No susto

Ela daria um basta em tudo aquilo. Já não aguentava mais tanta arrogância e falta de consideração da parte dele. O sinal abriu. Arrancou, ouvindo If you don’t now me by now, do Simply Red.

Ele até era carinhoso, mas não sabia ao certo, estava faltando algo. Um algo a mais.

Mexia em suas roupas (as dele). Cheirava daqui, fuçava dali. Nada. Nenhum cheiro diferente, odor sexual, uma manchinha de batom. Saldo negativo no extrato, conta de motel. Nada.

Nenhuma ofensa, nada de errado. O casamento estava um tédio só.

Alisou seu corpo e fechou os olhos. Estava decidida: terminaria tudo. Nem era casamento, apenas um embolar de roupas e escovas de dentes brincando de azul e rosa no armário do banheiro. Terminaria tudo.

Entrou em casa decidida. Chegava daquele mela-cueca, daquelas frases de efeito, suspiros de amor entre um sono e outro.

Jogou as chaves na mesa de mármore, tirou os sapatos e seguiu para o quarto.

Antes de abrir a porta ouviu ruídos. Apurou ouvidos. Aquilo parecia… Sexo!

Ele estava com alguém.

Abriu a porta no susto e ficou embriagada com aquela visão. Ele estava sobre a mulher, arfando, suando. Como nunca estivera com ela. E os olhos! Ela estava realmente tendo um orgasmo daqueles.

Deu meia volta com o corpo queimando de tesão. Sorriu enquanto esperava o elevador.

Agora já sabia o que faltava em sua vida…

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8 comentários em “No susto

  1. O importante, Beto Jr., é o discernimento, tipo saber o que é momentâneo, e o que é definitivo. Bem… acho que nem sei o que falei…
    Beijo, amigo 🙂

  2. Oi Dai,
    Precisamos injetar essas doses de indecisão em nossas vidas de quando em vez para que nosso corpo possa se satisfazer desse gozo momentâneo.
    Mutcho lôko!!!
    Beijos.

  3. Djabal, meu amigão.
    Sempre complementando minhas idéias. Luxo.
    Ultimamente minha água tem sido água mesmo… em dietas não entram cervejinha, nem vinho… muito chato.
    Beijo, valeu Erwin! 🙂

  4. Jefferson nada de problemas na água. Apenas um modo “humano” de ver as pessoas.
    Dai tá faltando uma leta L na palavra falta lá do começo do texto.
    Beijos.
    Nem preciso dizer que adorei muito . Muito mesmo.

  5. Todas as vezes que o ritual nos domina, o essencial sai por uma janela, penetra em corpo alheio e nubla o motivo etéreo, suave e inapreensível da vida. Curtir a emoção. Recuperar aqueles segundos à beira de um abismo inifinito de gozo. É, deve ser uma água diferente a que você bebe, moça. Lindo. Beijos.

  6. Bem a là Nelson Rodrigues. Deve ser algo na água q os cariocas bebem pra escrever desse jeito, 😉

    1 abraço.

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