Quebrando regras

escritores

O Jefferson Maleski lançou um tema – oficialmente – no Duelo de Escritores, de onde saiu vencedor com o conto Bodas de papel, numa rodada especial.

O tema é… “Que técnicas você usa para escrever, desenvolva de forma original”. Poderia fazer deste, o ponto final. Porque desta vez ganhei uma saia justa. A palavra técnica me assusta, sempre me pareceu soberbo e repressivo, seguir regras na literatura.

Na verdade, nem sei se eu deveria estar participando desta rodada porque ignoro se sei escrever. Ajuntar palavras em busca de expressar sentimentos confusos não é, necessariamente, ato de escrever. No entanto, que favor se negaria a um amigo, ainda que este amigo seja excelente escritor, crítico literário (!), e um dos maiores blogueiros das escritas, no Brasil?

Não sei se estarei sendo original, já que me comporto apenas de forma simpaticamente sincera. Não sei escrever! Este hábito, que posso considerar bom, bateu em minha porta quando eu era uma emanação de puberdade. Escrevi meu meu primeiro ‘conto’, falando sobre tráfico e vícios em escolas públicas. Normal? Sim, tirando o fato de que na época não havia tráficos em escolas públicas.

O conto fez sucesso entre os leitores, meus amigos mais chegados, claro. E lá, nesta distante sexta série, eu brilhei mediocremente como contista. “Você tem futuro”, disse-me Sônia, minha revisora que lia minhas coisas, em troca de eu segurar vela para ela e o João, no quintal lá de casa.

Sempre gostei de ler. Descobri que sou portadora de TDA (transtorno de déficit de atenção), o que fez dessa escrevinhadora, uma auto-didata. Isso muito ajudou, ao menos, a ter noção de algumas regras básicas como acentuação e pontuação (que erro até hoje, é fato).

Cursos, eu estudei Roteiro de comédia e Dramaturgia, com Regiana Antonini. E há pouco, encarei uma faculdade inusitada de Roteiro para Televisão. Inusitada porque foi o primeiro curso acadêmico de roteiro na América Latina. Porém, não decolou. Não formaram mais turmas. Sou pioneira, e pirada com tantas informações – pra quê ser roteirista num país que não faz cinema? Roteirista e estudiosa de dramaturgia eu sou. Escritora, saber-se-á.

Tecnicas? Sentimento, disciplina e fome de escrever. Um pouco disso e daquilo. Vai demorar ser gente grande. Se é que crescerei algum dia. Ponto

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6 comentários em “Quebrando regras

  1. Há tempos não passava por aqui. Depois da estabilidade virtual, reparo aqui uma notória leveza nos dedos, na mão, nas palavras. E adoro… Também sou daqueles que escreve com o coração, independente do que ele sinta. Razão na escrita é pra quem cusra Exatas, desconfio. Somos Humanas, humanos.

    Um beijo com saudades.

  2. Meus amigos: JEFF, COCHISE e DJABAL,

    É certo que em escritas nada mais se cria, talvez tudo se copie. Como diz o Erwin, é meio que o fim do mundo, o hibridismo acomete essa era, e não poderia deixar de atingir a literatura, a arte.
    Percebo que temos ânsia de falar, só que através da escrita. Não acho que tenhamos mais tempo para ‘aperfeiçoamentos’, técnicas, etc. São mesmo os sentimentos que contam. É confuso, mas a época é outra. A internet, por si só, desconstrói, e Cochise deu exemplo usando seu próprio martírio.
    “Outro dia um amigo me disse que eu sou a única pessoa que ele conhece que se desconstrói o tempo todo.”
    Creio que ainda seja admirável ver pessoas como vocês, meus amigos, escrevendo tão bem. Djabal é sumidade, existe um revisor em seu espírito hehe. Jeff, com sua técnica da perfeição me emociona. E Cochise, escritor de vários livros publicados também me encanta.
    Mas é certo que o que conta mesmo é o conteúdo de assombros e sentimentos, principalmente nesses tempos escatológicos de internet e globalização.
    Fica aqui minha admiração pelos amigos escritores. Aprendo muito com vocês. Eu cresço com vocês.
    Um beijo carinhoso a todos. 🙂

  3. “Não podemos contar com a perfeição neste mundo – bem-aventurado aquele que não se entrega de modo tão obstinado a seus esforços. Não se constrói uma só casa, nem se traça um único plano que não tenha por pedra fundamental a sua queda; e não é em nossa obra que reside a nossa fração de imortalidade.”
    Ernst Jünger.
    E nesse arrazoado encontraremos tudo.
    Os homens hoje querem as emoções. Lá dentro de cada um, ela se arranja e a razão a dispõe numa folha de papel. Para que outro compartilhe. Não queremos mais explicações. Não precisamos de técnicas. Tudo está fadado e fanado ao fim.
    Queremos emoções como se fossem ladrilhos que completasse uma figura. A figura explicativa daquele que lê. Quando o ladrilho é belo. Ponto. Quando o ladrilho o é menos, pronto. Atira-se longe.
    Você se especializou sem o saber em produzir os belos. Siga. Continue. Emocione-se e nos emocione também. Besos, linda.

  4. Outro dia um amigo me disse que eu sou a única pessoa que ele conhece que se desconstrói o tempo todo.
    Escrever não é o fim da jornada. Depois de construir o texto, eu mesmo o desconstruo. Cito fontes e referências, mostro as pistas deixadas, sigo meu rastro para trás…
    Gosto de procurar alguma originalidade apesar da originalidade não ser um bem em si, mas gosto de procurá-la. Como é impossível, simplesmente ieditizo clichês. Junta tudo, muda uma coisa ou outra e lá está, um clichê com uma fantasia de carnaval para ficar irreconhecível.

    Eu sou uma grande fraude a espera de um bom detetive, alguém que me jogue na cara todo o trabalho alheio apropriado no meio do caminho até chegar lá. Todo o drama barato travestido de existencialismo, surrealismo e outros ismos…
    Criei o hábito de fazer resumos de duas linhas das coisas que leio e escrevo, apesar de que nunca diria que guerra e paz fala sobre as guerras napoleônicas, porém dizer que defende a não violência e também tem o poder de retirar o encanto.
    O encanto está no detalhe, na fantasia de carnaval, porque por baixo dela ainda está um dos clichês velhos e desgastados, um clichê absolutamente sem encantos.
    Uma roupa exótica e sedutora por cima de um velho decrépito.

  5. É um post mais pra crônica-ensaio, hehehe.

    Apesar de se arrepiar qdo fala de técnica, vc a usa mesmo q não saiba. Vamos adquirindo, com o passar dos textos, uma experiência q vai se aprimorando mais e mais, e usando oq aprendemos em outros textos. As leituras tb nos influenciam bastante. Os bookaholics (palavrinha q aprendi essa semana) sempre vão ser influenciados pela técnica alheia. Querendo ou não, ela faz parte dq vc lê e faz parte dq vc escreve.

    Só tem uma diferença: vc conhecer ela ou não.

    Pelo lado de não conhecer, vc pode pensar q verá o texto mais natural, com um olhar “seu” e não tentando desconstruir algo q outro construiu, afinal, vc não tem empresa de demolição! Esse olhar sem lentes é oq faz mtos fugirem da técnica, apesar dq, como eu já disse, ela estar ali.

    Por outro lado, vc conhecendo e a usando, pode ver coisas q o autor usou para poucos verem. Consegue ver uma manipulação, uma trama escondida, uma mensagem brincalhona. E vc consegue fazer isso também com os seus leitores. É uma corrente…

    Agora, se vc prefere uma visão à outra, não sou eu quem vai julgar. Tem uns q são felizes assim outros assado. Por isso, continue fazendo oq te deixa feliz sem ligar pros outros. Oq vale é vc!

    1 abraço

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