Domingo

homem
Domingo é um bom dia. Distração. E até, muitas vezes, um dia de pura comunhão com nada. Ou não. Quem seria eu para profetizar este dia bom.
Domingo é antigo, Raul se entediava por ter que dar pipocas aos macacos. Darwin? Ah, chega desse papo.
Domingo, às vezes pode ser bom. Deveria ser bom, se não fossem esses erros que cometemos nos dias que antecedem este dia.
Domingo é bom, folga, preguiça, jantinha rápida e nenhuma vontade de estar com ele.
Passei um domingo bom. Passei, antes, por ele. É, na verdade, um péssimo dia, se você estiver com homens. Não confie em homens.
Arrependo-me, pois poderia ter passado este dia confiando num beija-flor, numa formiga. Entretanto, estupidamente, pensei em homem, ao invés de resgatar a natureza que não tarda a acabar.
Não confiemos nos homens. Aos domingos menos ainda. Os homens mentem. São hipócritas e não merecem, nem céu, nem inferno. Os homens mentem. Não confiem neles.
Domingo não existe mais. Pena ver as igrejas debatendo-se, num momento em que não há mais homens de confiança. Não, não confiem nos homens.
Tente as borboletas, as gaivoras, corsas. Focas? Experimente qualquer coisa diferente de homens. Até as tartarugas são honestas, mesmo minhocas se prestam a algo. Mas não creiam nos homens.
Não há diabo a nos irar. Nem Deus a errar ou envergonhar-se da criação. É certo que o erro, nós os cometemos. Traimos a nós mesmos. Não creiam em si mesmos. Não acreditem nos homens.
Um bom domingo seria bom sem estar pensando em outrem. Sem estar com vontade de matar a criação. Por que eu tenho como vizinho um homem? Por que não um gato? Uma abelha? Baleia seria pedir demais…
Não peço, exijo: não quero homem por perto. Sobrevivo sem ele, nem quero ser humana mais.
Um domingo seria bom sem falsas palavras, caso tivéssemos coragem de dizer a verdade a respeito de nós mesmos. Não devemos crer na gente. O povo mente. Teu marido mente. Tua esposa mente.
Um bom domingo seria estar só, em meio a pipocas, esquecendo-se da humanidade, e assistindo várias vezes aquele mesmo filme.
Domingo que nada!
Homens nada valem, afinal. Não confie na humanidade. O homem errou sempre. Mentiu sempre.
Quem dera ser uma simples borboleta, ou um leão dos bons.
Provavelmente adestrariam-me, porque homem não presta. É puro veneno que matou baleias e esperanças.
Domingo só é bom se for de mentira. Não procure a verdade, ela não te libertará.
Antes, te mostrará quão falso é o homem. Não acreditem nos homens. Seja um beija-flor. De preferência se for domingo.

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11 comentários em “Domingo

  1. foi nun desses que a morte levou me domingo e com ele levou a esperãnça a insetinha mesmo como no conto da Clarice Lispector que uma esperança adentra a casa de uma família e os personagens passam a disrtar sobre o inseto . Comigo aconteceu assim , estava comendo pipocas , sim estava mesmo e joguei pipocas para meu cachorro , Cauby que me lançou uma flecha de amor , mas foi tanto amor , que eu me rendi , me prostei a sua ingenuidade , por seus encantos e fui levando como se não existissem mais os homens , principalmente os racionais e os de membros tbm , naquele momento eu me apaixonei por um cachorro , sim mais era tudo fantástico pois ele desconfiava de mim e eu queria mostra-lo que eu era um ser humano bondoso e tinha minha espiritualidade mas nada disso ele queria ver , foi então que dessa cegueira diabólica eu nasci e renasci como anjos que não tem pecados e nem pensam , apenas agem como Deus e como tudo tem que ser , eu nao sabia mais como que as coisas tinha que ser em minha vida , so queria mostrar que eu tinha um protetor e que nos ganhamos aquele domingo para sempre e tudo continuou naquele domingo , acho que vou envelhecer naquela dia de pipocas e mal entendidos.

  2. Luciano!! 🙂
    Bom te ver aqui, tava com saudades. Não se impressione, pensamentos passam, como os dias da semana. Sempre tem a segunda-feira para nos trazer à tona hehe.
    Beijo, querido!

  3. Isso que dá refletir sobre a humanidade. Por causa de pensamentos assim que eu deixei de ir ao cinema sozinho.
    Um abraço moça. Teu texto tá uma delícia.

  4. “E me afastarei uns trinta quilômetros rumo à costa,
    onde um dia vi como a relva alta e escura
    chegava até o mar, e só
    estes pastos roçando-me as orelhas serão minha alegria,
    e essas águas que não exigem rigores
    serão meu bem:
    estender-se apenas na areia molhada, sem sapatos,
    e fechar o coração, fechar os olhos,
    como os caracóis marinhos, os duros,
    os mais avermelhados.

    Antonio Cisneros

  5. não entendi mas gostei daqui, quer dizer, opa, da dona do bloguinho. só existe domingo? 😉

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