“O Beijo da Mulher Aranha”

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Finalmente estamos a sós. Como ninhada desmamada que grita de longe por colo. Somos tristes, contudo, quem mais pode-se dizer feliz, se a crosta terrestre derrete-se lentamente; o céu está estranho. A internet assusta com suas previsões e previsíveis profecias. Precisamos beijar.

Um apanhado de nostálgicos escritores escrevem coisas bonitas, entretanto, a biologia anuncia a decadência da ciência e da poesia. Não há clones humanos; não haverá teletransporte humano. Política mundial, sim, cessará a crise. Comeremos frutas e lagostas.

O sol continuará nascendo e se pondo. Oriente e ocidente se dando bom dia e boa noite em horários diferentes. Depois do sol, o negror.

(Tanto faz, se para o poeta é sempre noite – boêmias cavernas virtuais).

O biólogo beija a astronomia, que flerta com a telecinética; enquanto isso as pernas das prostitutas sentem frio. E levitam seus sonhos neste mundo louco, clima estranho, elas dizem. As coisas mudaram, concluem. Precisamos beijar.

As formigas, ao menos, são um povo organizado, enquanto nós nos cansamos do açúcar. Amargo. Queremos o sabor amargo da violência, afinal, a televisão é para isso.

Desligo o sinal e vou ao cinema. The Spirit, o HQ pode transportar você por enquanto. Velozes e Furiosos 4 poderia fazer-me voar. Mas é em preto e branco que eu encontraria, em Veneza, aquele diretor argentino.

Ou, ainda temos o Hitchcock no banheiro da memória, o box terror, o box! Sua lápide irônica; e os biônicos pênis dos robôs prostitutos da Atlântica.

Ainda são estrelas aqueles pontos lá no céu. É de solidão que queremos falar. Ou queríamos. Quem há de ficar a sós, quando na mão se tem uma caneta! Mas apenas os poetas cantam. Nós, eu, tão somente borro no papel, a perplexidade desses tempos.

Para Manoel Puig

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7 comentários em ““O Beijo da Mulher Aranha”

  1. Temo que o moço da quitanda desconfie por eu comprar tantas laranjas hehe.
    É… Luz e escuridão, e no final do túnel a gente recomeça. Somos teimosos por natureza. O infinito ainda é pouco. Ô raça!!!…
    Beijo, querido. 🙂

  2. Tive uma repentina visão ao ler sua narrativa. Que, aliás, me assalta em algumas situações que se repetem: um homem iluminado por um facho de luz, no centro, e ao lado as coisas esmaecendo, pálidas, fugidias, deixando apenas a sua marca no local onde estavam. Essa indecisão fortalece o sentido do ser só. Quanto mais ele se enche de luz, mais o mais desaparece, resta o beijo que ele treina em uma laranja, para não perder o hábito, quem sabe um dia…Beijos, minha doce romântica.

  3. Oi, ED!
    Na primeira versão eu já era adolescente, o que significa que passei dos trita hehe. Mas a alma usa jeans e masca chiclets. To em forma, ai, chato falar de idade hehe.
    Claro que pode publicar lá, é uma honra.
    Que bom que se ‘viu’ no texto. Geralmente gosto de amigos, escritores que têm coisas em comum. Um olhar parecido, metas e viagens parecidas.
    E tem mais galera aí: Led Zepplin, Slayer, Rush, Metálica… ACDC, Maden, Jerry Li Lewis, Chuk Berry Ah!… preciso ouvir um pouco de rock hehe
    Beijo

  4. E aí, director?
    Entendi e gostei muuuito. Realmente, se vcs têm essa produção toda, mãos à obra. Participei com um parceiro, o Kito Mello, de festivais, não há mistérios e nem precisamos sonhar com prêmios e etc – embora caso se ganhe uma visibilidade coisas grandes podem rolar – eu poderia olhar o argumento e confesso que estou com as mãos coçando hehe. Gosto de escrever roteiros, é uma paixão. Cena1 – quintal – ext./noite e etc. Que boom!
    Façamos o seguinte: Manda pra minha caixa de e-mail o que vcs tiverem aí. Quem sabe a gente não arrebenta num curta.
    É, eu sou do Rio de Janeiro sim sinhô, mas temos a tecnologia a nosso favor.
    O que eu puder fazer, na parte dramatúrgica, será um prazer, principalmente que vcs têm base de produção.
    Beijo! Diz para o Cochise que estou com saudades dos seus comentários:)
    Beijo.
    obs – vou mandar meu endereço

  5. Olá Daisy,

    Camo estamos?
    (espero que bem)

    Que texto é esse? …. (‘Tô digerindo ainda) … Deixa eu dizer como me senti a princípio… acho que em ressonância (creio que é isso que buscamos ao espalhar o nosso interior em textos pelo mundo) e fiquei impressionado de sentir, enquanto estava lendo, que eu poderia ter escrito o texto (não pelo belo estilo e qualidade, mas pelo sentimento que exprime).

    ‘To chocado…
    queria até republicá-lo lá no blog, com a sua permissão…

    Um abraço (agradecido pelas suas visitas lá no blog)

    P.S.: Quase não acreditei quando li seu cometário lembrando do motorhead, me surpreendeu deveras… bons tempos de fato os do Rock’n Rio… saudade… (apesar de só ter tido idade (mas não a grana) para ir no último… mesmo vendo pela TV, eu me sentia participando de um movimento bacana e raro).

  6. Empiricamnte eu sei que coilocar esse vídeo em circuito nos festivais pertinentes vai depender da qualidade do Roteiro.
    é ai que tu entra.
    Eu sou escritor e sei o processo metacriativo de se escrevfer uma história. Assim como consegui com os projetos anteriores, sei que posso com esse.
    A questão éque não quero ESCREVER esse roteiro sozinho. O Cochise entrou por isso. Tomamos um café e criamos o argumento – que nem cabe expor aqui, mas se quiser mesmo me manda um email que te respondo com uma sinopse –
    Agora, quero uma terceira mente por trás disso. E por impossibilidade técnica e georgrafica, talvez nem venha ao caso voce participar efetivamente na produção. Apenas se encontramos uma forma, o que também seria explêndido.
    Mas o que estou propondo é uma parceria ativa na elaboração desse roteiro. Não sei se interessa ao seu currículo,nem sei se é o caso aqui. Mas de qualquer forma, sua mentalidade e capacidade de elaborara com profundidade assuntos relativamente simples casa perfeitamente com minha visão de cinema.
    Ufa.
    Foi mal o tamanho disso.
    Prometo ser mais bonzinho da próxima.
    Beijo.

  7. Funciona assim, deixa eu me explicar melhor (aliás, belo currículo você tem pela frente, hein? teledramaturgia? Tipo Janete Clair – é assim que se escreve?)
    Bom, em primeiro lugar eu já venho produzindo audiovisual há alguns anos,. desde que passei a fazer parte do ponto de cultura daqui. Mas no meu currículo constam apenas Docs, o que não é ruim. Essa visceralidade do documentario me alegra de fazer, dáum puta tesão. Produzi esses vídeos com o subsídio do Ponto, que é uma verba federal. Mas enfim, agora, como minha meta éo cinema praticado – e cinema se pratica bem na Europa e Brasil, esquece hollywood- desenvolvi um projeto para gravar o primeiro curta ficcional, usando o mesmo processo de subsídio dos docs, que é essa párceria com o Ponto de Cultura.
    Isso nos leva ao problema A, que é a necessidade de atores, diferentemente dos Docs. Como eu já faço teatro há cinco anos (escrevo e atuo), decidi formar os atores através de workshops. Uma forma eficaz de conciliar os pre-requisitos do Ponto para me subsidiar e sanar minha necessidade de, chamemos assim, “mão-de-obra”.
    Essa oficina já está rolando com um grupo de jovens beneficiados pelo Ponto, aqui na cidade mesmo. Uma galera empolgada e animada, e o que é melhor, virgem nesse lance de atuação. Decidi por isso ao invés de usar atores do teatro por que, sinceramente, estou de saco cheio deles. Sem contar que essa galera do teatro é… bem, TEATRAL demais. Minha visão de cinema é mais escatologica e humana, quase uma introspecção. Puxa da estante aí algun filme francês que tu saca direitinho o que eu to dizendo.
    Então, em breve teremos atores – com o cérebro lavado para o cinema – e o devido subsídio para a produção desse curta – recursos de filmagem, edição, etc. Apenas o pós produção é uma questão ainda pendente -como distribuição, exibição, etc. (Continua)

Sua opinião me interessa ;)

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