Azul como deve ser a alma!

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Antes eu sempre mudava o tema do blog. Resolvi voltar à esta prática. O azul e as variantes do roxo são lindos. A primavera também.

O uísque é o melhor amigo do homem, ele é o cachorro engarrafado. (Vinícius de Morais)

Dentre tantas coisas bonitas escritas pelo poetinha, esta sempre soou mal para mim. Cachorro engarrafado?! O cachorro é mesmo um grande amigo. Já o uísque. Santa cirrose.

Curta primavera

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Quanto tempo passará até que não mais haja pressa de correr no tempo. Quantas vezes ainda terei de voltar aqui, abrir o blog, a cabeça, e tentar me comunicar de forma a não sentir-me meio morta e meio viva.

Por que eu tenho que escrever. Posso ficar lendo e dormindo. Posso desistir de fazer roteiros. Não, não posso. Começo a filmar meu média ano que vem. Mais fácil o curta. E aí? Ainda faltarão pedaços de mim. De mim em ti.

De qualquer forma, ando buscando inspiração na primavera. Não vou falar de amor, este ano não invento nada. Cresci, acho. Preocupada com meu roteiro, e uma casa grande para cuidar, penso se compro ou não um rottweiler.

Olho para a academia e quase entro. Olho para a loja de roupas e quase entro. Olho o bar. Não! Engorda distrair a mente com rodadas geladas de cervejas veneno. Qual carro afinal vou comprar? O que o dinheiro der, ou financio um até morrer.

Droga, meu roteiro não tá bom, personagens de vários outros contos e roteiros marcam encontro. Não se entendem. São todos heróis. Onde está o mal? Preciso de um vilão!

Preciso de sossego, de amigos, de um assistente de roteiros. Acho que decidi. Não quero mais cachorro. Vou andando de vans e taxis. Por enquanto. Somente por enquanto não preciso de mais nada. Ou melhor, é primavera!

Flores!

Flores!

Eu vejo flores em você.

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Remexendo aqui e ali achei meu primeiro roteiro de curta, que escrevi em dois mil e seis para uma prova na faculdade. Não editei, tá igualzinho, portanto não considerem algumas falhinhas.

Maravilhosamente XIV Bienal Internacional do Livro no Rio de Janeiro

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Espetáculo

Personagens criaram vida, surgindo diretamente das páginas dos clássicos, sob a curadoria do ator e diretor Paulo José. A atração contou com a participação de Matheus Nachtergaele, Tony Ramos, Marília Pêra, Giulia Gam, Elisa Lucinda, Domingos de Oliveira, Priscilla Rosenbaum, Renata Sorrah, Lázaro Ramos, Paulo Betti, José Mayer, Malu Mader e Mariana Ximenes. Sensacional!

Saudades

Quando eu iniciei na blogosfera, foi no Lendo.org do André Gazola. Lá, eu comentava clássicos da literatura. Falei de Machado de Assis a Bruna Lombarde. Era um prazer incomensurável. Eu respirava literatura, comia livros. Depois fiquei solo aqui no Blog da Dai. Comecei a escrever na net. Virou vício.

Sinto falta de falar de literatura. Talvez eu crie um novo perfil aqui, dando destaque aos livros. Tenho lido coisas interessantes e profundas, como filosofia, teologia comparada, e contos de autores ao redor da terra. Lá, no Lendo.org eu nunca falava da Bienal daqui do Rio, pois achava que poderia parecer soberba porque vários dos amigos da rede moravam no interior dos estados.

Enfim, hoje vejo que poderia e posso fazer muitas matérias dessas bienais cariocas. Porque são incríveis mesmo, pessoal. Olha, por exemplo estas performances aí. É coisa de louco. A Bienal é um mundo de sonhos, onde você definitivamente não quer acordar. Fico imaginando a Alice e o Pan.

Livros

Para os tietes de autores é prato cheio. Transbordantes. Entre os norte-americanos, um desfile. Como Arthur Phillips (comparado a Hemingway); o quadrinista Dash Shaw de apenas vinte e seis anos; Meg Cabot, autora de mais de quarenta best sellers, geradora de filmes da Disney. E muito mais, o post tem que acabar.

Destaco David Wroblewski com o livro A História de Edgar Sawtelle. O escritor anda sendo muito elogiado por nada menos que Stephen King. O livro conta a estória de um menino mudo diante do assassinato do pai. Vai virar filme. Tom Hanks e Oprah Winfrey já compraram os direitos de filmagem. Vai dar samba.

Sem falar dos brasileiros. Na próxima.

A revolta dos corvos – parte II

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Leia a primeira parte, por favor.

A Revelação

Edgar pousou a mão no peito. Calma, Edgar, muita calma.
A xícara despedaçara-se no chão. Arrastando os cacos com os pés para um canto, o rapaz, mais calmo, respirou fundo. Um frio brilho cobriu o seu olhar.

Resolveu que desceria e o enfrentaria. Onde ele conseguira aquele Jaguar. Era antigo. Achou muito estranho, pois Joe I’kselam e sua BMW preta eram inseparáveis. Provavelmente alugara o Jaguar para impressioná-lo, pensou. O que tanto temia estava prestes a acontecer. Com a chegada daquele homem, certamente todos correriam risco de vida. E ele ainda precisava receber o detetive Dupin, pois o assassino de Violet não ficaria impune. Era um juramento!

O visitante encontrava-se no jardim generosamente coberto de tulipas, narcissus, hyacinthus, íris, lírios e amarillis. Ainda que muito bem cuidado, naquele final de tarde especialmente, parecia sem vida.

Joe I’kselam observou os passos desengonçados do serviçal. Sorriu irônico. Perguntava-se até onde iria a ousadia daquele personagem. Quase folclórico, Joe nem havia decidido por sua personalidade ao certo. Só num último momento soubera que o rapaz era gay.

Edgar diminuía a velocidade dos passos, como que um animal preparando-se para atacar. As longas unhas estavam afiadas. Mais uma vez o escritor sorriu de sua coragem. Por um momento teve ímpetos de abrir os braços , entretanto, ele estava ali com um outro objetivo. Cenho franzido.

_ Olá, Edgar! Belo jardim. Meus pulmões folgam com a natureza ao redor.

O rapaz o fita em silêncio. Aponta o banco de pedra. Sentam-se. O mordomo esfrega as mãos. Rompe o silêncio:

_ Devo supor que desististe do livro. Que outro motivo levaria um escritor a entrar no território de seus personagens?

I’kselam revira o casaco de couro. Acende um cigarro, enquanto Edgar tosse discretamente.

_ Ah, desculpe-me, Edgar. Esqueci que você não fuma. – irônico.

Edgar se recompõe:

_ Vamos direto ao assunto. O que houve, afinal? Que carro é esse? É pra fazer clima por estamos no século passado? Onde está a BMW?

Joe, sem parar de rir, olha as flores. Está encantado:

_ Como são lindas! Exatemnete como eu as imaginei… Pobre Violet. Esse jardim era para ela. Para que andasse toda manhã, e pousasse suas mãos em cada uma delas, apaixonada…- suspira e olha Edgar com as feições endurecidas – O editor condenou o projeto. O primeiro conto tá uma porcaria. Disse que para homenagear Edgar Allan Poe, tenho que ter culhão.

O mordomo ri. Mão tapando a boca.

_ Você está mesmo fracassado, escritor. Há quanto tempo não lança um livro? Espere, deixa ver. Desde a morte trágica da senhora I’kselam? Pobre escritor de romances obscuros. Sua vida virou ficção. Quem matou sua mulher? Ah! – mordaz – não foi ninguém mais que aquele teu amado carro…

_ Chega! Para personagem prestes a ser apagado, você está indo longe demais. Vim para dizer que acabou. Todos vocês morrerão. O livro está ruim. Repleto de erros primários. Confuso. A editora pulou fora. Estamos todos mortos. Nada mais faz sentido. Não sou Poe, não tenho vida nas entranhas. O vale secou. Não tenho Elenor.

O rapaz olha o escritor com certa comiseração. Um corvo pousa sobre a árvore defronte a eles.

_ Convenhamos. Antes, poderia até ser. Mas hoje, querer homenagear Edgar Allan Poe, você, com essa cabeça desequilibrada? Tem dó.

O escritor fecha os olhos, com uma tulipa na mão:

_ Este beijo em tua fronte deponho. Vou partir. E bem pode, quem parte, francamente aqui vir confessar-te que bastante razão tinhas, quando comparaste meus dias a um sonho… O que vejo, o que sou e suponho não é mais que um sonho num sonho.

O corvo solta um grunhido.

_ Gosto das poesias de Poe, – disse Edgar, por um momento baixando a guarda. Mas voltou à defensiva. Partiria para o ataque, finalmente.

_ Escritor, nada tenho contra ti, fui criado manso e amigo. Mordomo.Tu me concebeste, não sou muito satisfeito com seu pouco caso ao me compor. Porém, digo que este conto vai ser terminado. A morte de Violet não ficará impune!

Quando Joe I’kselam iria retrucar, sentiu forte pancada na cabeça. A última imagem que viu, foi a da velha senhora, tia de Violet, com um bule de chá na mão, e um sorrisinho de vitória nos lábios enrugados.

A revolta dos corvos – parte I

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Para Edgar Allan Poe, com receios.

Parte I – O homicídio

Auguste Dupin não tardaria a chegar. Entretanto, era tarde demais. Quando Edgar ligara para a polícia, achou que salvaria a vida de Violet, sua patroa, que agora sangrava como um porco no chão de madeira, no centro da aconchegante sala de estar. Três apunhaladas fatais. Abdômen, pescoço e coração.

A garganta branca, fazia com que seu cadáver tivesse algo de sobrenatural. Como se ela já fosse morta, antes de morrer. E o fraco fogo na lareira contribuía para as sinistras imagens.

Balançou os longos cabelos negros, enquanto com um chute carinhoso afastava o gato, para que este não lambesse o sangue de sua dona. Um raio rasgou o céu, as árvores dançaram ao som de Wagner que a patroa pusera na vitrola, antes de atender a porta.

Um arrepio percorreu-lhe a espinha. Sua testa estava úmida de suor, apesar do frio. Outra vez esquecera de mandar chamar o técnico do aquecedor. Pobre Violet, suspirou Edgar, tomando o gato nas mãos, e correndo para a dispensa, um lugar adequado para trancafiá-lo, por hora.

Enquanto uns corvos batiam nas vidraças, reinvindicando o alimento que Violet lhes dava toda tarde, ela encontrava-se no segundo andar, depois de tomar três comprimidos. Valium. Normalmente seria considerado muito, quase suicídio. Contudo, neste caso, era dose normal. A patroa sempre implicava com isso, dizendo que acabaria se matando com tantos remédios. Quanta ironia, sorriu o homem, com dentes tristemente encavalados.

Subiu vagarosamente as escadas com um fumegante chá inglês, sem deixar de dar mais uma olhada para Violet. Sentiu compaixão. Observou aqueles tão bem tratados cabelos que agora, empapados de sangue perdiam o brilho ariano dos cachos. Ainda tinha o rosto de menina, apesar de já ter completado vinte e seis. O outrora alegre corpo, jazia inanimado, com as pernas levemente abertas no tapete grosso.

Mais um trovão. Falta luz, como era de se esperar. Às escuras, Edgar apalpa os consoles do corredor, no segundo andar para alcançar as velas. As lamparinas ficavam na cozinha. Não desceria todos aqueles degraus, mesmo porque ela esperava seu chá com ansiedade. E o rapaz não quereria vê-la nervosa outra vez.

Acendeu as velas num castiçal de prata com três buracos. Porém, antes, dirigiu-se ao sótão. Precisava fechar os portigos, antes que aqueles odiosos morcegos invadissem a casa. E, certamente eles não eram frugíveros. Aquelas raposas voadoras adqüiriram o hábito de beber sangue depois que a cidade, há um século, fora devastada por uma praga de gafanhotos. Os moradores sobreviveram comento carne e leite. Não tiveram boa colheita por décadas. Tempo suficiente para que os animais adaptassem seus hábitos à nova realidade. Desta forma, voavam de dia e comiam carne.

O rapaz fechou as janelas. Olhou o relógio. Com dificuldade constatou já passar das 17:00. Logo o detetive Dupin chegaria. Refletiu no que realmente deveria dizer a ele. Aquele sim, uma raposa velha. Não havia um crime que não desvendasse. Sempre escreviam sobre ele no The Spectator . O policial era cristão protestante e tinha lá suas esquisitices, todavia, não se tinha notícias de homem mais correto naquela região.

O franzino e alto mordomo não conseguia raciocinar, pois ela o gritava, desejando seu maldito chá. Quando estava prestes a entrar no quarto, empalideceu mortalmente, ao olhar pela janela. A última pessoa que ele esperava ver, acabava de estacionar o Jaguar no pátio da mansão vitoriana. Com as pernas trêmulas, abafou um grito homossexual. Seus lábios só conseguiram sussurrar socorro!

(Continua)

“O Beijo da Mulher Aranha”

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Finalmente estamos a sós. Como ninhada desmamada que grita de longe por colo. Somos tristes, contudo, quem mais pode-se dizer feliz, se a crosta terrestre derrete-se lentamente; o céu está estranho. A internet assusta com suas previsões e previsíveis profecias. Precisamos beijar.

Um apanhado de nostálgicos escritores escrevem coisas bonitas, entretanto, a biologia anuncia a decadência da ciência e da poesia. Não há clones humanos; não haverá teletransporte humano. Política mundial, sim, cessará a crise. Comeremos frutas e lagostas.

O sol continuará nascendo e se pondo. Oriente e ocidente se dando bom dia e boa noite em horários diferentes. Depois do sol, o negror.

(Tanto faz, se para o poeta é sempre noite – boêmias cavernas virtuais).

O biólogo beija a astronomia, que flerta com a telecinética; enquanto isso as pernas das prostitutas sentem frio. E levitam seus sonhos neste mundo louco, clima estranho, elas dizem. As coisas mudaram, concluem. Precisamos beijar.

As formigas, ao menos, são um povo organizado, enquanto nós nos cansamos do açúcar. Amargo. Queremos o sabor amargo da violência, afinal, a televisão é para isso.

Desligo o sinal e vou ao cinema. The Spirit, o HQ pode transportar você por enquanto. Velozes e Furiosos 4 poderia fazer-me voar. Mas é em preto e branco que eu encontraria, em Veneza, aquele diretor argentino.

Ou, ainda temos o Hitchcock no banheiro da memória, o box terror, o box! Sua lápide irônica; e os biônicos pênis dos robôs prostitutos da Atlântica.

Ainda são estrelas aqueles pontos lá no céu. É de solidão que queremos falar. Ou queríamos. Quem há de ficar a sós, quando na mão se tem uma caneta! Mas apenas os poetas cantam. Nós, eu, tão somente borro no papel, a perplexidade desses tempos.

Para Manoel Puig

Rosecléa vai casar!

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Ela estava em dúvida. Eram dois vestidos perfeitos. Um, mostrava os peitinhos, ousados eles ficavam no decote. Com vinte e sete anos, estava na hora de largar de ser besta. Mordomia era uma cidade pequena. Achar um homem, tarefa das mais difíceis. Pra transar, tinha os bêbados lá do bar do Zé Palhinha. Porém, para casar, isso era muito mais difícil.

Olhou para o outro vestido. Este mostrava as coxas. O vestido era muito bonito, entretanto, a fazia lembrar daquela noite, no matinho atrás da igreja. E lembrava-lhe também, com amargura, que ainda era meio virgem. Meio virgem.

Estavam felizes. Certos de que aquele seria o melhor momento de suas vidas. Ele, sentado. Ela, em pé. Beijos, beijos. As vozes roucas, mãos ensandecidas. Boca molhada, avidez dos amantes inocentes. Beijo, beijo.

Rosecléa sentira, na ocasião, uma espécie de desmaio. Ouvira uma voz grossa e envelhecida chamando pelo seu nome. Pensou ser a voz de Deus. Sorrira, pensando em como era abençoado seu amor. Mas a surpresa a fizera gritar. Era o Padre Neto, bisbilhoteiro como sempre. Cortara o barato daquela noite.

A menina, mui triste, fora para casa. Odiara o padre Neto, e quanto mais achava que pecava contra sua santidade, mais o odiava por fazê-la pecar.
O fato era que o fato não fora consumado. Pararam no meio do caminho. Meio amor. Meio sexo. Meio virgem.

Armandinho, anos depois. Dez, exatamente. Depois de alguns noivados fracassados e estudos na cidade grande, ele voltara.

Olharam-se no açougue. Na sorveteria. E na lanchonete. Por fim… na igreja! No batizado do sobrinho dele. Suspiros. Lembranças. Uma sensação de algo inacabado.

Começaram a se falar. Ele ia em sua casa e conversavam até tarde. Entretanto, nada de intimidades. Vinte e sete! Ele também. Precisavam se casar.

Assim, no dia do noivado, Rosecléa estava em dúvida. Qual dos dois vestidos?
Optou pelo dos peitinhos. Precisava mostrar que, apesar da idade, eles estavam lá, duros e empinados como antes. As celulites, ela pensou, com um sorrizinho indecente, ele só veria depois de casados.

Estava pronta! Faltavam alguns minutos para as nove. Horário marcado para o jantar de noivado. Dez horas. Gotas de suor na testa. O olhar dos pais inquisidores. A imagem do padre os condenando. Onze horas. Nada.

Até que bateram à porta. Só podia ser. O padre. Sempre ele! Para avisar que o rapaz, num ataque de covardia, se fora para a cidade grande. Desistira do casamento. Rosecléa olhara para o homem com um misto de ânsia de vômito e desejo incontrolável de xingá-lo. De alguma forma ela tinha culpa nesta estória. Chorou um pouco. Crises espirituais e muito desejo contido.

Subiu para seu quarto. Quando todos dormiam, ela rasgou o decote do vestido. Saiu, no meio da noite.

Depois de umas cachacinhas mineiras, olhou atentamente para um rapaz de blusa xadrez. Sorriu convidativa…
E constatou, sorridente, que não era tão ruim assim, o bar do Zé Palhinha.

And the hard
Words
I ever feared to
say
can now be
said:
I love
you.
(Bukowski)

A solidão dos clones

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Acordei, nesta maravilhosa manhã de sábado, tentando ficar bem, tipo não pensar em nada aborrecido. Doce engano. Liguei o computador, para ler, escrever, distrair-me. Sabe como são as coisas da internet. Quando dei por mim, fui parar numa matéria bizarra, de um certo cientista do século passado, o doutor soviético Vladimir Demikhov que sonhou com transplantes de cabeça para outro corpo e vice-versa. Ele tentou com cãe.Aliás, a polêmica continua sobre o uso indevido de animais em experiências científicas. Os cientistas, os loucos e os nem tanto, buscam, incansavelmente a perfeição da vida. A criação perfeita.
Chegamos aqui, com esses pesados rumores sobre a clonagem humana. Óbvio está que ficará difícil para os pesquisadores seguir em frente com essas obscuras idéias. Estas clonagens, como todos sabem, são artificiais. Nossa reprodução, ou seja, a reprodução humana, se dá através das células sexuais (os velhos e bons óvulos e espermatozóides). Na clonagem, esta experiência se utiliza de células somáticas, que são células responsáveis pela formação de órgãos, ossos e peles. Complicado.
Aquela ovelhinha, a Dolly, envelheceu precocemente e morreu. Dei uma pesquisada e descobri que a morte prematura do bicho foi devido ao telômero, que é a parte do cromossomo responsável pela divisão celular. Cientistas de todo o mundo passaram a pesquisar o telômero.
A explicação sobre as primícias experiências do russo Vladimir Demikhov tem a ver com curas de paraplégicos e até tetraplégicos. Entretanto, dói ver as imagens de dois cachorros unidos que viveram pouco tempo, mas, certamente angustiados, pois os cães têm memória e inteligência, o que certamente os maltratou, por não entenderem o porquê daquele dolorido estado de estar ligado a outro ser, impossibilitados de sua individualidade.
Não sou radical com relação a experiências com animais. Só acho que o homem, acometido de soberba fáustica, quer reinventar a vida e, quem sabe, sonham fazê-la eterna. Ha-ha-ha. Como somos patéticos.
Religiosos, em sua maioria cristãos, posicionam-se contra a sandice da clonagem humana. Eu, sou contra porque sei e não sei bem por que eu sei, que isso jamais dará certo. Há algo mais que células somáticas e embriões na vida humana.
De qualquer forma, taí um artigo para pensar.
Meu sábado foi pro beleléu, eu que só queria escrever poemas.
Espero que não fiques chateado pelo post. Afinal, ciência é interessante, mesmo que muitas vezes bizarro.

Bom final se semana!

O Antianticristo quem lerá?

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Nódulos enfurecidos, entranhados entre os neurônios dos pesquisadores e dos filósofos sem fundamentos, que não explicam por que ainda se fala em Freud e parnasianos poemas que fazem nosso dia-a-dia.

Por quê?! Eu nem queria isto pra mim, essa miséria física, limitações materiais, enquanto o céu vai longe e alto e estúpidos somos nós aqui, e nem queríamos nascer assim. Sabemos porque sabemos e nada fazemos, já que o mais importante é levantar o glúteo do sofá e constatar que a geladeira tá cheia.

Repleta de coisas para comer. Obesos são seus dias, entristecidos no cair da tarde apocalíptica, que por Adão e Eva, danou-se o mundo inteiro.

Mas você ainda se acha, porque tem grana e carro e é jovem e não percebe que está tão morto quanto eu, à beira do abismo da finitude, porque tudo acaba, sabias? Ó, medo da chuva, do tempo, do relógio que há de despertar um dia!

Teus cabelos estarão brancos, e na memória, pouco mais de umas tantas lembranças, tolas lembranças de nada.
Eu nem queria ser assim, tão mortal, tão pouco. Nada mais faria sentido, não fosse Deus falar com a gente no metrô e nas esquinas da cracolândia. Deus não usa droga e eu nem sei por onde começar falar com ele sobre vocês, meninos.

Pensamentos invisíveis, que usam jeans e ainda compram cigarros e maçãs. Eu nem saberia por onde começar. Ler O Anticristo foi muito fácil e chique na época, como elegante foi ler Oscar Wilde – a vida é muito importante para ser levada a sério – , todavia, o livro Antianticristo poucos lerão.

Imensas asas, provocando vendaval quando as células se agitam diante do Rei, enquanto rói o rato do tempo, a mocidade dos teus dias, embora seja velho o velho Rei, o mundo ainda se agita nas espátulas do liqüidificador…

Mexem no meu bolso, bolinando crianças, como és medonho! Olho de tigre, voz de leão, ruges ao léu, pois longe está para ti, o céu. O mundo vai acabar?! Pois para ti ele já não há. E aquelas asas ao vento levam embora minha esperança.
Eu vou morrer.