Uma esperança

esperança

“Aqui em casa pousou uma esperança. Não a clássica que tantas vezes verifica-se ser ilusória, embora mesmo assim nos sustente sempre…”
O que pode ser melhor que iniciar a semana com… esperança? Melhor ainda, lendo Clarice Lispector, relembrando como é bor ser humano, ser feliz, ligar o rádio, pão com manteiga e um conto desta musa, trazendo à minha lembrança a palvra esperança.
Talvez não a palavra em si, mas o fato de vir à mim, numa segunda-feira, em uma manhã eu sozinha, sei lá. Há algo de sobrenatural, uma espécie de voz me dizendo: Olá, está chegando para ti algo de muito bom!
O fato é que eu me animei, liguei as máquinas, músculos e computador. Resolvi dar vida a esta esperança. Lá, no conto de Clarice trata-se de um trocadilho com um insetinho verde que realmente entra em sua casa. Entretanto, este detalhe (ser um inseto) não livra o poeta de divagar. Esperança não é, definitivamente, a última que morre. Muito ao contrário, ela se eterniza em nossa alma. Ela se revigora, passa por metamorfose, muda os sonhos e os desejos. Porém, está sempre lá, pousada na parede do nosso estômago, dando aquele friozinho gostoso e a certeza de que algo bom vai acontecer. Um novo dia, uma nova empreitada profissional, um novo casamento. Ah… e no coração, ela é sempre condescendente. Chama a amiga ilusão. O coração recepciona a festa que antecede um novo amor. E creia, ele sempre vem.
A Bíblia diz que três são as coisas boas e fundamentais para nós: o amor, a fé e a esperança. Devemos esperar sempre. Fé é algo invisível que acredita no invisível. Um tanto complicado. Todavia, a esperança faz parte da gente. Está no DNA. Mudanças é o que anseamos, necessitamos. Um novo governo mediano, um carro novinho, talvez importado. Uns quilos a menos e puf! Um novo amor. Poetas, somos privilegiados, pois roteirizamos nossas coisas de amor.
Diz mais o conto clariciano:
“Antes surpresa minha: esperança é coisa secreta e costuma pousar diretamente em mim, sem ninguém saber, e não acima de minha cabeça, numa parede.”
O inseto é frágil, bonitinho. Qualquer aranha pode comê-lo. Mas ele não desiste de viver entre os predadores. Coisas de esperança. Ela não morre não, meu amigo. Nem em última instância. Não mesmo.
Se eperança morresse, eu não teria acordado feliz, numa segunda-feira, com um livro antológico de Clarice Lispector em minhas mãos.

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