banquete imune?
    Revejo nas ações a tua fala
    Censurando-m’enfim com teu ciúme…

    É válido o que tenho pra dizer,
    Aos montes, vales, rios te exaltei!
    Meu peito desespero d’um querer,
    Não vale m’esperar como esperei!

    É mais do querer ser teu amado,
    Oh! Musa que dissipa a solidão
    Fazendo-me curar o coração!

    Entorpecidos ficam magoados
    Os textos qu’escrevi tinham paixão
    À musa que estendeu-me um dia as mãos!

    II – As Armadilhas
    Saudade! O que fizeste para mim?
    Trouxeste-me tristezas p’ra plantar
    Num campo desgostoso de alecrim?
    Ou queres minh’alma sepultar?

    O amargo desses dias eu bebi
    Enclausurado sofre com essa dor
    Pedinte de alegrias me perdi
    No âmago do injusto predador!

    Bem antes de encontrar minha tristeza
    Sonhei tão torturado neste palco,
    À sombra d’um algoz o vulto incauto…

    Sofreras meu sofrer em minha mesa
    Com luto corte amargo se desfaz
    Na armadilha finda minha paz!

    III – As Ansiedades
    Cortejo de uma dor tão delinqüente
    Recorta minha alma com prazer
    Vislumbra a ansiedade indolente
    Num coração que jaz tanto querer!

    Se minha ansiedade te devora
    E meus pesares são de solidão
    Retumba minha dor e me degola
    Na lógica tristeza de um não!

    Se baixo meu pesar por escabelo
    Num triste mergulhar de sentimento
    Investes amargura com talento…

    Se curvo o meu corpo por inteiro
    Refaço minha ânsia por meu luto
    Não amo teu amor por simples vulto!

    IV – As Fissuras
    Oh! Dor incalculada de enganos
    Atravessando dardos tão doentes,
    Fissuras eu causei por muitos anos
    Em corpos que fizeram-se presentes!

    Retalhas meu querer como pecado
    Em chamas, labaredas, queimaduras,
    A alma o teu rancor foi afogado
    Em mares, em desertos, sepulturas…

    E quando tua porta se fechar
    Tão breve como um coração partir
    Oh! Dor! Te digo então que eu morri!

    Mas quando o meu partir for de pesar
    Sem medo digo à alma: a dor recorte!
    O amor então por fim venceu a morte!

    V – As Desventuras
    Se tenho eu assim tanta amargura,
    Se tenho eu assim tanto desejo,
    Se os meus amores são desventuras,
    Eu morro no veneno de um beijo?

    Se tenho eu um corte em minha alma,
    Se tenho eu assim só solidão,
    Será que no amor tudo se acaba,
    Restando-me infeliz aqui no chão?

    Que tenho eu haver com teus segredos,
    Se a busca não me leva à tua luz?
    Que tem o amor assim que me seduz?

    Se tenho eu matado tantos medos,
    Se o teu peito implora minha vida,
    Que tenho eu contigo, oh! Querida?!

    VI – As Fontes
    Vieram pelas noites os pesadelos
    Na alquimia fonte de suspiros
    A desventura dor dos meus degredos
    No ímpeto suor quando respiro…

    As velas içam um porto inseguro
    Num cais abandonado de incertezas
    Perdido vou tão cego e te procuro
    Tirando-me de ti minhas tristezas!

    A minha sombra não s’ esconde tanto
    Quand’ era jovem te amei as tantas,
    Que sufocastes ‘té minha garganta…

    Agora canto com sofrer teus cantos
    Que quase morro inteiro de desgosto
    Perdendo a chance de beijar teu rosto!

    VII – As Conseqüências
    Trouxeste-me dos campos teu plantar
    Que cultivado sonhos m’encontrou!
    As noites já não tinham mais luar!
    E os dias, nem o sol se despertou!

    Preciso me esconder dentro dos frios
    Que a amargura provocou em mim…
    A morte se compraz vendo meus erros
    P’ra que eu pense que chegou meu fim!

    Existo em tais dilemas meu amor?
    Ou julgo estar amando no vazio
    Ou nós criamos um amor baldio?

    Existe alguma forma em minha dor
    Que morras nesse instante de sofrer?
    Ou queres que me mate por perder?


    perdoe-me pela invasão!

    Dom Gaspar I

  3. “As coisas findas
    Mais que lindas
    Essas ficarão.”
    In “Memórias” de C.Drumond de Andrade.
    Eu gostei do que ouvi.
    É você, só pode ser você.
    Cuide-se bem.
    Apaixone-se. Viva. Aproveite.
    É isso aí.
    Beijos.

  4. E o que seria de meus textos sem ti? 😉
    Beijão, minha amiga linda 🙂
    (ando de férias, mas vou aparecer)
    Beijos mais!!!!

  5. Dai,

    Se o mar fosse silencioso,
    o marujo não ouviria tanto:
    seres marinhos a saltar pelas ondas,
    o ‘jogo-do-mar’ a castigar o casco do navio,
    os fogos-de-santelmo a explodir na escuridão;
    …são como ecos de uma outra dimensão,
    como se fosse o Mar uma porta para um Universo perdido,

    Se minha alma fosse cálida,
    não seria chicoteada por emoções:
    amor, ódio, piedade e rancor,
    ….mais se parecem com sussurros de vários seres agrilhoados num mesmo recinto,

    Se os dançarinos fossem hábeis,
    o ato de dançar não se assemelhariam a um ‘pisar-de-calos’
    para as moçoilas que nunca são tiradas para dançar,
    …as faces revelam a mágoa das almas dilaceradas por solidão;

    Você menciona o inverno:
    Se só o calor fosse bom, não seria um hábito no inferno,
    são necessárias três estações a anteceder o surgimento das flores,

    Se a língua – aquela mesma que umedece os beijos – tivesse papilas apenas para os doces, não poderíamos diferenciar os sabores;
    o doce então perderia o valor…

    Enfim….se não houvesse a dor,
    pouco ou nada entenderíamos de amor
    e o ronronar do peito seria apenas mais uma ,
    dentre tantas- sensações físicas; às quais damos pouco ou nenhum valor.

    Grande beijo,
    Minha amiga!
    🙂

Sua opinião me interessa ;)

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