Esperando e a chuva…

Distante estão as pedras do mar, tanto quanto as pessoas que passam e não percebem aquele cão jogado na chuva, a saudade em seus olhos, uma tristeza tão parecida com a minha e a sua.

Mas nós seguimos em frente, perseguindo sonhos que nem sempre vale a pena sonhar, buscando dinheiro a mais, jurando honrar dívidas e amores. Enquanto o cão só espera e espera, seu dono que se foi. Esperando uma pista, também estamos todos nós. Esperando um amor que não vem. Esperando Godot. Nada.

O cão ainda está lá, todos passam para lá e para cá. Óbvio, o cão tem fome. Como nós, num dia de chuva fina, também sentimos alguns órgãos famintos. Saciamos a  toda hora os sentidos, enquanto a alma descansa na falsa alegria de um gozo.

Epera o cão a chuva passar, o dono voltar, a comida alimentar…

Espera um afago, ou fortes mãos que o tirem debaixo daquele carro que não esperou que o sinal fechasse. Ele não esperava mesmo ser gente. De repente um sono gostoso, sem lembranças, sem fome, sem dono. Só ele e a chuva fina na porta do prédio do dono que não voltou.

6 comentários em “Esperando e a chuva…

  1. Muito lindo, né?… Eu fico muito emocionada quando partilho com amigos alguns sentimentos.
    Um beijo, minha linda amiga. (Nooossa sniff..)

  2. Dai,

    Ai :S sua postagem me deu uma tristeza!
    Só quem possui ou possuiu um cãozinho sabe a tristeza que eles ficam quando estão sem seus donos!

    De outra banda, lembrei-me de uma música:

    Muitas perguntas
    Que afundas de respostas
    Não afastam minhas dúvidas
    Me afogo longe de mim
    Não me salvo
    Porque não me acho
    Não me acalmo
    Porque não me vejo
    Percebo até
    Mas desaconselho…

    Espero a chuva cair
    Na minha casa, no meu rosto
    Nas minhas costas largas
    Eh! Eh! Eh!
    Espero a chuva cair
    Nas minhas costas largas
    Que afagas enquanto durmo
    Enquanto durmo
    Enquanto durmo…

    De longe parece mais fácil
    Frágil é se aproximar
    Mas eu chego, eu cobro
    Eu dobro teus conselhos
    Não me salvo
    Porque não me acho
    Não me acalmo
    Porque não me vejo
    Percebo até
    Mas desaconselho…

    Espero a chuva cair
    Na minha casa, no meu rosto
    Nas minhas costas largas
    Eh! Eh! Eh!
    Espero a chuva cair
    Nas minhas costas largas
    Que afagas enquanto durmo
    Enquanto durmo
    Enquanto durmo…

    Eh! Eh! Eh!
    Espero a chuva cair
    Na minha casa, no meu rosto
    Nas minhas costas largas
    Hon! Eh! Eh! Eh!
    Espero a chuva cair
    Nas minhas costas largas
    Que afagas enquanto durmo
    Uh! Uh!
    Enquanto durmo
    Enquanto durmo…

    Beijão, Dai. Saudades docê!
    : D 😉 🙂

  3. Ok! You are so the best people in my life, baby.
    Thank you.
    And, see…
    I love you. =]
    “Junk, que droga de família” hahaha! Produza esta peça, please, senhorita 🙂
    Beijo.

  4. Bom! a ”paralisia” do cão me faz refletir mesmo como o Djabal citou o trecho de uma poesia , tbm fico confusa ao ver q nós podemos canalizar ou se distrair e anular a dor , a perda , to emocionada que conto! que bonito fala sério! muito sensível…

  5. Às vezes penso que o cão é muito sábio. Conseguiram ou conseguiu fazer parar a roda. Ele vive eternamente o instante. Foi eternamente feliz naquele momento. Logo em seguida o esquece, mas não busca outro. Apenas o saboreia deliciosamente.
    Há uma poesia muito mais interessante do Ezra Pound que diz, mais ou menos, o seguinte:
    Quando observo o cão, devo considerar que o homem é um animal superior.
    Porém ao observar o homem, confesso: fico confuso !

    Beijos.

Sua opinião me interessa ;)

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