Esperando e a chuva…

Distante estão as pedras do mar, tanto quanto as pessoas que passam e não percebem aquele cão jogado na chuva, a saudade em seus olhos, uma tristeza tão parecida com a minha e a sua.

Mas nós seguimos em frente, perseguindo sonhos que nem sempre vale a pena sonhar, buscando dinheiro a mais, jurando honrar dívidas e amores. Enquanto o cão só espera e espera, seu dono que se foi. Esperando uma pista, também estamos todos nós. Esperando um amor que não vem. Esperando Godot. Nada.

O cão ainda está lá, todos passam para lá e para cá. Óbvio, o cão tem fome. Como nós, num dia de chuva fina, também sentimos alguns órgãos famintos. Saciamos a  toda hora os sentidos, enquanto a alma descansa na falsa alegria de um gozo.

Epera o cão a chuva passar, o dono voltar, a comida alimentar…

Espera um afago, ou fortes mãos que o tirem debaixo daquele carro que não esperou que o sinal fechasse. Ele não esperava mesmo ser gente. De repente um sono gostoso, sem lembranças, sem fome, sem dono. Só ele e a chuva fina na porta do prédio do dono que não voltou.