Eu, Testemunha

Estavam todos numa era de tecnologia e outros tipos de comunicação. Um casal formoso. Eram virtuais que, entre pecados, virtudes, erros e acertos, blasfemavam em putarias inexplicáveis. Não deveria xingar, portanto retiro o pesado termo, substituindo-o por sodomia

Voltando ao casal.

Nesta referida era, faziam amor por escrita, escreviam seus desejos em teclados viciados. O globo era um só, e todos começaram a viver virtualmente. Fornicavam em nome da liberdade milênica.

Os dois se apaixonaram. Casaram-se. Uma dupla forte, perfeita. Assim pensaram na época.  Muitos os invejaram. Não compreendiam aquele amor puro. Puro?

Cocei o queixo na ocasião, lembro-me bem. Havia algo que soava falso, uma certa ruga nas faces distorcidas pela verdade absoluta, a vaidade era latente. Qual seria a verdade absoluta, eu me perguntei por diversas vezes. Nem meu pai, mais sábio e intelectual, veio em meu auxílio.

Eu era amigo dos dois, não devo negar. Sentia amor e amizade havia muito tempo… bem, não me atrevo um adjetivo, neste momento de tristreza. Eles eram quase dúbios em suas crenças.

Por que estou triste?

Posso contar sim.

O casal apaixonado começara a envolver-me em suas calorosas discussões filosóficas. Dessas sem fim. Até que decidiram falar de suas origens espirituais. De onde vieram, para onde iriam.

Sobrou para mim. Como sempre, fui uma pessoa tranqüila, zen, sempre com uma palavra de consolo para os amigos, e o apaixonado casal recorria a mim todas as vezes que entravam em conflito.

Sucedeu que certa vez fui envolvido em verborrágica violência: “Eu sei quem é Deus!” “Enfia Ele no cu, então!” (…)

Assim, o casal virtual, e não mais virtuoso, entrou em inferno astral. Eu nada podia fazer, afinal, não era e não é de meu costume influenciar ninguém. Posso até ser ambíguo, mas é meu jeito. Meu pai não se importava. Quando conversávamos, ele se calava com uma expressão tipo : deixa isso pra lá

Hoje, como disse antes, encontro-me triste. E me pergunto o que poderia estar havendo com esse mundo globalizado. Guerras virtuais. Disputas entre casais. Talvez eu prefira ser esquecido entre as páginas do velho livro. Ele ainda existe?…

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9 comentários em “Eu, Testemunha

  1. Entre a cadeira e o monitor, existem pessoas.

    E o ser humano, por ser tão heterogêneo, não pode ser explicado por Ciências exatas.

    Assim, sempre haverão encontros, desencontros, brigas, reconciliações….

    e a roda da vida, gira!

    Só que, como testemunha, vc fica numa atitude passiva….já passei por isso (já fui tanto testemunha quanto guerrilheira).

    Mas também assim é a vida: somos um feixe de personagens reais que vivemos (ex: a Dai estudante, a Dai cineasta, a Dai escritura, a Dai funcionária, a Dai blogueira, a Dai….): à cada momento ocupamos uma certa posição neste cenário.

    Beijão, amiga. Adorei teu texto 🙂

  2. Oi Camila, e aí garota?

    Bom que gostou do texto. Há vários vícios por aí. esse é só mais um.
    Valeu pela visita!
    Beijo!

  3. Aliás… um personagem ”pulante” , Será que ele pulou para tecnologia?

    É paradoxal , pq dentro da tecnologia , do virtual existe ”vida inteligente” , Os livros pularam para dentro de um vidro tecnolóigico.

Sua opinião me interessa ;)

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