Era dos microcontos – velocidade literária

Nosso amigo Jefferson Maleski, do Libru Lumen , estimulado pelo sítio Duelo de Escritores, convidou-me a exercitar a escrita, participando descompromissadamente do saudável concurso literário do blog. O desafio da vez são os microcontos. Pela necessidade de velocidade de informação e globalização, a literatura experimenta o gênero. Fiz alguns, espero que gostem. E façam também.

 

Ação!

Tira. Não veste; dorme feliz. A roupa esfria, e os olhos dela procuram o dinheiro. Acabou? Saiu mais barato.

 Morte súbita

Atravessou a rua, o semáforo esperou ele passar. Tirou do bolso a fotografia. Olhando as cores do semáforo, ficou tudo cinza.

Semente

Certamente ele não esperou o sêmen secar. Ela também não teve tempo de perguntar. E assim, Germano soube de tudo.

Ventania

Era verdade, vociferou ele, o homem da fé. Era verdade que era mentira, retrucou o ateu em deboche. Enquanto isso uma santa passou com a saia levantada. Que vento que nada.

Molecular

Estavam tão pequenos. A cama enorme mal dava para subirem e treparem. A cada dia diminuíam. Transformando-se em moléculas, desistiram do amor.

Encontro danado

O local era feio e repleto de carros velhos. A rua era viela. Ele não viu, não a viu, não viela, mas uma curva dramática. Desistiu e foi para casa. Voltou ao PC.

Traição

Não dividiu o pão. O vinho se foi goela abaixo. Cordeiros e lobos pagaram e entraram. A festa foi boa.

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