Fé (tidos)

 Na noite sem lua perdi o chapéu. / O chapéu era branco e dele passarinhos saíam para a glória, transportando-me ao céu. (Drummond)

Ele me escutaria, o Drummond, e dependendo da intensidade alcoólica, veríamos, eu e Drummond, uma visão acima do nível aceitável, tanto das ondas de Ipanema, quanto dos pampas de Quintana. E aposto que ainda assim, perguntariam por Mário. (Dai)

Se eu não tivesse filhos

Se eu não tivesse caído da árvore sem maçã na mão

E se a uva deliciasse minha língua

Antes de fermentar a fome de herege,

Eu me afogaria naquele mar…

E se antes de Noel Rosa, Noé tivesse sido mais bravo

E se mulheres de Jack gritassem antes de morrerem

(Digo do kerouack)

E se o Zico desistisse do Japão

Como também, se fosse possível

Prender os ladrões do poder

Salve o Flamengo!

Provavelmente eu estaria digitando

Numa cela, um novo espaço

Futurista cadeia para quem não falasse de Candeia

E apenas serviria o prato principal:

Personas e almas, e assim

O apocalipse poderia se cumprir.

Mas aí, creio que a máquina do tempo

E as bizarras histórias do mundo

Começariam tudo outra vez.

E aqui, num sapatinho…

Acreditaríamos em quê?

Salve o complô cristão!

Muito mais fácil matar ébrios e alienados

Mais simples acusar os fracos

E vociferar em nome daquele da cruz!

E digo, em experiência:

Não dá para amparar idéias

Nem revogar as escrituras.

Sendo assim,

Pergunto aos justos

Severino: a Arca ou arcanjos?

Fácil espancar poetas, oh! Espanca!

E medíocre é pensar

Que habitamos todos

Na mesma lama

Do crocodilo em extinção.

Eu queria ser alface

Seria exposta numa quitanda

Mas só se fosse em Ipanema.

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14 comentários em “Fé (tidos)

  1. Muito bom Erwin. Conheço pouco do escritor/jornalista. Muito obrigada pela visita, este texto foi ao ar sem querer 😉
    Beijo e abraço, querido.

  2. De Joseph Roth, que parece conheceu você também. Hoje conseguiu obter o seu intento e está exibido como alface em Ipanema:
    “A dor o fará sábio; a fealdade, benevolente; a amargura o tornará meigo, e a doença, um forte. Seus olhos enxergarão longe e fundo; seus ouvidos, repletos de ecos, ouvirão com clareza. Sua boca se calará, mas quando abrir os lábios eles proclamarão o bem. Não tenha medo e vá para casa.”
    Beijos.

Sua opinião me interessa ;)

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