Silêncio

Lá fora, as árvores escondem tantos segredos. Em cada segredo uma sabedoria. Sejam de andorinhas, ou qualquer ser vivo. Somos tolos e não sabemos ouvir.

E, ainda assim, eu ouço o silêncio da árvore. É fácil. Aperte o play lá dentro e espere os pássaros. Ouça o metrô, a música no vizinho. Ouça Fernando Pessoa.

 

Chove. Há silêncio…

 Chove. Há silêncio, porque a chuva

Não faz ruído senão com sossego.

Chove. O céu dorme.

Quando a alma é viúva

Do que não sabe, o sentimento é cego.
Chove. Meu ser (quem sou) renego…
Tão calma é a chuva que se solta no ar
(Nem parece de nuvens) que parece

Que não é chuva, mas um sussurrar
Que de si mesmo, ao sussurrar, se esquece.
Chove. Nada apetece…
Não paira vento, não há céu que eu sinta.

Chove longínqua e indistintamente,
Como uma coisa certa que nos minta,
Como um grande desejo que nos mente.
Chove. Nada em mim sente…

Fernando Pessoa

Anjos que dizem olá!

anjo

Há muito tempo eu não o via. Com o corre-corre da vida, muitas vezes deixava de visitar os meus. E isso deveras me entristecia. Eu me aquietava em um canto e chorava. Porém, não deveria ficar neste estado de espírito. A alegria era o meu remédio, e eu precisava aliviar os corações dos amados por mim. Meus amigos, companheiros que eu tomava conta, de certa forma. Entretanto, eu tinha a sensação de ter falhado desta vez. É que, ao contrário do que se espera, amizades às vezes falham.

Este companheiro, eu não via há tempos, como disse antes. Da última vez que nos vimos, se não me engano, fora em seu casamento. Um dia feliz, reluzente. Numa tarde ensolarada, duas pessoas disseram sim, diante de Deus. Por falar em Deus, noto, assistindo a televisão, percebo nos noticiários, que muitos desacreditaram das coisas lá de cima. Um número alarmante se afastou Daquele. E com esse amigo sumido não estava sendo diferente. Resolvi procurá-lo, com minha alma e coração abertos. Eu sentia saudades. Algo me possuía de alegria e misericórdia. Minha tristeza era alegre, após esta decisão. Peguei o avião, e voei nas asas da esperança. Eu reveria meu companheiro.

E se ele não se lembrasse de mim? Já fazia tanto tempo. Todavia, eu arriscaria. Voaria dias e noites, se preciso fosse, mas encontraria aquela alma em algum lugar do mundo. Eu podia sentir que o amigo necessitava de umas palavras. E, ainda que ele houvesse me esquecido, eu tocaria sua mão, e daria ao seu coração solitário uma massagem, com brisas de amor e ternura. 

Voei.

No percurso, olhava as aves, as florestas, e muitos rios poluídos. Percebia multidões afoitas atrás de empregos. Confuso, me perguntei se este mundo ainda teria jeito. E mesmo sabendo a resposta, ficava estarrecido com as ruas sujas de eleições políticas; as almas sujas de ingratidão, os becos do tráfico, vermelhos de violência e solidão. No notebook, contabilizava as estatísticas: pedofilia, e toda sorte de enganos sexuais faziam do homem um serviçal do Mal. Companheiro meu, outra vez chorei seco, pois o vento levava as lágrimas, enquanto meus punhos cerrados controlavam a fome que sentia. A sede de ir-me embora, talvez para sempre. Contudo, eu precisava encontrar, antes, o meu amado amigo. Ele estava só. E isso eu não poderia aceitar.

Voava…

Quando lá cheguei, emudeci ao vê-lo. Algumas surpresas o detiveram em estado de tristeza. Acontecimentos para ele inexplicáveis. Distanciamentos e separações o atormentavam. Meu amigo estava com a alma doente.

Então, saímos para beber algo. Entre uma cerveja e outra, falhei-lhe de morte e vida. Céu e esperança. Muito me foi gratificante vê-lo sorrir candidamente. Novamente. Era lindo ver o meu querido.

Hoje, estou voando de volta para minha morada, mas resolvi que não tiro mais os olhos dele. Seu coração é bravo como o leão; seu espírito, resistente como rochedos. Vi nos seus olhos, o brilho de um guerreiro.

Desta forma, viajei em paz, pois Antônio era bem guardado. E ficou certo de que tinha um amigo especial ao seu lado. Ainda estou de ressaca. Porém, dentre tantas coisas ruins, não achei tão perverso tomar um porre com aquele homem.

Quebrando regras

escritores

O Jefferson Maleski lançou um tema – oficialmente – no Duelo de Escritores, de onde saiu vencedor com o conto Bodas de papel, numa rodada especial.

O tema é… “Que técnicas você usa para escrever, desenvolva de forma original”. Poderia fazer deste, o ponto final. Porque desta vez ganhei uma saia justa. A palavra técnica me assusta, sempre me pareceu soberbo e repressivo, seguir regras na literatura.

Na verdade, nem sei se eu deveria estar participando desta rodada porque ignoro se sei escrever. Ajuntar palavras em busca de expressar sentimentos confusos não é, necessariamente, ato de escrever. No entanto, que favor se negaria a um amigo, ainda que este amigo seja excelente escritor, crítico literário (!), e um dos maiores blogueiros das escritas, no Brasil?

Não sei se estarei sendo original, já que me comporto apenas de forma simpaticamente sincera. Não sei escrever! Este hábito, que posso considerar bom, bateu em minha porta quando eu era uma emanação de puberdade. Escrevi meu meu primeiro ‘conto’, falando sobre tráfico e vícios em escolas públicas. Normal? Sim, tirando o fato de que na época não havia tráficos em escolas públicas.

O conto fez sucesso entre os leitores, meus amigos mais chegados, claro. E lá, nesta distante sexta série, eu brilhei mediocremente como contista. “Você tem futuro”, disse-me Sônia, minha revisora que lia minhas coisas, em troca de eu segurar vela para ela e o João, no quintal lá de casa.

Sempre gostei de ler. Descobri que sou portadora de TDA (transtorno de déficit de atenção), o que fez dessa escrevinhadora, uma auto-didata. Isso muito ajudou, ao menos, a ter noção de algumas regras básicas como acentuação e pontuação (que erro até hoje, é fato).

Cursos, eu estudei Roteiro de comédia e Dramaturgia, com Regiana Antonini. E há pouco, encarei uma faculdade inusitada de Roteiro para Televisão. Inusitada porque foi o primeiro curso acadêmico de roteiro na América Latina. Porém, não decolou. Não formaram mais turmas. Sou pioneira, e pirada com tantas informações – pra quê ser roteirista num país que não faz cinema? Roteirista e estudiosa de dramaturgia eu sou. Escritora, saber-se-á.

Tecnicas? Sentimento, disciplina e fome de escrever. Um pouco disso e daquilo. Vai demorar ser gente grande. Se é que crescerei algum dia. Ponto

Mudaram as estações

É bom quando alguma coisa acontece. Acreditar no pra sempre. Mesmo que acabe, ainda que seja eterno só enquanto dure.  Se estás longe, volte pra casa. Não há motivos para lamentações. Sinta saudades. Só pra voltar pra casa. Cante com os passarinhos, mesmo que sejam os pardais nos fios do poste, na porta de sua casa.

Nada pode ser mais extasiante que acordar pela manhã, numa manhã de sol, a praia linda, sem poluição (!). Um cafezinho, as crianças na rua, os cachorros na ruas. Garis e mulheres limpando ruas e almas. Meninos na lan house brincando de matar. Muito bom olhar a vida com olhos ternos. Nem sempre é vociferar, nem sempre o pessimismo ganha a batalha. Mudaram as estações, nada mudou. Mas eu sei que alguma coisa aconteceu

Contudo, meu amigo, faça você as coisas mudarem. Porque devem. Nem sempre esperança é palavra vazia, Nem sempre a solidão é poética. Mudaram as estações, então aproveite, irmãozinho. Mergulha na tua esperança e olhe a vida de outra perspectiva. Há várias. Se lembra quando a gente, chegou um dia acreditar, que tudo era pra sempre…

E pode ser. A eternidade veio no pacote. Aproveite!

Bom dia, Cássia Eller!

Chronus

tempo

Passa o tempo, ardido como pimenta, quente como o inferno, e estranho como deficientes físicos que se mostram normais. Passa o tempo, brincando de roda com a rosa dos ventos. O tempo safado, bélico e irônico, tal tempo que separa a origem de mim, e de você, meu amor.

Faz quanto tempo, eu não namoro, não beijo apaixonada, ansiosa debaixo do jeans. Imagino James Dean, e imagino que este tempo tem um plano absolutamente cruel para minha plástica.

Êita, tempo velho, rock enferrujado nas cordas vocais da moça sem leite. O leite moça dos pudins de suas ‘ficadas’. És um senhor tão bonito quanto a cara de meu filho, disse o poeta, e que filho não nasce enrugado, seja rico ou pobre?

Ah! tempo bom, tempo mau. De qualquer forma, trazes na mochila, restos da viagem, das mais absolutas viagens incrédulas, pois que não acreditamos em vós! Até, perdoe-me, acreditamos. Porém, não há como prestar-lhe reverências, já que canhestro nos parece envelhecer.

Eu tive uma velha avó, uma tremenda mulher que viu fios de cabelos brancos se transformarem em penugens de pássaro frágil, ao sabor do velho sol que batizou de rugas e doenças, o rosto que foi o mais bonito da rua. O rosto de minha avó. Oh! Bela avó.

Falho tempo, falo para ti, ou diria eu ‘para vós’? Quantos anos você tem, senhor? De qualquer forma, és um senhor tão bonito!…

 O tempo não pára, mais um poeta o disse… E que vergonha eu teria de ser o tempo. Velho não és, entretanto, também não mantém a nossa juventude e nosso juízo no lugar…

Caso contrário, de que forma estranha estaria eu escrevendo para ti?

Ninguém desconfia do quanto és cruel. E se não fossem os velhos escribas, senhor algóz, o que seria de vós? Porque só através da História és soberano. Rei dos séculos, das mazelas entre guerras. Dos tantos movimentos artísticos. Certo, Sócrates?

Errado és! Tempo perverso! Enquanto conto estórias, fazes de mim vulto histórico. És médium, pois me pareceu o Tiradentes aqui he,he.

Tempo perdido, tempo santo e maldito. Historiador das dores e das donzelas sem maridos.

Tempo sem tempo. Deus dos aflitos. Dos condenados à vaidade. Matusalém, e tantos jovens escravos de ti.

Que glória terias você, tempo, tempo, oh! tempo?

De que forma faria de nós, teus súditos?

Porventura achas mesmo que nos conformaríamos diante de tua eterna beleza e juventude?

Por isso eu o envelheço neste poema. Conhece esta forma, esta tendência de poetizar?

Sei que não. É estilo contemporâneo. Parnasiano foi você, tempo, aleijando minhas possibilidades não mais barrocas… Romântico foi você. Nietzsche matou Deus, lembra-te? Todos morrem, não? Menos o senhor!…

Por isso, hoje, eu sou assim, anacrônica, sardônica, leviana e jovem, às minhas custas…

E não preciso mais de você. Faz tempo…

Tempo, um ano só

lucifer

Acabara o mundo, afinal.

Tudo, tudo; tudo aconteceu, como previsto e profetizado outrora. Aqui e no céu, fogos queimaram a todos. Uns em comemoração. Outros, queimando almas, dizimando pessoas sem dízimos. E queimavam também os cães de todas as raças. Artistas viravam fumaça numa fogueira pior e mais quente do que aquela que queimou Joana D’Arc. Leões, tigres e macacos darwinianos sorriam, ao lado de Deus. Talvez bebessem um líquido, uma espécie de drink; possivelmente meio amargo, como o nosso Campari. Porque dava para notar uma careta disfarçada, a cada golada. Em cada sorvida. Os lábios deles tentavam sorrir, afinal era feita a vontade e realizada a vontade d’Ele. Devastada a terra nostra, a linda Amazônia, e o Tibet, encontravam-se felizes lá no mais alto dos céus. Volto ao artista, que ardia resistente. Ele chamou por Lúcifer, num pedido inusitado. Não, este artista, um escritor. É, um escritor! Ele queria, num último momento infernal, ter com o cara. Já estava queimando na ira de um deus que nunca pisara num tablado. E, triste, entre Shakespeare e Isolda, o artista prometia aos seus, que queimaria cada célula de seu corpo, buscando entender tantas ‘glórias’ sem razão e poesias. Ao lado do escritor, um ladrão sorria animado, e, vez por outra, vociferava com o cenho franzido, que ele também era mais o Barrabás! E enquanto isso, uma criancinha rebelde apontava o único dedo da mão, exclamando: “Reencarnação!”

Jamais imaginara tamanha fogueira, o nosso artista. Os olhos, pretos de fuligem, viam cavalos alados, relinchando em orações. Ele estava apavorado. De verdade. Seu corpo doído, e as mãos sem canetas, tentaram conferir se aquela água quente era seu mijo. Constatou que era a única água que teria contato. Além das lágrimas negras, evidentemente. Olhou para o céu. Mas não via o céu. Eram vários céus! Uma zona maior que a Vila Mimosa, lá do Rio de Janeiro. Todavia, ainda assim, ele, o escritor, resistia. Haveria, pensou imerso em quente angustia, ele haveria de cumprir e honrar sua palavra. Falaria com Lúcifer, antes de virar pó.

Porém.

Detido nesta palavra, percebeu a tempo, que era humano demais. Falho e inconstante ele era, pensou, fechando os olhos úmidos. E também que blasfemava, por ter razão e poesia em seu ser. Pelos seus cálculos ensandecidos de calor real, achou que já passara um ano ardendo na gigantesca e dantesca fogueira. Um ano esperando ter com o Diabo. O tal do Lúcifer. Até que sua vista foi nublando. Então, ele olhou envergonhado para todos os artistas ao seu redor. Quer dizer, as cinzas deles. E mais uma vez chorou. E urinou nas coxas. Estava chegando seu fim, por fim.

Entretanto.

Outra palavra que o animava. Entretanto, eis que um vento espiritual aliviou seu curtido rosto. Um frescor último secou suas malditas águas. As últimas águas que sentia o artista. Com os olhos semi-serrados, ainda vislumbrou assustado, um anjo estranho que, com apenas a asa esquerda, soprava seu alívio, na verdade o alívio dos dois. Queriam fazer contato, pensou, um tanto esperançoso, o ex-poeta. E, num sopro quase divino sussurrou:
– És o Lúcifer, enfim, ou estarei eu, em agonia por um ano, sem comer e beber, queimando num inferno insensato?

– Sou eu – respondeu aquele anjo de asa quebrada. A direita.

– Tem certeza que não escrevo uma poesia?

– Sim. Eu tenho. – e olhando ao redor, todos os céus desfeitos, declarou: – Porque também eu, briguei por vocês. Mas creio que perdemos…

E neste exato momento, o Universo escutou, em uníssono, todas as vozes matrixianas, de todos os artistas:

– Amém!

 

 

[Este conto participou de uma rodada especial no Duelo de Escritores. Foi o mais votado, embora lá (confiram) tenham publicado ótimos textos, de belos escritores talentosos. Como não havia terminado a votação, o Jeff tá levando, merecidamente.

Obrigada, Jefferson, por ter me incentivado e feito as devidas correções no texto acima. Aliás, confiram o excelente conto com que o  Jeff participou, Bodas de papel. Vale a pena.]

leitores.com

beijo-dourado

Nem tudo era o que parecia ser, e nada possuía vozes, como também o vazio a cercava, cerceava em infrutíferas vezes de coito vão. Redundante, sua vida acabava em cada manhã para depois recomeçar insosa. O sol e a chuva eram apenas fenômenos de um mundo opaco e sem sentido. Um quadro de natureza morta.

Nada respirava em seu corpo, as poças de lama e os lençóis, tanto fazia, se de areia ou linho. Tudo tudo era afinal e em princípio, um grande tédio, vácuo dos desterrados. Estava fora de si. Levitava sem rumo.

Lá atrás, nos cantos da memória, lembrou do Sílvio. Logo o Sílvio?!

Isso mesmo, aquele garoto perturbado, que ao atravessar a rua ‘atropelara’ um carro. O carro do seu imponente pai.

(…)

E o que isso tema ver com o que eu queria falar? Essa mente da gente, eu hein!

Eu entrei aqui no meu rascunho só para conversar com os amigos. Tanto os íntimos que me visitam, como com os amados leitores que vêm aqui aglomerar essas tantas visitas diárias.

Oi, gente, tudo bem?

O que eu estou muito afim de dizer é que me encontro feliz. Não, nenhum motivo especial, não. Apenas acordei com vontade de abraçar o mundo todo, especialmente vocês, meus queridos leitores. E meus amigos íntimos, também leitores. E os blogueiros, igualmente leitores.

Entrei aqui no rascunho do blog apenas para dizer que eu os amo. De verdade.

Não vi passarinho verde, nem azul. Só senti esta vontade de estar com os amigos. Sinto que precisava dizer que muito os quero bem, e que este blog não é meu, mas de todos vocês que me visitam. Sintam-se beijados e abraçados.

PS – Este conto do Sílvio, eu termino depois. Hoje, os personagens principais são meus queridos leitores.

Um beijo carinhoso da Dai! 🙂

O barqueiro de Paraty – Odir Cunha

 

Um brinde aos leitores, este livro de Odir Cunha. Uma viagem no tempo de Epicteto, em plena atualidade, evocando imagens da maravilhosa e histórica cidade de Paraty. Epicteto, o filósofo.

A Mundo Editorial , é uma editora de raro bom gosto. Dada  a velocidade de informações na internet globalizada, ser uma editora de livros impressos, é uma ousada dádiva para quem realmente sente  prazer em editar e ler um livro de papel.

O lugar é Paratyassessorada pelo mar, aqui no Rio de janeiro. Mais de cinqüenta trezentas praias paradisíacas cercam esta cidade que se orgulha da FLIP – Feira Literária de Paraty.  Uma cidade que respira arte, e que, em todas as charmosas esquinas, pode-se esbarrar com um pintor leviano, misturando escolas, num quadro único.

A linda estória do livro começa com Pedro, um homem maduro, escritor adormecido, amargando o fracasso. Em todos os sentidos, ele se sente acabado: no casamento, perante os filhos e, principalmente, na vida profissional, pois era o mantenedor oficial do conceito família. O chefe da esposa e dos filhos.

Ao encontrar amigo dos tempos de escola, o Mauro, aceita o convite deste para passar alguns dias na sua casa, em Paraty.  Saindo de uma São Paulo conturbada, Pedro depara-se com amigos verdadeiros, e, de quebra, assimila as provações de sua própria vida aos ensinamentos de Epicteto.

Não é livro de auto-ajuda. Tampouco pretende, Odir Cunha, impor ensinamentos através de seu romance. O que se vivencia aqui, é a mais básica das verdades de nossas vidas: a possibilidade de reescrevermos nossa própria estória, a partir de desventuras mundanas e materialistas. É possível negar o nosso lado espiritual? Acho que não.

Odir Cunha, jornalista e escritor, é autor de alguns excelentes livros, como Sonhos mais que possíveis – Editora Planeta ( 2008); Oscar Schmidt, a biografia do maior ídolo do basquete brasileiro – Editora Best Seller (1996).

A sensação que me invadiu, ao terminar a leitura, foi de completo abandono. Eu queria mais!

A trajetória do personagem Pedro, costurada por belas imagens paradisíacas, e mais  a companhia filosófica de Epicteto, simplesmente encantam de tal forma, que fica impossível não sair o leitor com o espírito renovado dessas lindíssimas páginas da literatura brasileira contemporânea.

Trecho do lvro:

“_ Só queria lembrar duas liçõezinhas de Epicteto – emendou Mauro – Acho que elas poderão ajudá-lo muito nessa escolha (ficar ou não em Paraty, e levar uma vida saudável e simples). Primeira: o mestre diz que devemos definir claramente a pessoa que queremos ser. Idealize isso. Está vendo aquele espelho? Pois olhe para ele e veja você mesmo daqui a dez anos. Olhe bem nos olhos daquele Pedro. O que eles passam? Alegria, realização, felicidade? Pois o que você imaginar, vai acontecer.”

Livros como O barqueiro de Paraty fazem festa em um coração ávido por boa literatura brasileira.

Uma mostra do amor à literatura, em Paraty.

 Ouça aqui a entrevista do jornalista Barbeiro com o autor.