Silêncio

Lá fora, as árvores escondem tantos segredos. Em cada segredo uma sabedoria. Sejam de andorinhas, ou qualquer ser vivo. Somos tolos e não sabemos ouvir.

E, ainda assim, eu ouço o silêncio da árvore. É fácil. Aperte o play lá dentro e espere os pássaros. Ouça o metrô, a música no vizinho. Ouça Fernando Pessoa.

 

Chove. Há silêncio…

 Chove. Há silêncio, porque a chuva

Não faz ruído senão com sossego.

Chove. O céu dorme.

Quando a alma é viúva

Do que não sabe, o sentimento é cego.
Chove. Meu ser (quem sou) renego…
Tão calma é a chuva que se solta no ar
(Nem parece de nuvens) que parece

Que não é chuva, mas um sussurrar
Que de si mesmo, ao sussurrar, se esquece.
Chove. Nada apetece…
Não paira vento, não há céu que eu sinta.

Chove longínqua e indistintamente,
Como uma coisa certa que nos minta,
Como um grande desejo que nos mente.
Chove. Nada em mim sente…

Fernando Pessoa

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6 comentários em “Silêncio

  1. CAMILA – Depois da dor é que fica bom 😉 Beijos Bom você aqui, poeta das melhores porras hehe.

    FÁTIMA! – Só comento porque é para isso que comentários existem. Então, digo que você não escreveu, apenas levitou. Lindo…

    JHONATAS – Eu também adoro pessoas como você. Cantemos duetos sim. Bata em minha janela. 🙂

  2. Os pássaros são bons professores…
    Gosto muito de Pessoa!

    fotografo pássaros na esperança de extrair as pérolas de cada dor ou coisa estática que “não paira vento”, chuva…

    Belo post!

    Que possamos cantar duetos em tons distintos até, mas sempre em harmonia.

    bjsss

  3. Dai,
    Oi, menina!
    Saudades docê.

    Chove…e é forte,
    Ouço o chicotear das águas na janela,
    e, neste meio-tempo, tento avaliar meu último ano…

    Inútil,
    A chuva me distrai,
    leva para longe meu pensamento,
    quero estar aqui, centrada e em equilíbrio;
    Todavia estou lá,
    num labirinto de emoções e dos sentidos…

    Chove,
    nuvens negras preenchem o céu,
    olho para elas de soslaio,
    torcendo para que sumam logo,
    para que as nuvens não escureçam também a minha alma.
    para que elas não me tragam maus pensamentos….

    Estava escrevendo quando começou a chuva
    Essa chuva!
    Até que ia bem, mas agora o cursos pisca,
    e nada de surgirem palavras, só sentimentos….

    Melhor render-me,
    a chuva vence,
    Sento-me no sofá, para melhor apreciá-la pelas janelas,
    Então o vento chega para acompanhá-la,
    chuva e vento,
    noite dos ventos…

    Lembro-me de Ana Terra,
    Lembro-me de outra Era,
    A Era Glacial há muito se foi,
    agora vivo dias de primavera;

    Mas, pergunto: até quando durará essa alegria?
    Até quando manterei o sorriso nos lábios?
    Se a paixão é efêmera,
    Há garantia de que o amor tomará seu lugar?

    Temo que o futuro incerto
    venha estragar a receita do bolo,
    que até então está dando certo,

    Só resta sentar e esperar,
    Espero!

    Cada dia melhor,
    continue nos presenteando com teus textos inspiradores, minha amiga!
    Beijos e mais beijos e mais beijos
    🙂 🙂 🙂

  4. Muitas vezes (muitas) saio de seu blog com minha cabeça mais tranqüila, porque se existe uma pessoa realmente preocupada com o ser humano, é você, meu querido. Isso quer dizer que eu te gosto muito. Precisamos, uns dos outros.
    Visita prazerosa, Malzinho.
    Beijo 🙂

  5. cansei do silêncio, de ouvir somente à mim mesmo, preciso dessas árvores, desses pássaros, achei você… é pra comentar sobre o que você escreveu e te elogiar, mas só falo em ninharias, em mim mesmo, enfim, isso é o que vale apena te visitar, pra ver como sou pequeno diante de ti.

Sua opinião me interessa ;)

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